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"Gourmetizaram a suruba": adeptos de festas liberais criticam orgia regrada

Simon Plestenjak/UOL
Demandas para participar da suruba de Michel Chamon aumentaram 200% Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Talyta Vespa

Da Universa

27/06/2018 04h00

No começo de junho, o organizador de surubas Michel Chamon, 30 anos, deu o que falar após contar tim  tim por tim  tim como funcionam as festas liberais que organiza em casa. A Universa conversou com dois assíduos praticantes de orgias e descobriu que, nem sempre, a organização é legal.

Gourmetizaram a suruba

O engenheiro João*, de 39 anos, é surubeiro de plantão. Para ele, não tem essa de organizar a bagunça. “Já participei de surubas organizadas por um fulano. Não gostei. Em determinado momento, saí um pouco do furdunço para tomar uma cerveja e fiquei só observando. De repente, o cara veio e me puxou para o meio de novo. Muito deselegante”, ri.

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Para João, o mais legal de festas liberais é não ter regras. A única delas é o respeito. “Em uma suruba, as pessoas precisam fazer o que querem e só. Se rolar forçação de barra, precisa parar e entender o que está acontecendo. Mas, tirando isso, o lance é deixar rolar”, conta.

“Nesse dia, estávamos eu e mais sete pessoas. O rolê aconteceu na casa do cara, então ele se sentiu responsável por fazer funcionar. Só que, naquele momento, eu queria ser voyeur, descansar um pouco. Ele não me deu nem um tempo. Pegou no meu braço e disse ‘você vai desfalcar o sexo’. Eu não entendi nada, foi super broxante. Depois dessa situação, recusei todos os convites que ele fez a mim”.

João gosta mesmo quando a suruba rola sem planejar. “Você vai a uma festa despretensiosamente. Lá, conhece pessoas, o clima começa a rolar e vai todo mundo para um motel ou para a casa de alguém. A espontaneidade é maravilhosa”.

No entanto, o engenheiro sabe que, às vezes, a burocracia existe. “Tem momentos em que a gente marca, acontece. E tudo bem. Só não pode ter gente cagando-regra na trepada alheia”, ri.

"Organizei uma suruba com 70 pessoas"

Já Joana*, 34, garante que a organização é ideal para que tudo dê certo em uma suruba. Ela já atuou como organizadora, mas também participa de festas coordenadas por outras pessoas. “Quem organiza tem a função de filtrar os convidados, definir o lugar onde vai rolar a festa e passar segurança para os outros participantes”, explica.

A paulistana participa de orgias há um ano e meio. Antes mesmo de se casar, descobriu que gostava de mulheres. Mas, foi ao lado do marido que optou por conhecer “as maravilhas do bacanal”. A última festa organizada por Joana teve 70 participantes.

“Conheci um casal de amigos que sempre participava de surubas. Eles nos indicaram e passamos a fazer parte do grupo”, conta. Mas, antes de indicar alguém, é preciso ter certeza de que a pessoa é responsável e respeitosa: “Quando quero convidar uma pessoa, converso com o organizador. Se ele autorizar, me torno responsável por aquela pessoa. Se ela fizer merda, é expulsa do grupo, e eu também”, afirma.

Mau comportamento?

O que pode resultar na expulsão de um participante é o desrespeito. Segundo Joana, homens que não sabem ouvir “não” e pessoas que tentam tirar fotos são limados na hora. “Não é porque você está em uma suruba que precisa transar com todo mundo. Por isso, se a mulher disser não e o cara insistir, ele está fora e a pessoa que o indicou também. Além disso, tirar fotos é proibido”, explica.

Como chegar?

A bagunça está rolando e você quer participar de determinada relação? Joana ensina como chegar de forma respeitosa: “Toque no braço de algum dos participantes e pergunta se você pode entra ou se pode assistir. Se a resposta for sim, só chegar. Se for não, procure outra turma”.

As festas grandes das quais Joana participa acontecem, em média, a cada dois meses.

Diferente da suruba de Michel — onde os convidados só se conhecem na hora do vamos ver —, as festinhas de Joana têm um preparo. Os participantes conversam por um grupo de WhatsApp por, em média, um mês antes do rolê. “Trocamos nudes, nos adicionamos, nos conhecemos. A gente troca piadas, conversa, já vai criando uma química. Quando chega a festa, já fica bem mais legal”.

Sobrei. E agora?

“Estar em uma suruba não significa estar transando durante todo o tempo. O organizador nem sempre precisa ficar cuidando das pessoas, a não ser que alguém esteja realmente deslocado e incomodado com isso. Durante a festa, você transa, aí para, toma um drink, fica de voyeur... Tá tudo bem”, garante a administradora. “Se o organizador precisar ficar monitorando dezenas de pessoas, ele não curte a festa. Ele é avisado quando algo sai do combinado para que tome as devidas providências. De resto, é só curtir”.

O rei das surubas

Simon Plestenjak/UOL
Casa de Michel tem apenas um cômodo Imagem: Simon Plestenjak/UOL

O número de pessoas a fim de frequentar a casa e a cama de Michel, na zona oeste de São Paulo, cresceu 200% em 20 dias. Segundo ele, está até difícil organizar as demandas. "Ser organizador de suruba dá trabalho", diz. 

A ideia de virar organizador de festas liberais tomou conta do publicitário ainda quando ele era apenas um mero convidado da suruba alheia. “Comecei a identificar o que dava errado nas orgias das quais eu participava. Passei a anotar e entender a melhor forma de evitar que alguém “sobrasse” durante o sexo, o que não falar, o que não fazer, sempre com base em situações que prejudicaram o andamento da suruba”, explica.

Os convidados

Na suruba de Michel, os convidados não se conhecem. Para ele, a surpresa gera um clima de excitação e empolgação maior. “Não gosto de trazer amigos ou casais, acho prejudicial para o andamento da suruba porque sei que as pessoas não se soltam como se soltariam sem a presença do parceiro”, garante o experiente surubeiro. “Essa coisa de criar grupinhos no WhatsApp, ficar mandando nudes, é um tiro no pé. Perde toda a graça da hora H. Na minha suruba, ninguém tem contato até a hora da festa”.

O publicitário garante que as mulheres são as que mais se abrem para novas experiências sexuais. “Se eu quiser, consigo dez mulheres para uma suruba, mas não consigo dez homens. A liberdade sexual feminina é uma realidade que assusta muitos dos caras”, diz.

Ninguém é obrigado a nada

Chegou lá e sentiu que não rolou clima com os outros participantes? Não precisa fazer nada. Segundo o publicitário, a pessoa pode ficar de voyeur e, se der vontade, participar. “Sempre organizei dessa forma e sempre deu certo. Claro que há situações em que eu, como organizador, preciso intervir. Se a moça tá tímida, a gente conversa mais, toma mais uma cerveja. Sou o coach da suruba, tenho que fazer de tudo para que ela funcione. Tenho conseguido”.

Se alguém sobrar, o que raramente acontece devido à organização de Michel, ele dá um jeito. “Chego numa boa pra pessoa, ofereço mais uma cerveja, um vinho, um pau...”.

O nicho dos surubeiros

Michel sabe como conquistar seu público: pelo boca a boca. “Limpo a casa, compro cerveja ou catuaba. Peço que cada convidado escolha quatro músicas e monto uma playlist. Até que o clima começa a rolar, as pessoas começam a se aproximar, rolam beijos e depois tudo acontece naturalmente. Eu prezo para que todos saiam satisfeitos da minha suruba, para que indiquem aos amigos. É assim que tenho ampliado meu nicho de surubeiros. Atualmente, consigo fazer até 10 surubas sem chamar as mesmas pessoas”.

Simon Plestenjak/UOL
Casa de Michel foi pensada para surubas Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Nem sempre dá certo

Apesar de ser metódico, Michel nem sempre consegue garantir que tudo se mantenha sob seu controle. “Organizei uma suruba com três caras e três minas. No meio, dois dos homens desistiram por motivos pessoais. Fiquei sozinho com três mulheres. Não sou uma máquina de sexo, como daria conta daquilo? A minha sorte é que elas interagiram entre elas, mas foi um sufoco”, relembra o publicitário, que não gosta muito de comentar os fracassos.

Tenho gostos peculiares... Você não entenderia

Michel ficou pistola quando uma convidada levou batata frita e uma garrafa de contini para a festa. Segundo ele, não se come em suruba e, na hora de levar bebida, é bom escolher algo que a maioria das pessoas goste. “Quem bebe contini com menos de 50 anos?”, ri o publicitário. A moça da batata foi excluída das festas seguintes.

“Bebida de suruba é cerveja ou catuaba, consensuais entre os convidados”, explica.

O ambiente

Michel cuida para que o ambiente seja o mais confortável possível para os transantes. Uma cama de casal e um colchão de ar são suficientes, garante ele. Debaixo da cama, fica uma sacola com mais de 100 camisinhas, todas adquiridas em postos de saúde. “Sou contra comprar camisinha, a gente pode ter de graça”, diz. Os brinquedos e consolos são guardados em uma das gavetas do rack.

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Michel coleciona pênis de borracha de todos os tamanhos Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Há pintos para todos os gostos – grossos, finos, grandes, pequenos. Ele tem algemas e uma coleira, para quem curte uma pancadaria sadomasoquista. “Eu adoro um sexo mais hard, mas vou no embalo dos convidados”, conta.

Michel é virginiano. Sabe o número exato de mulheres com quem transou até hoje. "Foram 447", diz orgulhoso. É claro que saber o número não é mérito da memória do publicitário. "Tenho uma planilha de excel. Em ordem alfabética, coloco nome por nome e descrevo detalhes de todas as transas". Além disso, Michel reuniu as experiências em dois livros chamados "As Crônicas de Um Jovem na Esbórnia I e II". 

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