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Relacionamentos

Elas deixaram tudo no Brasil para viver a vida com o parceiro no exterior

Pixabay/Creative Commons
Imagem: Pixabay/Creative Commons

Laís Rissato

Colaboração para Universa

26/06/2018 04h00

Você largaria uma carreira estável ou a família e os amigos em seu país natal por causa do parceiro?

A decisão, que afetou até mesmo a atriz americana e agora duquesa de Sussex, Meghan Markle, de 36 anos, que, ao entrar para a família real britânica no mês passado ao se casar com o príncipe Harry, de 33, abdicou de um futuro profissional promissor, é mais comum do que se imagina.

Veja abaixo a história de quatro mulheres que deixaram o Brasil para viver uma nova vida em nome do amor.

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“Ele disse que um teto não me faltaria”

Arquivo pessoal
Tânia e Justin Imagem: Arquivo pessoal

“Sou formada como designer gráfica e, mesmo tendo uma carreira promissora no Brasil na minha área, não via muita possibilidade de crescimento na empresa onde trabalhava. No começo de 2017, fiz um acordo de demissão e decidi viajar por seis meses em um mochilão pela Califórnia e Havaí.

Faltando três semanas para voltar ao Brasil, conheci o Justin, hoje meu marido. Ficamos juntos, nos conhecendo durante esse tempo, mas era uma coisa estranha, pois sabíamos que tinha prazo de validade. Quando voltei ao Brasil, comecei a perceber que sentia falta dele.

Enquanto isso, continuávamos nos falando e ele dizia para eu voltar para Honolulu (a capital do Havaí), onde ele morava, porque sentia minha falta e, mesmo sem me prometer relacionamento sério ou noivado, disse que um teto não me faltaria. Usei meus cartões de crédito sem ter ideia de como pagaria, comprei as passagens e fui no final de novembro.

Parece loucura, porque o conhecia super pouco e um lugar para morar foi tudo o que ele tinha me oferecido até então. Mas deu muito certo! Ambos ainda não tinham dividido a vida e nem a casa com alguém. Acho que aconteceu porque o Justin é um homem feminista, assim como eu, porque me vê como uma igual, me respeita e nunca me subestima.

Mesmo eu chegando em outro país sem ter nada, ele nunca tirou proveito de mim para qualquer coisa. Em janeiro deste ano, ele disse que faria o que fosse preciso para que eu ficasse com ele, e nos casamos. O que pesa bastante nessa decisão é a saudade da família.

Por enquanto, estamos no processo para obtenção do meu green card (visto permanente de imigração dos EUA) e, quando ele sair, vou poder trabalhar formalmente como designer”.

Tânia Aquino, 37 anos, dona de casa e Justin Chapple, 28 anos, motorista

“Para comprar qualquer coisa, precisava pedir dinheiro a ele”

Arquivo pessoal
Laura e Cássio Imagem: Arquivo pessoal

“Meu marido, Cássio, trabalhava no escritório de uma empresa britânica em São Paulo, que fechou as portas em 2016. Para algumas pessoas, ofereceram a oportunidade de uma transferência para a Inglaterra, que foi o caso dele.

Eu sempre tive o sonho de morar na Europa, fazer intercâmbio, mas nunca tinha acontecido e vi nisso uma chance para realizá-lo. Eu gostava bastante do meu emprego como jornalista, estava em um momento bom da carreira, talvez tivesse até que ter pensado mais sobre largar tudo.

Em maio daquele ano, fomos os dois para Birmingham, onde moramos, acertar a documentação, depois voltei para o Brasil para resolver umas últimas pendências e em setembro vim definitivamente para cá. Na verdade, eu sempre digo que não me mudei por causa do meu marido, eu me mudei com ele.

Tenho aprendido muitas coisas aqui, mas a vida não é um mar de rosas e as coisas não aconteceram da forma que eu achei que seria. O primeiro ano foi bastante complicado por causa do clima, já que faz muito frio, e porque fiquei sem emprego.

Na minha cabeça, arrogante, por ter um inglês bom eu não imaginei que meu currículo fosse ser tão ignorado. Eu tive que recomeçar do zero e, nesse momento, fiquei completamente dependente do meu marido. Para comprar qualquer coisa, eu precisava pedir dinheiro a ele.

Outra coisa bem difícil foi passar bastante tempo sozinha e aí a depressão bateu. Ficar sem emprego é a pior coisa que pode acontecer a alguém mas, felizmente, consegui me recolocar esse ano. O que mais sinto falta é da minha família, já que agora estou grávida e vou ter um bebê que vai ficar longe dos avós e da família”.

Laura Navajas, 37 anos, administradora de vendas e Cássio Silva, 36 anos, engenheiro civil

“Vendi meu carro e larguei tudo para trás”

Arquivo pessoal
Bárbara e Daniel com o filho, Noah Imagem: Arquivo pessoal

“Sou de Belo Horizonte e conheci meu marido, Daniel, que também é de lá, em novembro de 2014. Na época, ele já vivia nos EUA há quase dez anos, quando se mudou com os pais para a Flórida em 2005, para abrir uma empresa de courier e, por causa disso, todos conseguiram o green card e hoje são cidadãos americanos naturalizados.

Ele é amigo do meu primo, que também morava na Flórida, e o vi a primeira vez no Facebook dele. Decidi adicioná-lo como amigo e começamos a conversar sem parar. Desde o primeiro momento eu sabia que o Daniel era o homem da minha vida mas, por causa da distância, não imaginei que daria certo.

Um mês depois, ele disse que iria ao Brasil para me conhecer e passou oito dias na minha casa. No primeiro dia, saímos para jantar e o primeiro beijo foi horrível (risos), mas mesmo assim ele me pediu em casamento e eu aceitei. Foi uma paixão avassaladora que veio antes de toque, beijo ou cheiro.

Sou formada em Direito e estudava para concurso, já havia me inscrito para três provas, mas decidi largar tudo para trás; vendi meu carro, tirei o visto americano e vim. Estamos casados há três anos e meio, atualmente moramos na Carolina do Norte e temos um filho de seis meses, Noah.

Sei que foi tudo muito rápido, todas as minhas amigas me chamavam de louca, inclusive, perdi a amizade com uma delas porque senti que ela estava com inveja, infelizmente. Mas nunca pensei em desistir e nem me arrependo.

Eu consegui trabalhar em um escritório de advocacia por um tempo como assistente de um advogado, mas atualmente só cuido do meu filho. Vamos voltar para o Brasil em dezembro, para o aniversário de 1 ano dele”.

Bárbara Araújo, 30 anos, advogada, Daniel Zicker Cardoso, 30 anos, empresário.

“Meus pais ficaram magoados com a minha vinda”

Arquivo pessoal
Darrel e Joice Imagem: Arquivo pessoal

“Em 2011, quis morar fora do Brasil para estudar inglês e trabalhar como au pair e, na época, cogitei ir para o Panamá, então viajei para conhecer o país em agosto. Lá eu conheci meu atual marido, Darrel, que é americano, e hoje moramos no Arizona.

Fiquei por uma semana, nós trocamos contato e, no mês seguinte, ele me convidou para ir até lá novamente, já que era mais ou menos o meio do caminho para ambos. Nesta segunda vez, voltei para o Brasil apaixonada. Em meados de novembro, a saudade bateu, nos falávamos direto pela internet e ele quis me ver de novo, dessa vez em Cancún, no México.

Ele arcou com todas as despesas. Ele tinha uma empresa de tubulações e estava muito bem. Durante o verão americano, no meio do ano, as ofertas de trabalho aumentam, então passamos oito meses sem nos encontrarmos, já que Darrel não podia viajar.

No final de 2012, ele começou a ter problemas financeiros na empresa e passou por um período muito difícil. Foi então que, em outubro de 2013, eu decidi tirar meu visto e ir de vez para os Estados Unidos ficar com ele. Nessa época eu trabalhava com o meu pai em uma empresa de turismo e vivia com a minha mãe, que ganhava uma pensão dele.

O Darrel sempre me ajudou bastante com dinheiro e não achei justo desistir de ficar com ele por causa de suas dificuldades. Mas eu ainda tinha dúvidas se queria realmente casar, pois a vida toda eu sempre achei que teria que morar pelo menos um ano com a pessoa para formalizar uma união.

O processo foi difícil, tive que me adaptar a cultura americana, muito diferente da nossa e temos problemas como qualquer outro casal. Por causa destes problemas financeiros, precisamos reconstruir nossa vida do zero. Como minha ida foi repentina, meus pais ficaram um pouco magoados com isso. Sei que tomei uma decisão difícil, mas não me arrependo.”

Joice George, 33 anos, coach de transformação e Darrel George, 45 anos, carteiro