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20 anos de Viagra: o que as pessoas ainda precisam saber sobre o remédio

AFP
Imagem: AFP

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

25/06/2018 04h00

Sem exageros, podemos dizer que o lançamento do Viagra, em 1998, foi um divisor de águas para a sexualidade masculina --indiretamente, para a feminina também, já que melhorou a qualidade de vida e o vínculo de vários casais.

Diferentemente dos métodos anteriores, todos invasivos, o medicamento desenvolvido pela empresa farmacêutica Pfizer tem a sildenafila como princípio ativo para aumentar o nível de circulação sanguínea no pênis, ajudando a eliminar --pelo menos, momentaneamente-- o fantasma da disfunção erétil.

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Já nas primeiras pesquisas clínicas, o Viagra causou revolução: graças aos estudos, foi possível entender melhor como funciona a fisiologia da ereção, o que ajudou a tratar diferentes tipos de disfunção sexual masculina.

O aspecto mais interessante, porém, ocorreu sob o ponto de vista comportamental: o Viagra acabou com o paradigma de que existe uma idade "limite" para o homem manter-se sexualmente ativo.

Hoje, há vários similares no mercado, como o Levitra, o Cialis e o Heleva. E, desde a quebra da patente, em 2013, versões genéricas também podem ser encontradas nas prateleiras das farmácias. O que varia de um para o outro são o tempo de absorção e a duração, antes de ser eliminado pelo organismo.

No entanto, apesar de revolucionário e benéfico, trata-se de um medicamento e, portanto, merece cuidado e atenção no uso. Eis algumas informações válidas:

Não é para todo mundo 

O Viagra é recomendado apenas para homens maiores de 18 anos que sofram de disfunção erétil e não é indicado para mulheres.

Existem efeitos colaterais 

Os mais comuns são dores de cabeça, náuseas, ondas de calor e tontura, mas a maioria dos homens não sente nenhum problema.

Não basta engolir o comprimido para o pênis ficar ereto

Viagra não é afrodisíaco, mas apenas um facilitador. Se o cara não tiver um estímulo sexual, uma erotização, o remédio não vai funcionar.

A ereção não é instantânea

Para o medicamento ter efeito, precisa cair na corrente sanguínea. E isso demora de 30 minutos a uma hora, de preferência de barriga vazia. Não precisa de jejum absoluto, mas com o estômago vazio o Viagra não vai 'competir' com os alimentos na hora da absorção. Dessa forma, a ação pode ser mais rápida, assim como a eficiência de ação.

O pênis continua duro depois de o homem gozar?

Mito. Se houve orgasmo, prazer e ejaculação e o estímulo erótico foi interrompido, o pinto vai amolecer. Os efeitos passam em até três horas, em média. Casos de priapismo, em que o pênis não abaixa de jeito nenhum, devem ser levados à emergência médica. Em geral, são resultados de abusos, como o caso do britânico que ingeriu 35 comprimidos de Viagra em 2015 e ficou com o pênis ereto durante cinco dias.

Toda disfunção erétil merece atenção

Não adianta o sujeito comprar o Viagra para resolver o sintoma da falta de ereção se o problema é causado por doenças como diabetes, obesidade, cardiopatias, males circulatórios, hipertensão arterial e até mesmo fibroses (cicatrizes) internas no pênis --nesse caso, aliás, o remédio dificilmente surtirá efeito.

Precisa de orientação médica

Embora seja comercializado sem necessidade de receita, ninguém deveria experimentar esse tipo de medicamento sem orientação médica.

Homens com problemas cardíacos não devem tomar 

Os medicamentos para doenças do coração, em geral, contêm nitratos (isordil, monocordil e sustrate, por exemplo), substâncias incompatíveis com qualquer inibidor da fosfodiesterase-5, enzima presente no pênis. Há o risco de a pressão do paciente abaixar demais. E se já existe uma obstrução coronariana, o perigo é de que o homem tenha um infarto.

Isso não quer dizer que o Viagra causa infarto

Vários estudos demonstraram que o uso do medicamento é seguro do ponto de vista cardiovascular. Segundo especialistas, os casos esporádicos de homens que tomaram o medicamento e sofreram infarto foram na sua maioria decorrentes do uso inadequado e de doenças cardiovasculares preexistentes. Hipertensos podem ingerir: com a doença sob controle e com orientação médica.

O uso recreacional pode causar machucados

Muitos caras mais novos apelam para o Viagra para aumentar o tempo da relação ou facilitar uma segunda ereção após a primeira transa. Porém, o excesso de "entusiasmo", digamos, pode desenvolver fibroses. O pênis ereto não pode ser forçado, seja para baixo, para as laterais, muito menos escapar e ter um impacto súbito. Acompanhado pela ingestão de bebidas alcoólicas, o uso sem necessidade tem causado traumatismos penianos em muitos jovens, provocando fibroses que, por sua vez, resultam no aparecimento de curvatura no pênis, afinamento e até diminuição de tamanho.

Outro risco: dependência psicológica

O perigo do uso recreacional pode prejudicar a autoconfiança masculina, levando o homem a só conseguir transar quando estiver sob o efeito da medicação. Isso acontece, via de regra, porque há uma mudança no nível de cobrança quanto ao desempenho sexual: o cara passa a considerar a qualidade da ereção e o desempenho sem remédio como insatisfatórios. 

É possível tomá-lo mesmo numa idade muito avançada 

Desde que não exista contra-indicação ao esforço envolvido no sexo (que seria o equivalente a subir dois lances de escadas), sob indicação médica e se a pessoa tiver uma função coronariana e cardiológica boa. Os efeitos não mudam necessariamente conforme a idade, mas de acordo com o grau da disfunção erétil. E é bom lembrar que os resultados, obviamente, são proporcionais à saúde cardiovascular.

Como o medicamento age facilitando a dilatação das artérias que nutrem o pênis, quanto mais saudáveis elas estiverem, melhor será a resposta.

Fontes: Alex Meller, urologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Marco Aurélio Campos, urologista do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), em São Paulo (SP); Paulo Egydio, urologista formado pelo HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) com especializações na Mayo Clinic e na Cleveland Clinic Foundation, nos Estados Unidos, e Valter Javaroni, urologista e membro da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia/regional RJ).