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Mães e filhos

Grávida ganha na Justiça o direito a cirurgia complexa com bebê na barriga

Pixabay
Grávida no DF consegue que bebê passe por cirurgia que diminui chances de hidrocefalia Imagem: Pixabay

Marcos Candido

Da Universa

17/06/2018 04h00

Uma grávida do Distrito Federal descobriu, com 22 semanas de gestação, que seu bebê sofria com mielomeningocele ou espinha bífida. No início deste mês, ela conseguiu na Justiça que seu plano de saúde cubra o procedimento de correção com o feto ainda na barriga, um método caro e realizado ainda por poucos médicos no país. A cirurgia aconteceu no início desta semana.

O que é essa malformação?

A mielomeningocele ocorre quando a coluna do feto não se forma como deveria, deixando o tecido cerebral exposto ao líquido amniótico, aquele expelido quando a bolsa “estoura”. As consequências são o desenvolvimento de hidrocefalia (acúmulo de fluídos no cérebro), a degradação do sistema nervoso e dificuldades de locomoção para o bebê no futuro.

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A cirurgia intrauterina é orçada na casa dos R$ 100 mil, mas não é reconhecida pela ANS (Agência Nacional de Saúde). Em nota, o convênio de saúde Amil afirma ter negado o procedimento com base na conclusão da instituição. Mesmo assim, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal foi favorável à grávida.

Escalado para a cirurgia, o médico fetal Fabio Peralta, de São Paulo, foi o responsável pela operação devido à ausência de um cirurgião qualificado no Distrito Federal. A cirurgia é feita com um corte na barriga da mãe, como em uma cesária. Depois, o médico faz mais um corte no útero para corrigir o defeito na coluna do bebê.

Como é feita a cirurgia

“Eu desenvolvi um jeito de fazer um corte ainda menor, com 1 a 2 centímetros, com microscópios, diminuindo complicações como sangramentos. Nos Estados Unidos, os ‘buraquinhos’ feitos costumam ter mais de 4 centímetros”, explica Peralta à Universa. O ideal é que a cirurgia seja feita entre 18 a 26 semanas de gestação.

Segundo o médico, a incidência de mielomeningocele é de uma em cada mil mulheres. Até meados de 2011, bebês com hidrocefalia passavam pela cirurgia após o nascimento, aplicando drenos para retirar o líquido extra causado por hidrocefalia. 

"É uma doença que a gente chama de multifatorial, em que o principal fator de risco é relacionado à deficiência de uma substância chamada ácido fólico, presente em alimentos como presente em fígado e ovo", diz.