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Do portão de casa ao Tinder, veja como o namoro evoluiu através das décadas

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Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em uma história de amor que foi referência nos anos 40: "Casablanca" Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

12/06/2018 04h00

Um par dos anos 1940 ou 1950 certamente se assustaria ao ver as mensagens safadinhas que os casais trocam hoje em dia nos aplicativos de pegação. Durante muito tempo, o namoro foi cercado por pais vigilantes que soltavam o verbo até mesmo diante de um inocente beijo no rosto. Veja como foi a evolução dos costumes --e dos romances.

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Anos 1910

As moças viam nas festas e bailes uma oportunidade para arrumar namorado. Suas mães também aguardavam essas ocasiões com ansiedade, pois ter uma "solteirona" em casa era um fardo econômico e social. Além dos cartões com mensagens galantes, distribuídos principalmente pelos rapazes, os jovens tinham um código de paquera. Os moços davam uma baforada no charuto, limpavam o suor da testa com um lenço e coçavam a ponta do nariz para sinalizar, respectivamente, desinteresse, expectativa e vigilância. Já as garotas colocavam rosas, lírios ou tulipas nos vestidos para dizer "Temo, mas te espero", "Começo a te amar" ou "Declaro-me a ti". Porém, só os homens podiam abordar as amadas, nunca o contrário.

Anos 1920

Para namorar, os jovens contavam com o auxílio precioso de uma alcoviteira, papel que cabia a uma tia, prima ou madrinha, em geral da moça, para mediar o relacionamento. A alcoviteira entregava cartas de amor, ajudava a marcar encontros na sorveteria ou na matinê do cinema, levava recados etc. Era uma forma de driblar o controle da família.

Anos 1930

O rapaz tinha que ir à casa da moça e pedir o consentimento dos pais dela para namorar. Se a relação fosse aprovada, os dois podiam sair juntos. No entanto, o passeio tinha sempre que contar com a companhia de algum membro da família --um irmão mais novo, por exemplo, cuja atenção podia ser comprada com doces e sorvetes. Só assim o casal podia trocar alguns beijos em paz. O encontro tinha que acabar às 21 horas, horário em que ambos precisavam estar em seus respectivos lares --pelo menos na teoria. Embora a virgindade feminina valesse ouro, os rapazes gozavam de maior liberdade nos braços de prostitutas.

Anos 1940

O namoro acontecia no portão da casa da moça. Da janela, os pais observavam tudo atentamente. Qualquer carícia mais atrevida era repreendida no ato, já que apenas beijinhos na mão eram permitidos. O namoro precisava ser convertido em noivado e, logo em seguida, em casamento. Tudo em pouco tempo. Namoros muito longos podiam indicar más intenções do rapaz e comprometer a reputação da garota. O rompimento, seja qual fosse o motivo, envergonhava a família da donzela.

Anos 1950

Em vez do portão, o namoro acontecia no sofá da sala. O patrulhamento seguia firme e forte: a família da moça escolhia um membro qualquer --o irmão caçula ou a avó-- para "segurar vela" e ficar de olho em carinhos mais quentes. Enquanto a liberdade masculina era estimulada, as moças que seguiam seus instintos e permitiam certas carícias no escurinho do cinema ou do estacionamento, por exemplo, ganhavam apelidos pejorativos como "vassourinha" ou "maçaneta".

Anos 1960

A chegada da pílula anticoncepcional ao Brasil provocou mudanças, principalmente entre as mulheres. Mesmo com a virgindade ainda em alta, as moças passaram a se sentir mais livres para namorar quem e do jeito que quisessem. Os movimentos estudantis também permitiam maior convivência e liberdade entre os jovens. As moças que engravidavam, porém, eram motivo de vergonha para a família. Aquelas que não se casavam tinham de sair de casa ou mudar de cidade.

Anos 1970

A carga de décadas de repressão enfim começou a diminuir. As relações se tornaram mais efêmeras e o modelo dos pais passou a ser questionado pelos jovens. Com a proliferação dos motéis no país, os casais passaram a experimentar o sexo de uma maneira mais plena. Beijos mais demorados em público e amassos quentes nas festinhas eram comuns.

Anos 1980

Embora o início da década tenha sido permeado pela continuidade da atitude liberal dos anos 1970, a descoberta do vírus HIV e a proliferação de outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) levaram os jovens a repensar seu comportamento sexual e a necessidade de usar camisinha em todas as relações.

Anos 1990

Foi a era das "ficadas". Em vez de se prender a um único namoro, garotos e garotas passaram a beijar vários parceiros do sexo oposto numa só noite. O boom da Internet no Brasil impulsionou diversas relações que nasceram em salas virtuais de bate-papo ou em sites de relacionamento. Adolescentes começaram a ganhar permissão dos pais para levar namorados para dormir em casa.

Anos 2000 em diante

As redes sociais mudaram a maneira de as pessoas interagirem. Aplicativos de paquera, como o Tinder, facilitaram a busca de quem quer curtir apenas sexo casual. Porém, há apps para todos os tipos de finalidade, de encontrar um par evangélico até achar um amor depois dos 50 anos. O sexting --sexo através de mensagens de texto ou web cam-- virou mania. Muitas pessoas preferem não se definir sexualmente e se relacionam com pares de qualquer gênero e orientação. Trios de namorados e poliamor são uma realidade. Recentemente, a divulgação do aumento de DSTs tem levado a uma maior conscientização sobre a importância dos preservativos.

Livros pesquisados: "Histórias e Conversas de Mulher" (Ed. Planeta), de Mary del Priore; "História do Amor no Brasil" (Ed. Contexto), de Mary del Priore; “Histórias Íntimas - Sexualidade e Erotismo na história do Brasil” (Ed. Planeta), de Mary del Priore; “Uma Breve História do Sexo” (Ed. Gaia), de Claudio Blanc.