Diversidade

MC Trans bomba nas redes, mas ainda precisa da prostituição para viver

Amanda Serra

Da Universa

03/06/2018 04h01

Autora de “Lacração”, hit com 2 milhões de visualizações no YouTube, MC Trans, 30 anos, bomba nas redes sociais — com direito a “recebidos” e posts pagos no Instagram, onde tem 402 mil seguidores. Ela está produzindo um novo disco com músicas suas e do filho a drag  Anastaccia. Ela se mudou do Rio para Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, em busca de sucesso e aceitação nos bailes funk. Mas a realidade faz com que o trabalho para travestis e transexuais no Brasil também ainda seja restrito. E isso atinge a MC. 

Victoria Monforte (ela prefere não usar mais o primeiro nome, Camilla) ainda divide a carreira musical e de blogueira com eventuais programas. "A prostituição no nosso país é algo que vai e volta na vida de um travesti ou transexual. Não vou viver só esperando da música, não tem como. Então, se tiver que fazer um programa agora, vou fazer", disse ela em entrevista exclusiva à Universa.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra) estima que 90% das pessoas trans trabalhem com prostituição já que essa acaba sendo a única opção de sobrevivência desse grupo por conta da transfobia.

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A prostituição é esporádica e acontece com clientes específicos, Victoria não fica mais em esquinas como no passado, quando trabalhava e morava nas ruas do centro do Rio.

"Se aparecer um cara, for bonito e me pagar bem, eu vou. Agora, trabalhar em pé eu não vou mais. Tive experiências negativas com cafetinas que se achavam donas da rua. Não acho justo ter que pagar uma pessoa para vender meu corpo. Se entrar no carro de alguém e tomar um tiro, quem vai morrer sou eu. Já passei muita coisa ruim na rua. Mais ainda na prostituição do que quando era moradora de rua", lembra a MC que já foi cover oficial da Anitta e foi expulsa de casa aos 17 anos por um tio ao se assumir trans.

A mãe dela sofre de problemas psicológicos e o avô, que foi quem a criou morreu quando ela ainda era adolescente. Os ensinamentos vieram da vida e das colegas de profissão.

Da favela para o mundo!

TV UOL
Imagem: TV UOL

Há quase dois anos em Paraisópolis, a MC saiu do Complexo do Alemão (RJ) com o filho Nathan, 20 (ele foi adotado quando ainda era criança e morava nas ruas), após um relacionamento abusivo e acabou se encontrando na comunidade e na cena drag paulistana. E foi graças a um fã que ela conseguiu alugar o cômodo de quarto e cozinha onde mora atualmente.

Ambientada, a MC ensaia numa academia da comunidade -- em troca de publicidade --, recolhe seus "recebidos" na loja de utilidades domésticas que fica na esquina onde mora e é frequentadora assídua do famoso baile funk DZ7.

"Não frequentava os bailes do Rio por conta da transfobia e homofobia, fui em pouquíssimos. Já ouvi muitas histórias de amigas que só de olharem para um homem, apanharam. Aqui no Paraisópolis, as transexuais são muito bem vindas, os gays. Nunca apanhei, nunca bateram em nenhuma amiga minha. Todas as travestis vem pra minha casa conhecer o baile. Todas saem falando bem e muito relaxadas". Dá para fazer vídeos, se divertir", diz a funkeira.

Influenciadora

Com os shows em stand-by, Victoria tem garantido a sobrevivência com os lucros da vida de influenciadora digital. E, de vez em quando, com a monetização dos vídeos do YouTube -- já aconteceu de ganhar R$ 6 mil.

Patrocinada por salão de cabeleireiro, clínica de estética, dentista, lojas de roupas, calçados, produtos de beleza e acessórios, MC Trans fatura em média R$ 3 mil por post no Instagram quando eles aparecem. Além disso, ganha dinheiro vendendo letras de músicas e produzindo outros artistas -- atividade que começou há quatro meses e, desde então, auxiliou sete colegas.

"Tenho patrocinadores fixos e com o dinheiro deles pago o aluguel, a luz, água, alimentação e remédios. O que ganho extra gasto, não guardo dinheiro. Tenho 30 anos e quero viver. Compro maquiagens, gasto para sair com meus amigos e estar bem vestida", diz ela, que não tem uma renda exata. 

Assista ao feat de MC Trans com o filho Nathan:

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