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Diversidade

Starbucks fecha cafés por um dia para educar funcionários contra o racismo

Mark Makela/Getty Images/AFP
Manifestantes protestam após Starbucks chamar a polícia para prender dois clientes negros na Filadélfia, EUA Imagem: Mark Makela/Getty Images/AFP

Grégoire Pourtier

da RFI, em Nova York

29/05/2018 13h50

A operação foi anunciada cerca de um mês depois da indignação provocada pela truculência policial contra dois jovens negros numa das lojas da franquia na cidade de Filadélfia, que foram algemados mesmo sem fazer nenhuma resistência.

Os dois rapazes declararam que não haviam feito nada de errado – eles estavam apenas à espera de um amigo que consumia um dos produtos da loja. A cena foi filmada e repercutiu rapidamente nas redes sociais.

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Apenas um golpe de publicidade?

A reação do grupo, preocupado com as consequências para sua imagem, foi quase imediata. Um acordo foi estabelecido com as duas vítimas e a marca também se a doar US$ 200.000 para programas voltados a jovens empreendedores no ensino médio. Além de ter anunciado, claro, essa formação de meia jornada de trabalho nacional contra os preconceitos raciais, elaborada com associações especializadas.

Os funcionários devem assistir a um vídeo sobre a história da população negra norte-americana para provocar uma discussão sobre um melhor atendimento em todos os cafés. Em resposta às acusações de que a medida não passa de estratégia de marketing, o Starbucks disse que essa é apenas uma primeira etapa de uma luta maior contra “os preconceitos inconscientes”.

“Ainda há muito a ser feito contra o racismo de forma geral”

Os “preconceitos inconscientes” dos quais fala a marca são as pequenas ações do dia a dia que funcionam como microagressões aos outros e que não exigem muito esforço para serem combatidas. Num café de Nova York, por exemplo, há o cartaz: “É preciso relembrar nossa missão às equipes, compartilhando nossas ideias sobre como tornar o atendimento no Starbucks ainda mais caloroso”.

No Brooklyn, quase todo mundo ouviu falar do caso com os dois jovens negros da Filadélfia. A afroamericana Mora afirmou à RFI que “ainda há muito a ser feito contra o racismo de forma geral, mas a ideia é boa". Mike, para quem o Starbucks não deve ser duramente criticado tendo em vista o número de minorias que trabalham para a franquia, lembra apenas que “certos funcionários devem aprimorar a comunicação com os clientes”. Já Philip acredita que tudo não passa de uma operação publicitária: “Olhem só, nós somos uma boa empresa cidadã”, afirma.

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