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Febre mundial, abacate ficou mais valioso que petróleo e gerou até tráfico

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Abacate: mais valioso do que petróleo Imagem: iStock

Marcos Candido

Da Universa

26/05/2018 04h00

Você pode até não suspeitar, mas o abacate que amadurece na sua fruteira está valendo mais do que petróleo. Na verdade, vive-se uma verdadeira obsessão mundial por ele. Há mais de uma variação da fruta fazendo sucesso em cima da torrada dos hipsters, na sobremesa das famílias tradicionais, sendo usado como condimento e indo parar em pratos requintados nos restaurantes.

Segundo a avaliação de quem é da área, uma mudança em hábitos alimentares e maneiras diferentes ajudou a popularizar o abacate. Os preços dispararam, gerando lucros além de crises econômicas e sociais em todo o mundo.

Na Nova Zelândia e na Austrália, onde crimes beiram a zero, surgiram verdadeiras redes de tráfico da fruta. No ano passado, as autoridades neozelandesas interferiram até mesmo um mercado paralelo.

Já no México, líder mundial na produção, a exportação da fruta já é mais lucrativa do que o petróleo, com mais de 1 milhão de toneladas saindo do país de acordo com o próprio governo mexicano. 

Mas, por quê?

“Antes se entendia que o abacate era uma fruta gordurosa, que engordava. Hoje acontece uma desmistificação, que é uma fruta saudável”, analisa Jonas Octávio, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Abacate (ABPA). Segundo ele, além da pegada fitness que a fruta assumiu, o público passou a testar também versões salgadas do abacate, como a guacamole.

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“Tem redes de comida mexicana que não usam somente a modalidade doce. A Ana Maria Braga falou dez minutos sobre abacate; há quem use como maionese, de maneira mais elaborada. É uma fruta muito versátil.”

Thais Alves, do restaurante Factório, em São Paulo, usa o abacate do tipo avocado (variante menor e mais escuro) para criar brunchs com queijo de cabra, molho de coentro e limão. Há aí também os “avocados toasts”, sucesso não só onde Thais trabalha, mas em dezenas de outros restaurantes da capital.

“É uma onda que vem muito de Nova York e a gente acabou entrando nessa febre. Por ser uma fruta que vai bem com pratos salgados e doces, além de uma inclusão maior de cardápios veganos e vegetarianos”, diz. Outro motivo seria a beleza do fruto. “Dá uma bonita combinação de cores, é uma fruta muito ‘instagrameavél’.”

Guacamole 

É bem provável que o “hit” salgado do abacate seja a guacamole. Preparada com tomate, cebola, alho, azeite e até pedacinhos de pitaias e, preferencialmente avocado, a iguaria tipicamente mexicana é petisco essencial para os americanos. Durante a semana do Super Bowl americano, mais de 100 mil toneladas de abacate são consumidos. Por esse motivo, em 2017 o preço da fruta subiu 125%, de acordo com a associação americana de restaurantes.

Somente nos Estados Unidos, 770 mil toneladas de abacate foram importadas do México em 2016, de acordo com o governo mexicano. O número é 14% maior que o de 2015.

Em 2011, virou caso de polícia no México uma possível interferência de cartéis sobre produtores rurais. Eles estariam impondo taxas à produção. A população, com medo, criou milícias formadas por produtores. 

No último relatório do governo mexicano, de abril deste ano, a produção de abacate no país foi de 738 mil toneladas, 21% maior ao mesmo período do ano passado. 

No Brasil, tendência é estabilizar os preços

Segundo o IBGE, em 2016 o Brasil possuía mais 10 mil hectares de abacate, um número que tem aumentado desde 2010. Em 2016, o instituto aponta que o Brasil produziu 195 mil toneladas de abacate.

Os produtores brasileiros têm a expectativa de estabilizar os preços com o aumento do plantio e dos hectares. O preço dos abacates costuma subir e descer a níveis acentuados de acordo com a época do ano, uma característica que os produtores querem evitar com investimento em padronização dos frutos e melhor escoamento de carga.

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