Relacionamentos

Elas se separaram, mas continuaram morando com o ex. Será que dá certo?

Getty Images
Casais contam como é dividir a casa os ex-parceiros (as) Imagem: Getty Images

Amanda Serra

Da Universa

25/05/2018 04h00

Por conta dos filhos, de grana ou mesmo amizade, ex-casais optaram por continuar dividindo o mesmo teto com o (a) ex. E garantem: as brigas cessaram e o término fez com que passassem a ser mais parceiros do que antes. Parece difícil de acreditar, mas claro que existem regras para esse novo tipo de relação. Troca de nudes, sair do banho sem toalha e visita dos crushes em casa, por exemplo, estão proibidos. Veja o que eles contaram à Universa

“Me assumi gay e fui morar com minha ex-noiva; a relação durou mais cinco anos”

Arquivo Pessoal
Léo Braga Santos, 41, morou durante cinco anos com a ex-noiva Imagem: Arquivo Pessoal

Logo após terminar um relacionamento de seis anos com Priscila* e se assumir gay, o carioca Léo Braga Santos, 41, foi morar com a ex-noiva, que acabou se tornando uma grande amiga. 

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“Chegamos a ficar noivos, começamos a comprar coisas para a casa e tudo corria bem, até que tivemos alguns términos e no último me descobri gay”, conta Léo. Após um ano do fim do noivado, de passado a mágoa e do anúncio público para seus pais sobre sua orientação sexual, o empresário acabou indo morar com Priscila como havia planejado, mas não mais como um casal, e sim como amigos.

“No início foi meio estranho, mas juntamos o útil ao agradável. Eu queria sair de casa e ela queria ter o espaço dela. Uma das primeiras regras era de não levar ‘peguetes’ para casa, só relacionamentos mais sérios. No caso dela, os caras com quem se relacionava não ficavam à vontade em saber que eu era gay, e muito menos que era ex-noivo dela. Posso dizer que ela perdeu alguns namorados por minha causa (risos)”, conta. 

“‘E aí, nunca rolou um ‘revive’ (reviver em tradução livre do inglês) entre vocês, nem quando bebem a mais?’, ouvimos algumas vezes. Óbvio que a resposta era não, mas era difícil as pessoas entenderem. Até que achamos melhor não comentarmos mais sobre nosso passado.”

E o que tinha tudo para não dar certo - afinal, convivências tendem a ser complicadas, principalmente, entre ex-casais - acabou unindo Léo e Priscila.

Com o passar do tempo nós nos adaptamos, ficamos cada vez mais cúmplices e companheiros. Moramos cinco anos juntos e tivemos ótimos momentos. Até hoje a gente sempre se fala, ela está casada com um antigo colega e continuamos verdadeiros amigos”, afirma Léo, que após uma temporada em Dublin, na Irlanda, se mudou para Braga, em Portugal, e abriu o hostel “Homemade  Bracara”.

Pizza com a família aos finais de semana, mas quartos separados e nada de andar pelada

Arquivo Pessoal
Aline e o ex-marido se separaram, mas dividem a mesma casa e a educação dos três filhos Imagem: Arquivo Pessoal

Aline Cristina Oliveira Padilha, 31, e Michel Pedro Bossi, 34, se casaram quando ainda eram jovens após a dona de casa engravidar do primeiro filho do casal, aos 18 anos. Após 12 anos de relacionamento e com a chegada de outros dois filhos, a convivência se tornou insustentável e Aline preferiu colocar um ponto final na relação. “Brigávamos muito na frente das crianças e não via como a relação ir para frente”, diz ela.

Por conta dos filhos e também das despesas que surgiriam caso eles se mudassem de casa, eles optaram por dividir o mesmo espaço, mas agora, como amigos. “Cada um dorme em um quarto e mantém suas obrigações. Cuido da casa, das crianças, ele trabalhava, como já fazia, e arca com os gastos”, conta Aline. Fazem passeios em família? “Sim, sempre que dá e as crianças sabem que somos só amigos. A minha caçula, de quatro anos, costuma falar para as pessoas: ‘meus pais não são mais namorados”, conta a dona de casa.

Mesmo sabendo que essa situação não durará para sempre, Aline defende que foi a opção mais acertada para sua família e que a convivência realmente mudou após o término. “Meus filhos choravam muito durante o período em que ficamos longe, sentiam falta do pai. Prefiro viver assim, dessa forma estranha ao olhar dos outros, e ver meus filhos crescendo felizes. Depois da separação, as brigas pararam e não existe cobrança entre nós. A convivência era ruim no relacionamento a dois, mas não dividindo a mesma casa. ”

Não posso afirmar que isso dará certo para sempre. Pode ser que daqui um tempo cada um queira viver sua própria vida, formar uma nova família. Quando meus pais se separaram sofri por não poder sair com os dois para comer uma pizza no fim de semana, porque eles brigavam. Vivi longe do meu pai”, conta Aline.

No entanto, ela não nega que a situação é estranha, principalmente para os paqueras. “Claro que é difícil. As pessoas não acreditam que você mora com o seu ex só por conta dos filhos e não tem nada com ele. Não conversamos sobre a vida particular um do outro, mas o nosso acordo é que, a cada 15 dias, um cuida dos filhos para o outro sair.”

E nada de recaídas garante a dona de casa: “Me separei mesmo. Nem sair mais de toalha do banheiro ou andar sem roupa como fazia, rola mais. Para mim é estranho ele me ver pelada [risos]. Não me sinto confortável, não faz sentido. E ele mesmo não se troca na minha frente”, afirma. 

“É como uma república para adultos, co-living”

Getty Images
Imagem: Getty Images

O jornalista Pedro* e a médica Cilene* ficaram casados durante 11 anos até que a relação chegou ao fim. Mas a compra do novo lar impediu que eles se separassem de fato.

O principal motivo para ainda morarmos juntos é o financeiro. Para ambos, sair de casa agora é quase impossível; e vender o imóvel não compensaria, quitaria muitas contas, mas restaria muito pouco dinheiro para cada um”, diz Pedro.

“Como não terminamos de uma forma muito ruim e ainda somos amigos, mais próximos até do que nos últimos anos de casados, optamos por dividir a casa e continuar convivendo até quitar tudo. E, aí sim, vender ou refinanciar, decidir o que fazer e ter mais dinheiro para cada um de nós no final. ”

Agora, cada um tem seu quarto, mas continuam dividindo as tarefas e as contas em comum. No entanto, não existe uma rotina de casal e cada um possui sua individualidade.

“Estabelecemos algumas regras para esse primeiro momento, como não levar outras pessoas para dormir lá quando o outro está em casa. Mas quando estamos em casa, conversamos, tomamos cerveja juntos. De certa forma, a separação nos aproximou bastante”, avalia o jornalista.

Inclusive, o ex-casal costuma conversar sobre ‘contatinhos’ e sobre os aplicativos de paquera que acessam. “Até pouco tempo atrás, ela tinha um namorado, às vezes a gente se encontrava em casa, mas ele não dormia. No começo foi estranho, mas depois acostuma. No primeiro momento ainda rolava ciúme e os sentimentos estavam um pouco confusos. É como se fosse uma república para adultos, um co-living (quando pessoas com interesses em comum dividem a casa).”

Assim que começa a se relacionar com alguma outra garota, Pedro já explica sua atual situação. “Uma das primeiras coisas que surge na conversa com cada garota com quem saio por mais de uma vez ou duas vezes é esse assunto. Sei que é incomum e não é a melhor solução, mas é como as coisas são agora para mim”, justifica.

É feliz? “Não exatamente. Mas também não é algo que vai durar para sempre, é um arranjo provisório que está funcionando no momento. De vez em quando ainda rola recaída e ficamos”, diz.

*Alguns nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.

Você também tem uma história para contar? Ela pode aparecer aqui na Universa. Mande seu depoimento, nome e telefone para minhahistoria@bol.com.br. Sua identidade só será revelada se você quiser.  

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