menu
Topo

Retratos

Instantâneos de realidade do Brasil e do mundo

Líder de audiência, feminista Chris Flores quer espaço para homoafetivos

Gabriel Gabe/SBT/Divulgação
Chris Flores posa nos bastidores do reality "Fábrica de Casamentos", do SBT Imagem: Gabriel Gabe/SBT/Divulgação

Marcela Paes

Da Universa

24/05/2018 04h00

Chris Flores já acompanhou dezenas de cerimônias lindas no reality show “Fábrica de Casamentos”, um dos que apresenta no SBT. Mas só chorou mesmo, de emoção, quando a atração que comanda ao lado do chef Carlos Bertolazzi liderou a audiência no sábado (19), batendo o principal concorrente, o “Altas Horas” de Serginho Groisman (Globo).

Em entrevista à Universa no intervalo de uma gravação, a jornalista Chris revelou ser feminista, falou de intolerância, de união homoafetiva, da ótima audiência e de como dribla sua própria festa de casamento há 14 anos.

Veja também

Feminismo

Mesmo tendo como tema as tradicionais cerimônias, a feminista Chris acha que seu programa não traz uma ideia arcaica dos sonhos das mulheres. “A escolha de casar ou não casar, ter uma festa grande ou pequena e do jeito que se quer, é empoderadora. Feministas também podem querer um festão tradicional. Cada um tem o seu sonho.”

Ainda existe preconceito com a palavra feminista. Não é nada mais que querer direitos iguais aos dos homens. Não é o mesmo que machismo!

Proporcionando fantasias

De fato, o que menos se vê na atração são casamentos clássicos e discretos. O intuito é proporcionar aos casais a realização de fantasias estéticas - estranhas ou não. Noiva de vestido  azul e tênis, figurinos inspirados em personagens e cenários dos livros de Harry Potter e temática cigana são coisas já vistas nos episódios do reality.

“Muita gente critica porque não damos a festa só para quem não pode pagar. Às vezes a pessoa tem dinheiro para um bufê legal, mas não para chamar a Preta Gil para cantar! Tem a ver com o sonho de cada um.”

Reprodução Instagram/Fábrica de Casamentos
Carlos Bertolazzi e Chris Flores com um casal de noivos durante o programa Imagem: Reprodução Instagram/Fábrica de Casamentos

Homoafetividade e intolerância

Levantar a bandeira da união homoafetiva está nos planos de Chris para um episódio da segunda temporada do programa. “Tem que ser feito com delicadeza. Queremos que as pessoas respeitem, entendam e se apaixonem por aquele casal”.

Não à toa, ela costuma preparar até mesmo os casais heteronormativos para possíveis críticas nas redes sociais. Segundo Chris, o mundo está cada vez mais intolerante “em todos os sentidos”. “As pessoas se criticam por tudo. Politicamente se atacam porque um é vermelho e o outro azul. É um momento difícil. Eu previno os casais e alerto que eles estarão muito expostos. Muitos não têm ideia”, diz.

O mundo está moralista. Estamos regredindo no sentido de violência, intolerância. Eu achei que fôssemos avançar, mas acontece o contrário

Audiência 

“Eu me preocupo muito com a audiência, fico enchendo o diretor de Whatsapps perguntando sobre os números. É ótimo ser líder com concorrentes tão bons, que eu respeito”, diz a apresentadora sobre a uma hora e quinze minutos (das 22h53 à 0h08, com média de 12,4 pontos) em que seu programa bateu o “Altas Horas”. No “Fábrica de Casamentos”, Chris, o chef de cozinha Bertolazzi e uma equipe de produção têm sete dias para montar uma festa de casamento do zero. “Migrar do jornalismo para o entretenimento foi natural. E deu certo porque o público quer conteúdo. Não tem mais essa de querer ver só alguém que é bonito ou engraçado.”

Não adianta o programa estar legal, ir bem comercialmente e não ter audiência. As pessoas têm que assistir! Eu sempre estou pensando nisso

14 anos sem festa própria

Ela mesma nunca teve uma festa de arromba. Casada há 14 anos com o fotógrafo Ricardo Corrêa, a jornalista não fez festa para celebrar a união. Depois de se conhecerem na redação de um veículo jornalístico, os dois resolveram morar juntos. “Agora a pressão está maior porque tenho muitos amigos no meio que falam que até já pensaram como poderia ser meu vestido. Mas nós sempre preferimos viajar. Quem sabe no ano que vem, quando completamos 15 anos juntos?”