Papo de vagina

Nem tudo é candidíase: conheça doenças da vagina com sintomas parecidos

Priscila Barbosa
Imagem: Priscila Barbosa

Helena Bertho

da Universa

22/05/2018 04h00

"Nem tudo que coça é candidíase", costuma dizer a ginecologista Mayara Facundo para suas pacientes. Ela trabalha no núcleo de prevenção a doenças ginecológicas da UNIFESP e conta que é comum que as mulheres tratem qualquer coceira na vagina ou corrimento como candidíase.

"A candidíase não é nem a mais frequente das doenças da vagina. Mas as mulheres desconhecem as outras, principalmente porque é comum que haja uma mescla de sintomas", explica. Como alguns remédios para candidíase são vendidos sem receita, nas prateleiras da farmácia, muitas mulheres acabam se automedicando. O problema é que, se tiver errado no autodiagnostico, os sintomas podem piorar e, em alguns casos, podem chegar até a causar infertilidade!

Veja também:

Conheça quais são as doenças que podem aparecer na sua vagina e seus sintomas, para poder procurar seu médico na hora certa!

Candidíase

Causa: o fungo Candida albicans. Ele existe naturalmente na flora vaginal, quando ela fica desregulada, o fungo se prolifera. Essa desregulação pode ser causada por estresse, uso de antibióticos, baixa imunidade, atividade sexual intensa, entre outros fatores.

Sintomas: coceira, corrimento esbranquiçado, podendo haver vermelhidão e irritação da vagina

Como é feito o diagnóstico: pelos sintomas ou exame de cultura da secreção vaginal

Tratamento: pode ser feito com antifúngico oral ou como pomada inserida na vagina. Tratamentos naturais sugerem o uso de óleo de melaleuca e até alho como alternativa

O que acontece se não for tratada: com o tempo, o próprio corpo pode se autorregular e a candidíase não tem maiores consequências. O difícil é tolerar os sintomas. Além disso, ela mantém a flora desregulada e facilita o contágio por outras doenças

É transmissível? Não

Vaginose bacteriana (Gardnerella)

Causa: a bactéria Gardnerella Vaginalis. Ela também existe naturalmente na flora vaginal. No entanto, quando o PH da região se desregula, ela pode se proliferar, causando a infecção

Sintomas: o cheiro forte e fétido (famoso cheiro de peixe) é o sintoma mais comum. Pode vir com um corrimento espesso, às vezes acinzentado ou amarelado. Pode também ser assintomática. É comum que o odor surja ou fique mais intenso durante a menstruação, pois o sangue desregula ainda mais o PH da vagina

Como é feito o diagnóstico: pelos sintomas ou exame de cultura da secreção vaginal

Tratamento: antibióticos orais ou vaginais

O que acontece se não for tratada: apesar de não ter sintomas, o PH desregulado da vagina facilita o contágio por outras doenças

É transmissível? Não

Tricomoníase

Causa: o protozoário Trichomonas vaginalis, que é contraído através da relação sexual

Sintomas: cheiro forte, coceira, irritação e vermelhidão vaginal. Pode ainda haver dor abdominal e durante a relação sexual

Como é feito o diagnóstico: observação de sintomas e de cultura da secreção vaginal

Tratamento: antibiótico via oral. O parceiro ou parceira sexual também precisa se tratar

O que acontece se não for tratada: o protozoário pode chegar ao útero, trompas e ovário, causando dor e, em alguns casos, levando à infertilidade

É transmissível? Sim, através do contato com secreções. É uma DST

Vaginose Citolítica

Causa: os protozoários existentes na vagina, quando se proliferam em excesso e aumentam o PH vaginal. É mais comum em mulheres diabéticas ou que usam muito sabonete íntimo. Também pode surgir no período pré-menstrual, quando o PH fica mais ácido naturalmente

Sintomas: coceira, corrimento esbranquiçado, vermelhidão e irritação da vagina (sim, são os mesmos da candidíase)

Como é feito o diagnóstico: exame clínico

Tratamento: banhos de assento com bicarbonato de sódio, para regular o PH da vagina

O que acontece se não for tratada: é comum que o próprio corpo regule o PH da vagina, combatendo os sintomas

É transmissível? Não

Fontes: Mayara Facundo, ginecologista do Núcleo de Prevenção de Doenças Ginecológicas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, centro de sexualidade feminina do departamento de ginecologia da UNIFESP. 

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