Minha história

"Soube que seria mãe no dia do parto; achei que era barriguinha de chopp"

Arquivo pessoal
Priscila com quase nove meses de gravidez, nem imaginava que estava grávida Imagem: Arquivo pessoal

Por Bárbara Therrie

Colaboração para Universa

17/05/2018 04h00

Aos 23 anos, Priscila Santos descobriu que estava grávida de 39 semanas quando foi ao hospital com uma dor forte na lombar. Sim, ela já estava com contrações e em trabalho de parto. Após fazer um ultrassom para ver se estava com pedras nos rins veio a notícia: Alice, sua primeira filha, estava a caminho. Ela precisou fazer o parto às pressas.

Nesse depoimento, Priscila, hoje com 25, detalha sua descoberta e os desafios que vieram com a maternidade. E também a angústia com a saúde da filha. Sem barriga ou sintomas da gravidez, nos últimos meses que antecederam o parto, ela curtia a vida de recém-solteira ao lado das amigas em bares e baladas.

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“No dia 4 de março de 2016, acordei com uma dor na lombar, estava sentindo umas pontadas bem fortes. Tomei remédio e fui trabalhar. O incômodo persistiu e eu fui ao hospital à tarde. Expliquei ao médico que dois dias antes havia feito bastante esforço no trabalho. Ele me examinou, viu que minhas costas estavam duras e suspeitou que o nervo estivesse inflamado. Ele me receitou um remédio e eu fui para casa. Passei o dia todo com dor e voltei ao hospital à noite. Chamei minha amiga, a Carol, para me acompanhar.

Fiz ultrassom para ver se tinha pedras no rim e descobri que estava grávida de 39 semanas

Chegando lá, eu tomei medicação na veia, mas como a dor não parava, o médico fez um ultrassom porque achou que eu estava com pedras nos rins. Vi na tela uma imagem que parecia uma bolha d’água. Não estava entendendo nada.

Ele imprimiu o ultrassom, entregou o resultado para a minha amiga e disse: ‘sua amiga está dando a luz’. Eu estava de 39 semanas. Ele chamou as enfermeiras e eu fui levada às pressas à sala de cirurgia para fazer o parto. Fiquei em estado de choque.

“Achei que fosse barriguinha de chopp”

Eu não desconfiava da gravidez. A minha barriga cresceu um pouco, mas como eu sempre fui gordinha, nunca fui magra, eu achei fosse gordura localizada, ‘barriguinha de chopp’, porque eu comia bastante besteira e tomava cerveja. Eu não tive enjoos, vômitos e nenhum outro sintoma.

Ao longo dos nove meses, eu levei uma vida normal como se eu não estivesse grávida. Fazia crossfit, pegava peso, fiz dieta. Ia para a balada todo fim de semana. Pulei carnaval semanas antes de ganhar a Alice. Nunca passei mal.

Minha menstruação era desregulada. Às vezes ficava meses sem descer. Tive algumas alterações, mas eu achei que fosse normal. Na pausa do anticoncepcional, vinha um sangramento de escape hormonal, de três a quatro dias, de cor marrom, que eu achava que era menstruação, mas depois um médico explicou que não era.

Demorou para cair a ficha que eu era mãe

A Alice nasceu na madrugada do dia 5 de março de 2016 com saúde, porém abaixo do peso, com 2,2 kg. Como eu não fiz pré-natal e não tive uma dieta adequada para gestante, ela não recebeu os nutrientes necessários.

Eu chorei ao vê-la, mas demorou para cair a ficha e eu assimilar que eu era mãe. Eu olhava aquele bebê e não acreditava que ela era minha filha. Entrei num processo de negação, ficava pensando como seria minha vida.

O ex, pai da criança, também ficou surpreso, claro

Minha mãe me encorajou dizendo que eu precisaria ter força para criar minha filha. Ela não me criticou nem me julgou. Inicialmente, meu pai ficou bravo porque eu era jovem, tinha 23 anos, ia ser mãe solteira, mas depois ele me apoiou.

Eu mandei mensagem para o meu ex-namorado falando que ele era pai e ele foi me visitar na maternidade. Nós namoramos por cinco anos. Sem saber, eu engravidei no mês em que nós terminamos o relacionamento, em junho de 2015. Ele ficou surpreso, mas não duvidou da paternidade. Ele se emocionou quando conheceu nossa filha.

Avisei meu novo namorado que eu havia tido uma filha

Após o término do namoro, eu fiquei com um menino e depois de um tempo comecei a namorar o Vitor, meu marido hoje. Nós tivemos nossa primeira relação sexual em janeiro de 2016, quando eu estava grávida de sete meses, dois meses antes da Alice nascer. Mandei mensagem para ele falando que eu havia tido uma filha, que eu estava grávida e não sabia. Ele não acreditou e disse que aquela situação era surreal. Após se acalmar, ele falou que nós ficaríamos juntos, mas que ele não estava preparado para ser pai.

Eu escrevi um post no Facebook anunciando a novidade. Várias pessoas me parabenizaram e se mobilizaram para comprar as coisas para a Alice. Ela recebeu doações de roupas, fraldas, carrinho, berço, mamadeira. Mas também houve pessoas que não acreditaram e achavam que eu sabia da gravidez e estava escondendo por vergonha de ser mãe solteira.

Minha filha está com dois anos. Ela é um milagre de Deus que veio para trazer equilíbrio e um recomeço na minha vida. Hoje sou uma pessoa mais família. Estou casada com o Vitor e daqui a dois anos pretendemos ter um filho. Quero ter uma gravidez planejada, onde eu possa fazer pré-natal, ver minha barriga crescer, ter a expectativa de saber o sexo, fazer um ensaio fotográfico e curtir cada etapa da minha gestação”.

Em quais casos a barriga não cresce o esperado?

De acordo com o doutor João Félix Dias, ginecologista, obstetra e professor adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso, até o final da gestação, a barriga deve crescer entre 33 cm a 38 cm. No entanto, informa o médico, há casos em que a barriga pode não crescer o esperado por alterações genéticas associadas a fatores como dieta inadequada, excesso de atividade física, tabagismo, consumo de álcool e drogas, infecções e doenças sistêmicas maternas. “Tudo isso pode contribuir para a restrição do crescimento intrauterino e a criança pode não desenvolver o esperado, nascer com baixo peso e a barriga da gestante não crescer tanto”, afirma.

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