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"Fumo maconha para evitar crises de epilepsia"

Arquivo Pessoal
Gabriela tem crise de epilepsia desde os 11 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Talyta Vespa

17/05/2018 04h00

A jornalista Gabriela de Oliveira, de 23 anos, fuma maconha para conter as crises de epilepsia que enfrenta desde os 11 anos. Quando elas estavam muito pesadas, há cerca de cinco anos, Gabriela fumava toda semana. Com o tempo, diz ela, os ataques diminuíram - o que ela atribui também ao uso da erva - e, por isso, a frequência com que usa, hoje, é menor.

A jornalista conta que tem medo de ir à boca de fumo comprar a droga - por medo de ser estuprada - e, por isso, fuma a erva de amigos. Diz ainda que nunca teve coragem de contar sobre o hábito para a mãe, que é de uma família conservadora, e que pensa em plantar a erva em casa. 

A maconha diminui minha ansiedade; e, mais calma, as crises epiléticas não vêm

“Até cinco anos atrás, eu acordava às 5h30 da manhã para trabalhar e não dormia antes da uma, porque também estudava. A privação de sono era um fator que estimulava muito as minhas crises de epilepsia. Naquela época, me lembro que num intervalo de um ano, tive três crises. Elas também eram desencadeadas quando eu ficava ansiosa ou triste. 

Nessa época, eu fumava maconha de vez em quando os amigos. E, em algumas dessas vezes, percebi que fumar me acalmava; especialmente, quando eu estava em momentos perigosos de ansiedade e estresse. Comecei a fumar com frequência, geralmente, nos fins de semana, e a as crises acabaram.

Não compro maconha na boca porque tenho medo de ser estuprada

Nunca comprei maconha diretamente com um vendedor, sempre peguei com amigos que fumam. Não vou até uma boca porque sou mulher. Tenho medo de ser assediada e, pior, estuprada. A gente passa o tempo todo por isso. Encontrar pessoas desconhecidas em uma situação desprotegida dá muito medo.

Estou sem crises há um ano e meio. Nunca estive tão feliz. Continuo tomando remédios controlados, duas vezes ao dia. Se esqueço de tomar, as chances de ter convulsão aumentam consideravelmente. Evito bebidas alcoólicas destiladas porque elas cortam o efeito desses medicamentos. Como estou bem, diminuí a frequência com que fumo. Hoje, são duas vezes por mês, mais ou menos.

O tesão aumenta

Quero plantar maconha em casa futuramente. Além de me ajudar com as crises, ela melhora o sexo. A sensibilidade, com maconha, aumenta demais. O tesão é maior, você sente o toque, tudo fica mais intenso. Apesar de meu foco ser a epilepsia, os outros benefícios também são legais. 

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Tabu com a família

É a primeira vez que falo sobre a minha relação com a maconha. Nunca tive coragem de explicar pra minha mãe que eu fumo; mesmo que seja para amenizar a epilepsia. Acho que ela não entenderia porque minha família é conservadora. Teve uma vez que ela encontrou um baseado na minha mochila e foi bem difícil. Ela chorou, disse que era a maior decepção que ela poderia ter. Não vi oportunidade para introduzir o assunto. Minha irmã, que sempre cuidou de mim durante as crises, também ficou preocupada. Mas, hoje, apesar de ainda não falar abertamente sobre o assunto, ela me envia vários artigos sobre maconha para o tratamento da doença.

Como lido com a doença 

O tempo todo sei que posso convulsionar; por isso, sempre que saio com um novo grupo de amigos, falo da minha condição e explico o que deve ser feito se eu tiver uma crise: me colocar de lado e, apoiar minha cabeça de lado, se possível, num travesseiro. Nunca mexer na minha boca. O maxilar é muito forte e eu posso machucar alguém. Com a cabeça de lado, diminui a chance de eu me engasgar com a língua.

O que diz a lei

Fumar maconha é ilegal. Em 2015, dois compostos da erva foram liberados para fins medicinais no Brasil. O canabidiol (CBD) saiu da lista da Anvisa de substâncias proibidas no país e o THC também foi retirado dela por determinação da Justiça Federal do Distrito Federal.

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