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"Não queria ser sustentada", diz estilista que vende 40 mil peças por mês

Divulgação
Liana Thomaz Imagem: Divulgação

Marcela Paes

Da Universa

12/05/2018 04h00

Quando começou seu negócio, há 33 anos, uma das últimas coisas que Liana Thomaz pensava era que sua marca, a Água de Coco, chegaria a produzir 480 mil peças por ano e teria mais de 30 pontos de venda fora do Brasil. Na época, aos 17, o motivo que fez a jovem recém-casada alugar uma sala e contratar uma costureira era simples: ter independência financeira do marido.

“É engraçado porque quando a gente é novo não se dá conta dos reais motivos que nos levam a fazer as coisas. A partir do momento em que casei, não queria ser sustentada por ninguém. Agora eu vejo que foi por isso”, explica. A oportunidade de mercado, claro, também foi uma dos fatores que motivou Liana. O Ceará, estado natal da estilista, não tinha uma moda praia forte. Ou melhor, quase não tinha moda praia.

"O forte deles está na estampa e modelagem e na capacidade de fazer coleções bem resolvidas. Na moda praia não tem nada mais importante que a modelagem. A Água de Coco também conseguiu ampliar a oferta de produtos e trouxe um pós-praia interessante", diz Luciane Robic, diretora de marketing do Instituto Brasileiro de Moda.

Segundo Liana, o sucesso da Água de Coco vem da qualidade dos materiais usados por ela: “o melhor que se pode encontrar no mercado”. “Não é porque o país está em crise que eu vou comprar um elástico pior. As outras marcas se pautam muito pelo preço. Eu me preocupo com qualidade e isso custa, não existe milagre no mundo”, explica sobre a marca, que tem peças que vão de cerca de R$ 120 a R$ 2.700.

No início, a cearense enfrentou dificuldades na expansão da marca. Apesar da aceitação do público e do sucesso de vendas, a chegada a São Paulo foi pontuada por alguns episódios de preconceito do próprio métier da estilista.

“O público compra o que fica bom no corpo, não importa de onde a marca é. Quem teve preconceito foi o pessoal da moda. Hoje, o nordestino é bem mais aceito. Antes, os paulistanos riam da gente, da nossa maneira de falar, me diziam que eu era engraçada. Ninguém é palhaço para ser engraçado.”

Mesmo tendo usado materiais regionais nordestinos como renda e bordados em diversas coleções, Liana não acha que a marca tem uma identidade estética propriamente cearense. Ela mira em criações que fujam de um recorte específico principalmente agora, momento em que acaba de abrir uma loja própria em Miami e se preparar para inaugurar uma Lisboa, em junho.

Depois de ter uma pop-upstore nos Hamptons, incensado balneário de Nova York, Liana percebeu que as portas do mercado americano estavam abertas para suas criações, apesar da loja não ter dado lucro "por questões burocráticas".

“Chamei a Anitta para cantar no nosso último desfile na SPFW justamente por isso. Quando você fala de Brasil com Z, quem você ouve falar? É a Anitta. Ela deu uma palestra em Harvard e arrasou. O momento atual da Água de Coco e o dela tem tudo a ver”, diz Liana.

"A escolha de modelos famosas e personalidades como Anitta e Claudia Leitte para representar a marca também é legal, mas se deve tomar um cuidado com isso. A Colcci, por exemplo, perdeu muito depois da saída da Gisele Bundchen, que trazia muita atenção. O foco tem que estar no produto", diz Liana.

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