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Mães e filhos

Novo 'Desafio do Desodorante' assusta pais e cria alerta entre professores

Getty Images
Imagem: Getty Images

da Universa, em São Paulo

08/05/2018 04h00

O nome do desafio não é novo, mas a modalidade, digamos assim, é. Em fevereiro deste ano, uma criança de 7 anos morreu depois de inalar uma grande quantidade de desodorante em um desafio que viralizou na internet.

A 'moda' envolvendo o produto agora, é outra, mas igualmente perigosa: ver qual criança aguenta mais tempo o spray do desodorante de aerosol sendo projetado no braço.

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Reprodução/Arquivo pessoal (Daily Mail)
Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal (Daily Mail)

O resultado são queimaduras severas na pele. Crianças já estão sendo encaminhadas para o hospital com lesões de segundo grau. Jamie Prescott disse ao 'Daily Mail' que a filha de 10 anos, Ellie, estudante de Bristol, na Inglaterra, pode ter que enxertar pele no braço após participar do desafio. A menina teve uma queimadura e, após três semanas de tratamento, ainda tem uma ferida grande no corpo.

A mãe de Ellie fez um alerta em suas redes e o post já teve mais de 3 mil compartilhamentos. Os professores também já estão atentos a casos semelhantes.

Alerta de dermatologista

Segundo Herbeth Sobral Marques de Almeida, dermatologista do Hospital do Servidor Público e da Clinica Mais, a exposição do líquido lançado pelo aerosol por tempo prolongado pode causar danos nos tecidos da pele e até nos nervos do braço da criança. "O que acontece é que, quando a criança pede para parar ela já sofreu dano tecidual a ponto de gerar uma sensibilidade nervosa e, com o tempo de descongelamento da substância, começa a apresentar os efeitos da queimadura, com vermelhidão, dor, ardência e até bolha".

"A depender do tamanho e da profundidade da queimadura, a camada da pele não vai ter como se regenerar e somente com enxerto essa parte da pele que foi lesada pode ser reconstituída", continua. "A queimadura pelo aerossol é caracterizada como queimadura de fogo. Então vai haver essa destruição da pele... Pode ser de primeiro grau, segundo grau, ou até terceiro grau."

Redes sociais propagam os desafios

A onda de desafios nas redes sociais já acontece há algum tempo. De balde de gelo a selfie em precipícios, a gravidade e o perigo do que tem sido proposto -- e a naturalidade com que isso é mostrado nas redes — é o que assusta. Os desafios - e as 'conquistas' dos que aceitam a proposta - são mostrados nas redes sociais, vídeos no Youtube e grupos fechados. 

Há ainda os aplicativos, como Baleia Azul e, mais recentemente, o SimSimi, que já provocou a morte de algumas crianças. O, alerta, aliás, é mais grave: esses desafios têm refletido, inclusive, no aumento do número de suicídios entre crianças e jovens.

Pais atentos e atualizados

Divulgação
Adrielly ao lado da mãe, Márcia. A garota de 7 anos morreu após desafio com os colegas Imagem: Divulgação

Segundo especialistas ouvidos por Universa, é essencial ter um diálogo aberto com as crianças sobre o que acontece na escola e entre os amigos. "Os pais têm que estar muito atentos e atualizados. Tem que perguntar se a criança viu sobre esse tipo de desafio e o que ele acha disso. Não pode subestimar a criança, pisando em ovos ou achando que não deve falar sobre isso porque o filho é muito novo", disse a psicóloga Fernanda Grimberg na época em que a estudante Adrielly, de 7 anos, morreu de parada cardíaca ao inalar o desodorante. 

Pronto socorro

Caso uma criança tenha contato com o aerosol na pele por tempo prolongado, Herbert indica que ela seja levada a um pronto-socorro. "Como não vai saber a profundidade da queimadura, o ideal é os pais procurarem o hospital mais próximo. A gente não aconselha o uso de creme, nem gelo, nem nenhum produto. O ideal é que leve ao pronto socorro e pode colocar água corrente e fria para aliviar a dor". 

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