Minha história

"Achavam que era golpe no baú", diz mulher 37 anos mais nova do que marido

Arquivo Pessoal
Bernadete Strasser e seu marido, Willy Strasser Imagem: Arquivo Pessoal

Por Bárbara Therrie

Colaboração para Universa

08/05/2018 04h00

A história da paraibana Bernadete Strasser, 48, e do suíço Willy Strasser, 85, teve início em 2001, quando ela viu um anúncio no jornal em que ele buscava uma namorada para casar. Na época com 31 anos, Bernadete aceitou o pedido de casamento do paisagista aposentado de 68 anos e, duas semanas depois, eles foram para a Suíça. Nesse relato, ela conta como o amor deles venceu a falta de sexo, os 8 AVCs sofridos por ele, o preconceito e outras barreiras impostas pelo tempo.

“Conheci o Willy através de um anúncio no jornal Correio Braziliense. Há seis meses ele procurava uma namorada para casar e que aceitasse viajar. Uma voz dizia para eu ligar e eu entrei em contato com ele por curiosidade. Marcamos um encontro no shopping. Ele disse que quando me viu foi amor à primeira vista. Nós conversamos, ele me contou que era divorciado, aposentado e que tinha dois filhos, quatro haviam morrido. Eu falei que eu era solteira e contei um pouco da minha vida. Na época, eu morava em Brasília com uma amiga, nunca tinha pensando em morar fora do Brasil.

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Ele disse que, durante os seis meses de anúncio, conheceu mais de 200 brasileiras, mas que não tinha gostado de nenhuma como gostou de mim. Naquele dia, 4 de março de 2001, ele me pediu em casamento. Eu era preconceituosa, dizia que nunca iria me relacionar com um homem viúvo, divorciado ou idoso. No momento em que o conheci, acabou o preconceito, era como se eu tivesse perdido a consciência, como se não fosse eu, apenas aceitei o pedido dele. 

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
As pessoas achavam que eu queria dar o golpe do baú, mas eu não estava interessada no dinheiro dele

A primeira impressão que eu tive dele era que ele era honesto e confiável. Não o enxerguei como um velho. Não fizemos nenhum acordo de casamento, apenas combinamos que eu providenciaria a documentação e passaporte para viajarmos à Suíça em 14 dias. Eu não perguntei o quanto ele ganhava, não estava interessada no dinheiro dele, embora lá na frente percebesse o julgamento de algumas pessoas que me olhavam como se eu quisesse dar o golpe do baú nele. Viam uma mulher de 31 anos com um senhor de 68, e achavam que ele era muito rico, mas não era nada disso.

No dia 18 de março, eu e o Willy embarcamos para a Suíça. Só contei a novidade para a minha mãe quando liguei para ela de lá. Ela me chamou de louca, ficou preocupada, mas me apoiou. Quatro meses depois nos casamos.

Uma das minhas maiores dificuldades no começo foi me acostumar à nova cultura. Eu me sentia sozinha, não falava o idioma, não conhecia ninguém e quis voltar. As coisas foram melhorando. Eu aprendi a falar alemão, comecei a trabalhar como camareira num hotel, profissão por qual me apaixonei e atuei por dez anos. Foi meu primeiro emprego, só estudava no Brasil. Foram muitas mudanças, mas me adaptei bem.

Aprendi a amar meu marido e sempre tive orgulho dele

Aprendi a confiar e amar o meu marido com o tempo. Ele me tratava bem, era gentil, não era ciumento e me dava liberdade. Não podíamos ter filhos porque ele havia feito vasectomia. Não fiquei triste, porque nunca sonhei em ser mãe. Aproveitamos bastante os primeiros anos de casados. Sempre tive orgulho de sair com ele, nunca senti vergonha por ele ser mais velho, embora isso fosse motivo de preconceito.

Uma vez, durante férias no Brasil, estávamos na praia e os colegas de uns familiares falaram que o meu marido devia ter muito dinheiro e que eu tinha um amante. Fiquei chateada e irritada, e respondi que não era obrigada a ouvir aquilo e me retirei.

Nossos 37 anos de diferença de idade também envolveram situações engraçadas. Eu e o Willy fazíamos academia juntos e duas senhoras paqueravam ele descaradamente. Elas achavam que eu era filha dele. Um dia, um senhor me perguntou se eu era a cuidadora dele, eu disse que era a esposa. Ele ficou constrangido e se desculpou. A conversa se espalhou e uma das senhoras veio falar comigo: “Eu soube que você é casada com aquele senhor, eu acho ele tão lindo, você se importaria de eu dar um beijo no rosto dele?”. Eu disse que não e ela foi beijá-lo. Eu dei risada e só fiquei olhando.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Meu marido teve 8 AVCs em cinco anos

À medida que o Willy foi envelhecendo, ele teve alguns problemas de saúde. Ele sofreu oito AVCs em cinco anos. Num dos derrames, ele perdeu a consciência, não sabia o nome dele, quem ele era, não me reconhecia. Fiquei desesperada, não queria que ele morresse.

Vivo em função do meu marido e sinto prazer em cuidar dele. Ele brinca que eu o trato como um bebê. Acompanho ele em todas as consultas e exames, e cozinho segundo a dieta recomendada pela nutricionista.

Não transamos mais. Ele disse que posso arranjar um namorado, mas não quero

A saúde dele também impactou nossa vida sexual. Há um ano não transamos mais por causa da medicação forte que ele tem tomado. Ele fica chateado pois ainda sente desejo, mas não consegue mais penetrar. Eu não me importo, não tenho mais vontade de transar.

Ele já me disse que se eu quiser arranjar um namorado para ter relações sexuais, ele não vai ficar triste, mas eu não quero. Essa atitude demonstra o amor dele por mim e como ele é humano e não é machista. Ele me abraça, me beija, me acaricia e já está ótimo. A presença e amizade dele me bastam.

Tudo o que aprendi no sexo foi com o meu marido. Perdi minha virgindade com 30 anos e o Willy foi meu segundo homem. Tínhamos uma vida sexual ativa e ele me satisfazia em tudo. Aprendi que chega uma hora na vida que o sexo acaba, é um processo natural.

Nosso amor venceu o preconceito

Nesses 17 anos juntos, tivemos altos e baixos e momentos de alegria e tristeza como qualquer casal. Nunca vou encontrar um homem como o meu marido. Nosso amor venceu todas as barreiras e preconceitos”.

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