Sexo

Por que não tem masturbação em novelas?

(Reprodução/Memória Globo)
A atriz Débora Duarte em "Coração Alado" (1980) Imagem: (Reprodução/Memória Globo)

Marcos Candido

Da Universa

27/04/2018 04h00

Onde estão as cenas de masturbação nas novelas da TV?

A Universa fez a pergunta a especialistas no assunto -- e com motivo.

Novelas exibem relações sexuais (predominantemente, heterossexuais), retratam o desejo entre pessoas do mesmo sexo e apresentam ao público dificuldades e também liberdades de variadas identidades de gênero. Na lista também entram temas como violência sexual e prostituição.

Por que a masturbação, alardeada por especialistas como um dos principais métodos para uma sexualidade mais saudável, costuma ficar de fora da lista?

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“Nossa, perguntinha cabeluda. Acho que já teve insinuações, sim. De cabeça, não lembro”, responde um roteirista que já escreveu telenovelas para emissoras como Rede Globo e Record TV. De férias, não deu entrevista. Então a reportagem continuou a seguir essa questão.

Se ninguém tem uma lembrança de primeira, é porque já faz tempo desde a última vez.

Corria o ano de 1980, em plena ditadura militar. À época, a Globo exibia a novela “Coração Alado”, roteirizada por Janete Clair e com direção geral de Roberto Talma.

Na trama, a personagem Catucha, interpretada por Débora Duarte, tem um caso de amor e ódio com Juca Pitanga (Tarcísio Meira). Em certo episódio, Catucha sente falta do amado e decide se masturbar na sua ausência. Quem nunca?

A câmera focava apenas a contorção do rosto e dos pés da atriz, sugerindo o êxtase. A cena foi levada ao ar com um áudio vazado, no qual o diretor guiava a atriz até que ela chegasse ao orgasmo. Mesmo que o episódio tenha sido considerado um desafio à censura da época, a emissora recebeu centenas de cartas de reclamação.

Divulgação/Memória Globo
O ator Henrique Farias (primeiro, da dir. p/ a esq.) como o Ringo de "Top Model" - entrada e saída do banheiro do adolescente era respeitado pela família; da esq. p/ dir.: os atores Gabriela Duarte, Carol Machado, Nuno Leal Maia, Igor Lage e Marcelo Faria Imagem: Divulgação/Memória Globo

Além de “Coração Alado”, outra novela a abordar a masturbação foi “Top Model”, exibida entre 1989 e 1990. Desta vez, acena foi com o personagem Ringo (Henrique Faria), adolescente que saía e entrava de banheiros como uma revista debaixo do braço. À certa altura, ele desenvolve uma paixão platônica por uma mulher mais velha, acentuando as indicações de masturbação.

“Curioso ainda que o tema musical do personagem era ‘Nêga Bom Bom’’, gravação de Os Cascavelletes. Tem uma letra engraçadinha que hoje seria censurada: ela repete várias vezes ‘punhetinha de verão’”, relembra o crítico e blogueiro de UOL TV & Famosos Nilson Xavier.

Mas, por que, hoje em dia, a masturbação parece ter desaparecido do ar?

“É um tema tabu. Essa seria a resposta mais óbvia. Existe a questão da utilidade: no que a masturbação serve para a narrativa (de uma novela ou série), já que o ato de se masturbar não gera complicações físicas ou psicológicas. Então, tratar masturbação em uma narrativa para quê? Só para discutir o tabu que é a masturbação? É uma possibilidade”, sugere Xavier.

Reprodução/Memória Globo
"Coração Alado": os atores Tarcísio Meira e Vera Fischer. Além de masturbação, novela apresentou cenas de estupro, ainda mais chocantes para a época Imagem: Reprodução/Memória Globo

O pesquisador do Centro de Estudos de Telenovela da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, Lucas Martins Néia concorda que seria preciso de um contexto para que a cena não parecesse “apelativa”.

O estudioso também aponta que nossas novelas são uma mistura de debate de questões sociais -- como os direitos LGBTs, por exemplo -- com folhetins melodramáticos do século 19. Por esse motivo, é difícil existir um personagem que busque expressar a sexualidade -- para bem, e para o mal -- sem um par. “Se você reparar, todos vão seguir um padrão heteronormativo e sublinhar o amor romântico -- até casais homossexuais”, diz.

“A telenovela, para o bem e para o mal, reflete nossa a sociedade”, explica. “Ela revela justamente as nossas contradições morais, sociais, culturais... A questão do desejo – também o masculino, mas principalmente o feminino –, infelizmente, ainda soa como um tabu. Nesse contexto, fica ainda mais difícil pensar em uma cena de masturbação num produto que chega às mais diversas camadas da população”.

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