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Nana mudou de carreira aos 30 e hoje vende 11 mil hambúrgueres por mês

Fabiana Jordan
Aqui, Nana conta a história de empreendedorismo que mudou sua vida Imagem: Fabiana Jordan

Marina Oliveira

Colaboração para Universa

26/04/2018 04h00

A chef Nana Oliveira, 36, fez uma mudança radical na própria vida e na da família aos 30 anos, quando decidiu mudar de profissão, mudar de cidade e voltar a estudar. Seis anos depois, ela e o marido são donos de duas bem-sucedidas hamburguerias em Blumenau (SC), que vendem 400 hambúrgueres por dia. O orçamento familiar também cresceu 50%, ela garante.

“Eu fiz curso técnico em contabilidade e me formei em Administração e Marketing. Trabalhei por 12 anos (comecei aos 18) na área administrativa de confecções – há muitas aqui na minha cidade, Blumenau. Mas quando cheguei aos 30 anos, resolvi mudar.

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Antes dessa decisão, já sabia que era infeliz no trabalho, mas eu ainda estava muito perdida. Desde nova, fiz escolhas pensando no retorno financeiro. Fiz curso técnico para conseguir emprego mais rápido e o meu curso universitário também foi escolhido pensando que teria mais ofertas de emprego. Mas eu sentia falta de poder ser criativa no trabalho.

Sempre gostei de cozinhar. Com 12 anos eu e minha irmã assumimos a cozinha da nossa casa, porque minha mãe tinha dois empregos. Para variar o cardápio, pegávamos receitas com a vizinha ou no jornal – não tinha internet, né? Peguei gosto por fazer comida.

Angelo Virgílio
Imagem: Angelo Virgílio

Eu me dei conta de que poderia ser criativa na cozinha, poderia fazer pesquisas e buscar novidades, que era o que eu queria. Mas precisava estudar.

Decidimos, eu e meu marido, que nos mudaríamos para outra cidade, Balneário Camboriú, para que eu cursasse uma universidade de lá. Fiz o curso de chef profissional, com duração de dois anos. Na época, minhas filhas estavam com 1 ano e 4 anos. Meu marido continuou trabalhando e conseguiu segurar as contas por esses dois anos.

O dinheiro estava acabando e quando me formei já era o limite para começarmos a ver algum retorno do dinheiro investido no estudo. Voltamos para Blumenau, entreguei meu carro para conseguir o ponto da hamburgueria e abri, sem nunca ter trabalhado em uma cozinha profissional.

Eu tinha começado a fazer hambúrguer uns anos antes, porque não gostava das opções de X-salada que encontrava nas lanchonetes locais. Achava o pão seco, reclamava que colocavam presunto... Começamos a fazer na churrasqueira de casa, então.

Quando pensei em abrir algo, a ideia de uma hamburgueria me parecia menos complexa do que a de um restaurante. Na minha cabeça seria mais fácil, menos responsabilidade. Mas só na minha cabeça, mesmo. Cada hambúrguer tem uma mistura de sabores e um pré-preparo demorado e cuidadoso de todos os ingredientes, similar ao de um prato. Descobri isso no dia a dia.

Quando pensei em abrir algo, a ideia de uma hamburgueria parecia menos complexa do que a de um restaurante. Na minha cabeça seria mais fácil. Mas só na minha cabeça mesmo. 

No dia 18 de dezembro de 2014 nós inauguramos a Nana Hamburgueria. Trabalhei uma semana e precisei fechar, para ampliar o local. Era, de fato, uma cozinha muito pequena, 12 m², mas eu não achava que na fase inicial venderia mais do que 40 hambúrgueres por dia. No primeiro dia, vendi 80.

Em janeiro reabrimos um pouco maiores e fechamos novamente em março, para uma nova obra de expansão. Como não tínhamos muito dinheiro, esperávamos entrar um pouco para conseguir investir. Um ano e meio depois, fiz uma cozinha nova. Antes 12 m², hoje 40 m².

Nos primeiros seis meses, eu trabalhava 14 horas por dia. Era eu e mais duas pessoas na cozinha. Até que consegui montar uma equipe e treinar todo mundo. Hoje eu tenho 8 pessoas que trabalham na cozinha em uma unidade e mais três em outra unidade, que abri dois anos e meio depois. Fazemos 11 mil hambúrgueres por mês.

Estou na cozinha todos os dias. Eu trabalho das 13h até meia-noite. De manhã, eu fico com as minhas filhas. Almoço com elas, deixo elas na escola e começo a trabalhar. Trabalho bem mais, mas sou mais feliz.

Angelo Virgílio
Imagem: Angelo Virgílio

Foi preciso coragem para arriscar lá atrás, mas eu tinha alguém que me apoiava o tempo todo, o meu marido. Somos sócios nos negócios. O conhecimento que tive no início da carreira é muito útil hoje. Eu consigo enxergar os custos da minha cozinha. E marketing está diretamente relacionado ao desenvolvimento de produto, que é o que eu faço quando crio sabores diferentes de hambúrgueres.

Foi preciso coragem para arriscar lá atrás, mas eu tinha alguém que me apoiava o tempo todo, o meu marido. Somos sócios nos negócios. 

O nosso próximo passo é finalizar um projeto de franquia, ainda este ano. A Nana B, a segunda unidade que abri, já é uma loja de teste pensando no modelo de franquia. Queremos vender algo que chegue redondo para o franqueado.

Nunca imaginei que a minha vida estaria assim hoje. São objetivos diários e pequenos para conseguir algo grande lá na frente. Hoje eu me sinto mais completa – e vem um terceiro filho, estou grávida de dois meses. A nossa vida financeira é melhor hoje, mas não estamos gastando dinheiro conosco. O foco é investir no negócio. Mas temos alguns prazeres, como viajar uma ou duas vezes no ano para conhecer hambúrgueres pelo mundo.”

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