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Mulheres protagonizam um mundo em evolução

Mulheres protestam em lojas da Riachuelo contra precarização do trabalho

Reprodução/ Twitter
Marcha Mundial das Mulheres protesta em São Paulo contra a precarização do trabalho e a exploração da mão de obra diante de loja da Riachuelo Imagem: Reprodução/ Twitter

Helena Bertho e Natacha Cortêz

da Universa

24/04/2018 17h59

Entre às 12h e 13h desta terça-feira (24) as vitrines da loja Riachuelo da Avenida Paulista foram invadidas e seus manequins ganharam cartazes, pendurados pelo pescoço, com dizeres como "Trabalho terceirizado #Vidas Precárias" e "A indústria da moda explora as mulheres". Em Maceió (AL) diante de outra loja da rede, mulheres distribuíram panfletos sobre a reforma trabalhista e a precarização do trabalho.

Ações parecidas aconteciam ao mesmo tempo em Recife (PE), Mossoró (RN) e Campinas (SP). Todas articuladas pela Marcha Mundial das Mulheres, como parte de um protesto global do movimento que acontece anualmente no dia 24 de abril, chamado de 24 Horas de Solidariedade Feminista. À reportagem, a Riachuelo disse que "(..) repudia o ato de invasão da vitrine de sua loja da Avenida Paulista". 

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"O tema escolhido a nível global foi o do trabalho, relembrando o que aconteceu em 2013, nesse mesmo dia em Bangladesh, que foi a queda do edifício Rana Plaza", explica Carla Vitória, da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo.

"Indústria da moda explora o trabalho das mulheres"

O caso citado por ela foi o desabamento de um prédio que abrigava fábricas têxteis, deixando mais de mil mortos e que se tornou símbolo da exploração da indústria da moda. 

"Organizamos os atos para que o massacre de Bangladesh seja lembrado e para denunciar situações semelhantes aqui no Brasil", defende Carla. "Existe uma divisão sexual do trabalho, que diz o que é de homem e o que é de mulher. Nas confecções e lojas, a maioria são mulheres, trabalhadoras em situações precárias como a Rana Plaza, onde o descaso levou a tantas mortes". 

O protesto costuma acontecer ao redor do mundo sempre entre as 12h e 13h de cada país, totalizando 24 horas ininterruptas de manifestações.

Riachuelo pode pagar R$ 37 milhões por indenizações 

Para os protestos no Brasil, o movimento escolheu a Riachuelo como alvo das ações. "A Riachuelo tem um vasto histórico de denúncias trabalhistas, é uma empresa que está sendo processada por precarização do trabalho", diz Carla, citando também a posição política do dono da marca Flávio Rocha, pré-candidato à presidência pelo PRB (Partido Republicano Brasileiro) e um dos apoiadores da reforma trabalhista. "Por tudo isso, a gente achou que era um alvo interessante de denunciar. Mas a ideia é que seja uma crítica geral à indústria que explora o trabalho das mulheres".

Em 2017, o Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil pública pedindo indenização de R$ 37 milhões contra a Guararapes, empresa que controla a Riachuelo, questionando a irregularidades no contrato com os terceirizados. Segundo o órgão, nas 50 facções de costura fiscalizadas que prestam serviço à Guararapes, "os empregados das facções recebem menor remuneração e têm menos direitos trabalhistas do que os empregados contratados diretamente pela Guararapes, inclusive quanto à saúde e segurança do trabalho".

O MPT-RN constatou ainda que a empresa estaria transferindo empregos e também os riscos da atividade para as facções, tendo reduzido seu quadro de funcionários de 10.034 empregados em 2013 para 7.539 em 2017. A ação do MPT-RN ainda está em andamento. 

Posicionamento da Riachuelo

Quando procurada pela Universa, a Riachuelo respondeu que "(...) repudiamos veementemente todo e qualquer tipo de exploração ou precarização de trabalho e garantimos todos os direitos de nossos colaboradores, cumprindo sempre a legislação em vigor". Sobre os protestos, a assessoria da marca informou que " (..) repudia o ato de invasão da vitrine de sua loja da Avenida Paulista, em São Paulo, ocorrida hoje".

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