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Excesso de masturbação é uma das causas da ejaculação retardada; entenda

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Léo Marques

Colaboração para Universa

19/04/2018 04h00

Você já deve ter ouvido falar de ejaculação precoce, que é quando o homem goza entre 1 e 2 minutos após a masturbação ou penetração, mas e em ejaculação retardada?

Para quem não sabe, é um tipo de disfunção sexual caracterizada pela vontade do cara em querer gozar, mas não conseguir. Porém, para ser tratado como um problema, esse sintoma precisa persistir por meses e exceder mais de 20 minutos após a estimulação.

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É tempo demais se comparado à média indicada pelos estudos mais recentes, que classifica a ocorrência de uma ejaculação após 5 minutos de excitação intensa.

“De 3% a 8% dos homens sofrem desse atraso, que pode ser definido como um transtorno do orgasmo masculino (TOM)”, explica o médico urologista Christian Friedrich Fuhro, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

É um problema que atinge homens de todas as idades, do início da vida sexual até o fim dela.

Excesso de masturbação é uma das causas

Segundo outro urologista, Júlio Bissoli, do Hospital das Clínicas de São Paulo, não alcançar o orgasmo ou demorar demais para atingi-lo pode ter a ver com diversos fatores, como envelhecimento, doenças, problemas psicológicos e emocionais e até hábitos pouco saudáveis, como a masturbação excessiva, que pode provocar a diminuição da sensação de prazer e a perda de sensibilidade do pênis.

“Geralmente, o transtorno está relacionado a baixos níveis hormonais, infertilidade, perda de sensibilidade genital, efeitos colaterais de medicamentos, estresse, ansiedade, depressão e até hiperestimulação peniana”, comenta o médico.

Questionado sobre quais tipos de medicamentos retardariam a ejaculação, Júlio aponta os antidepressivos e drogas psiquiátricas, como paroxetina, fluoxetina e dapoxetina. “Esses remédios são inibidores da receptação de serotonina (substância responsável pela sensação de bem-estar e prazer)”.

Christian complementa afirmando que diabetes, traumas emocionais, como abuso sexual na infância, conflitos com a própria sexualidade e problemas de relacionamento podem estar envolvidos. Por isso, segundo ele, é importante que se identifiquem todos os fatores, pois dificilmente o problema se origina de uma única causa.

Quanto à demora em ejacular após um dia cansativo ou durante uma semana de intensos estudos é completamente aceitável. Porém, se suspeitar de algo, procure um médico.

Insatisfação sexual, medo e outros problemas

Se não tratada, a ejaculação retardada pode afetar, além da vida do paciente, a de sua parceira sexual, comprometendo a qualidade do relacionamento e até planos de casal.

“Quem não ejacula não engravida. Fora que o retardo na ejaculação gera estresse e impaciência durante a relação sexual”, comenta Júlio, lembrando que, com a demora, a mulher pode ainda perder a lubrificação ideal para a transa e sentir-se desconfortável.

Em casos mais sérios, o sintoma também pode gerar transtornos de ansiedade e de ereção no homem (que quer ter orgasmo e não consegue) como traumas na parceira por não associar mais a ideia de sexo à sensação de prazer.

“Outros se sentem tão inibidos e envergonhados, que, se a outra parte tentar estimulá-los com algum conteúdo erótico, acreditam que ela só obtém orgasmo em fantasias com outras pessoas”, comenta Patrícia Bader, psicóloga do Hospital São Luiz, sobre pensamentos disfuncionais que só agravam o quadro.

Se o homem for solteiro, pode ainda não desenvolver relacionamentos íntimos e duradouros e acabar optando por relacionamentos virtuais, que podem melhorar ou agravar o interesse pela prática sexual.

Mão amiga, medicamentos e terapia podem ajudar

Se a causa do problema for excesso de masturbação, que desacostumou o cara ou o inibiu a querer ejacular por penetração, o gozo pode acontecer mais naturalmente se o toque for reduzido ou praticado com a ajuda da parceira.

Caso as doenças e os transtornos fisiológicos sejam os motivos, o indicado é tratá-los e reverter os sintomas do retardo com reposição hormonal e medicamentos de suporte, inclusive psíquicos, mas que não causem efeitos colaterais similares. O consumo, em excesso, de bebidas alcoólicas também deve ser evitado.

“Se o problema não tiver causa aparente ou for intratável, a psicoterapia é o mais aconselhável”, orienta o urologista Júlio Bissoli.

Na terapia é possível retomar o histórico da vida do paciente que contribuiu para a construção do sintoma atual, além de explorar os aspectos inconscientes que o sustentam e as melhores maneiras de enfrentá-lo.

“Quando a terapia é de casal há ainda a possibilidade de o psicólogo compreender a dinâmica e o sintoma conjugal”, comenta Patrícia. 

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