Sexo

Virgens depois dos 20: liberdade sexual também é escolher quando transar

Didi Cunha/UOL
Imagem: Didi Cunha/UOL

Letícia Rós e Rita Trevisan

Colaboração para Universa

06/04/2018 04h00

Pelos mais diferentes motivos, elas preferem adiar suas relações sexuais. Por isso, são, muitas vezes, desrespeitadas: enfrentam preconceitos nos círculos de amigos, nos relacionamentos e até nos consultórios médicos.

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"Alguns caras ficam loucos para tirar minha virgindade"

“Sou virgem até agora por dois motivos: 1) não encontrei uma pessoa que me transmitisse confiança e 2) não conheci ninguém que queira um relacionamento real antes do sexo. E eu quero que a minha primeira transa aconteça em um momento em que eu realmente me sinta à vontade com a situação, pode até ser algo casual, mas tem que rolar naturalmente. Não quero transar só por transar. Hoje, a única coisa que me deixa constrangida é não poder entrar nas conversas sobre sexo, porque eu não sei nada desse assunto. No mais, eu sou bem resolvida. Mas as outras pessoas me julgam muito por essa minha opção e eu não entendo o porquê, penso que isso é uma coisa tão íntima que só diz respeito a mim. Também é difícil encontrar caras que aceitem isso. Geralmente, eles saem de fininho logo que sacam que eu não vou dar pra eles nos primeiros encontros. Outros ficam loucos pra tirar a minha virgindade e chegam a fazer coisas absurdas. Uma vez, um carinha com quem eu estava saindo pela segunda vez quis me pegar à força, estávamos em um lugar reservado e ele foi logo arriando as calças. Fui embora na hora e nunca mais quis sair com ele. Liberdade sexual, no meu entendimento, é exatamente fazer ou deixar de fazer o que eu quiser. E quando eu quiser.”
Amanda Rodrigues, 22 anos, estagiária

"Sofro preconceito até no ginecologista"

“Já sofri traumas horríveis por manter o meu propósito de permanecer virgem até me sentir realmente pronta para ter uma relação. Tive um relacionamento de seis anos em que o meu ex-namorado fazia todo o tipo de pressão psicológica comigo, principalmente nos últimos dois anos, chegando a ser abusivo. Também passei por namoros em que os caras faziam mil juras de amor e, ao perceber que eu não ia transar naquela hora, simplesmente davam o fora. Tudo isso deixou marcas em mim, mas eu nunca me deixei influenciar pela opinião dos outros. Para mim, um relacionamento sério tem a ver com profundidade, confiança, companheirismo, respeito, zelo, proteção, e o sexo é mais um elemento. Mas quero o conjunto da obra, não quero apenas uma parte. Então, vou fazer sexo só quando tiver todo o resto também. Para mim, uma coisa altamente constrangedora é ser motivo de chacota entre os próprios profissionais da saúde. Quando vou ao ginecologista ou a um laboratório, realizar algum exame, por exemplo, digo a minha idade e aviso que sou virgem. A reação nunca é positiva. Me sinto tão invadida!”
Bárbara Vieira, 24 anos, publicitária e designer

"Sou assexuada, simples assim"

“Eu sou totalmente virgem, porque eu nunca nem beijei alguém na boca. E sou uma pessoa absolutamente normal, eu sei disso e me aceito como sou. O que acontece é que não tenho vontade de me relacionar com ninguém, a não ser como amiga. Não tenho vontade de beijar, de trocar carinhos, muito menos de transar. E não quero ser obrigada a transar só porque todo mundo transa. Sou assexuada e quero ser respeitada pela minha opção, assim como respeito todas as outras pessoas, com as escolhas delas. Tive várias oportunidades, mas não rolou atração ou desejo, simples assim. Infelizmente, não posso me abrir e falar disso com muitas pessoas, porque elas acham difícil de entender. Então, para algumas eu não falo nada e, para outras, só me resta contar mentiras.”
Juliana Pires, 21 anos, estudante de cinema

Convicções religiosas e feministas

“Eu tenho convicções religiosas e acredito que o meu corpo é um templo. E hoje eu sei que posso acreditar no que eu quiser e que ninguém tem nada a ver com isso. O movimento feminista foi como um bálsamo pra mim, em questão de sexualidade. Eu tinha resistência com esse tipo de movimento quando adolescente, mas depois de ler e conhecer um pouco mais, me encontrei, casou perfeitamente com o meu modo de ver: meu corpo, minhas regras. Isso me deixa mais confortável. Por outro lado, posso dizer que a minha virgindade mais atrapalha do que ajuda. Até as médicas têm preconceito! Elas perguntam da última relação e, quando eu falo que nunca tive, normalmente confirmam a idade e ficam com aquela cara de incrédulas. É muito absurdo! Com os homens, ser virgem também não ajuda, eles costumam broxar ou cair fora quando ficam sabendo que eu não vou transar rápido com eles. Eu tenho certeza de que, se não fosse mais virgem, ia arrumar namorados muito mais fácil. Só que eu quero que seja do meu jeito e não como a sociedade impõe.”
Aieska Parisi, 23 anos, historiadora

 Estou cansada de ouvir que sou ‘exigente demais’

“Eu pretendo preservar minha virgindade até o meu casamento e espero que esse seja um momento de descoberta para mim e de conexão máxima entre dois corpos de pessoas que se amam e que decidiram pertencer um ao outro até que a morte os separe. Estou me preservando não para outra pessoa, mas para mim mesma. Não faço questão de namorar outro virgem mas, com certeza, quero encontrar alguém que respeite a minha escolha. Não admito intromissão e nem gente querendo me influenciar. Me manter fiel à minha decisão é algo libertador. Infelizmente, a maior parte das pessoas não entende e fica me julgando o tempo todo. Estou cansada de ouvir coisas do tipo: ‘deve ter algo de errado com você’ ou ‘você deve ser exigente demais’. Parece que, por ter vinte e poucos e não ter uma vida sexual ativa, não sou uma pessoa saudável. As pessoas não se sentem nem à vontade de falar sobre virgindade, como se fosse um tabu mesmo. Para mim, o sexo, o beijo, o envolvimento emocional se tornaram coisas banais. Mas isso ninguém discute, é ‘normal’.”
Luana Alessi, 21 anos, analista de controles internos

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