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Mulheres protagonizam um mundo em evolução

Luisa Mell faz resgate de cães, gatos e aves, alguns presos em guarda-roupa

Amanda Serra

Da Universa

28/03/2018 16h14Atualizada em 29/03/2018 14h19

Luisa Mell levou seis horas na última quarta-feira (28) para resgatar mais de 100 animais de um canil clandestino localizado no bairro Cangaíba, zona leste de São Paulo. A ativista conta que sua ONG foi chamada pela Polícia Ambiental e se assustou com as condições em que encontrou os bichos, incluindo araras ameaçadas de extinção.

Nos vídeos publicados em sua rede social, os bichos — em sua maioria cães de raça —, aparecem alocados embaixo da cama, dentro de caixas e também de um guarda-roupa. 

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"Os policiais receberem uma denúncia sobre os animais silvestres, mas quando chegaram viram que tinham diversos cachorros e gatos armazenados em aquários, gaiolas minúsculas, armários... um pesadelo! A Polícia entrou porque tinha flagrante, eles conseguiram ver as imagens por meio do muro da casa vizinha", explicou Luisa à Universa.

Reprodução/Instagram/luisamell
Imagem: Reprodução/Instagram/luisamell

O local era ocupado por uma mulher e seu filho, que foram multados em R$ 405 mil (o valor deverá ser atualizado, pois após a finalização do Boletim de Ocorrência foi encontrada mais uma caixa com cachorros). A ação foi confirmada pela Polícia Ambiental e somente o homem foi levado para prestar depoimento no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPCC), que fica no centro da Capital paulista.

Ainda de acordo com informação da Polícia, o acusado foi autuado de acordo com o termo circunstanciado (um registro para delitos de menor relevância) e responderá por crimes ambientais, já que mantinham aves silvestres em cativeiro, e por maus tratos aos animais. Como as penas para esses crimes são inferiores a dois anos, ele responderá em liberdade. Essa não é a primeira vez que o infrator é autuado, ele já respondeu outras duas vezes por crimes ambientais. O caso chegou até a corporação por meio do disque denúncia do controle de proteção aos animais. 

Na ação, foram apreendidos 47 yorkshire, 27 lhasa Apso,12 bulldog Francês, sete lulu spitz alemão, três bulldog inglês, um pug, um labrador, 14 sem raça definida e dois gatos de raça indefinida. Além das aves: uma arara-vermelha (Ara chloroptera), duas araras-canindé, um canário-da-terra (Sicalis flaveola), três papagaios (Amazona aestiva), um tiriba-de-testa vermelha (Pyrrhura frontalis), um jandaia (Aratinga jandaya) e seis aves da fauna exóticas - dois canários-do-reino (Serinus canaria), duas calopsitas (Nymphicus hollandicus), dois papagaios-ecletus (Eclectus roratus).

“Todos em situação insalubre, em meio a fezes e urina, presos em locais pequenos, sem espaço de locomoção, não contendo água e alimentação à disposição”, informou o relatório da Polícia. Ainda de acordo com o relatório, os acusados não tinham documentação dos animais silvestres.

"Acabamos de estourar mais um canil. Outro show de horrores. Uma centena de animais e aves vivendo nessas condições. Não sei mais o que fazer, sério. Precisamos muito da ajuda de vocês, muito mesmo. Qualquer valor, pois teremos despesas altíssimas de novo. Não me abandonem, por favor", escreveu Luisa, implorando para que as pessoas parem de comprar animais.

Além da Polícia Ambiental, a ativista contou com a ajuda de mais 15 pessoas de sua equipe. Sem dentes nem pelos, alguns cachorros também estavam cegos. Uma yorkshire foi encontrada dentro do armário já com os filhotes mortos. A cadela era usada para amamentar outros cães.

"Nunca vi nada igual. Socorro! Deus me dê forças, olhem a mamãe dos filhotes fofinhos que vocês compram", criticou Luisa. 

No vídeo, um colega de Luisa conta que a dona do local tentou fugir com filhotes dentro do sutiã, além de tentar esconder uma cachorra grávida embaixo do travesseiro. 

A ativista levou todos os cachorros e gatos para seu Instituto, enquanto aves silvestres ficaram a cargo da Polícia Ambiental. "Vou cuidar de todos, pois eles estão muito mal. Vai demorar um pouco para se recuperarem, mas depois que estiverem todos castrados e vacinados faremos uma feira de adoção", disse. Ela estima um gasto de mais de R$ 500 mil para cuidar de todos os bichos.  

Em sua página do Instagram, a ex-apresentadora pediu calma para quem deseja adotar os animais. "Todos estão sendo atendidos e os casos mais graves houve internação. Uma médica veterinária especialista em silvestres está também conosco agora realizando o primeiro atendimento das aves. Para todos que escreveram, dizendo 'não querer adotar só porque é de raça, mas sim porque amam animais', esses cães não estão prontos para adoção, mas temos cerca de 150 cães sem raça definida (vira-latas), prontos e esperando a chance de serem amados", afirmou ela. 

Luiza ainda explicou que existe uma questão legal envolvida para obtenção da posse definitiva dos animais encontrados. "Além da vacinação, vermifugação e castração, que somente fazemos após exames. Somente após a conclusão de todos os trâmites de saúde e jurídicos, que podem demorar semanas ou até meses, iniciaremos o período de triagem dos adotantes, seguindo sempre nossos próprios critérios. Sobre as aves, serão encaminhadas para um santuário para serem, se possível, reintegradas a natureza", disse.

O último resgate feito pela ONG Luisa Mell ocorreu em setembro de 2017 e 135 cães em situação de maus-tratos foram retirados de um canil (identificado como "Mansão Sebastian") localizado em Osasco, na Grande São Paulo. O local vendia animais para pet shops.

Engajamento

Recentemente, Luisa lançou uma autobiografia, “Como os animais Salvaram Minha Vida’, em que fala sobre sua trajetória de luta. A adoção, a mudança no status do vira-lata e o boicote a canis que lucram com venda de animais de raça estão entre suas principais bandeiras, assim como a proibição de animais em circos (ainda sem lei específica) e o fim da eutanásia para bichos saudáveis no Estado de São Paulo, como explica em entrevista ao UOL.

“É muito difícil ser ativista, porque você enxerga o mundo de maneira totalmente diferente. Para as pessoas eu sou a chata, sou a louca. Mas o mundo muda muito lentamente para o ativista: quem sofre [os animais] tem pressa”, afirmou ela.

Inaugurado em 2015, o instituto de Luisa está localizado em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo e possui 27 mil metros quadrados de área verde, hospital veterinário, enfermaria, ala de quarentena, espaço de soltura, gatis e canis, Há seis veterinários, sete enfermeiros e nove tratadores. Atualmente, o espaço reúne 350 animais e a ideia era não aumentar por conta dos gastos.

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