Autoestima

O fundo do poço das mulheres é aos 40 anos? Estudos dizem que sim

Thinkstock
Imagem: Thinkstock

Letícia Rós e Marina Oliveira

Colaboração para Universa

23/03/2018 04h00

O processo de envelhecimento não é uma constante descida à infelicidade. Na verdade, começamos a vida com um alto grau de satisfação e, a partir dos 18 anos, nos tornamos gradualmente menos felizes, atingindo um ponto mais baixo em nossos 40 anos. É quando estamos rente ao chão na curva, que é em formato de U. Mas ao entrar na casa dos 50 anos, os níveis de satisfação decolam novamente e, aos 60, vem a plenitude.

Em 2017 uma análise foi feita por pesquisadores de economia sobre a satisfação com a vida. Eles consideraram sete grandes estudos, que somados entrevistaram 1,3 milhão de pessoas em 51 países e reiteraram esse padrão de felicidade, de uma década atrás.

A antropóloga Mirian Goldenberg, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e autora de “Por que os homens preferem as mulheres mais velhas?” (Editora Record) pesquisa a felicidade e a velhice há mais de dez anos e confirma esta curva entre as mulheres brasileiras.

“Aos 40 anos elas se sentem invisíveis, como num limbo social. Não são nem jovens, nem velhas e sentem como se deixassem de ser mulher”, diz. É porque ainda estão presas a um modelo feminino da juventude. A crise com o corpo é frequente, por uma questão cultural brasileira. “O corpo jovem, magro e sensual é um capital para elas”, fala Mirian.

Camilla Junqueira, 40, autora do perfil no Instagram @maedetres3, vive a crise atualmente. “Minhas maiores cobranças são com o meu corpo. Me comparo muito com o meu passado e isso me faz ter conflitos de autoestima. Me olhar no espelho e me ver completamente diferente de 10 anos atrás me causa certo desespero, meu corpo já não ‘segura’ mais minhas roupas como antes. Escondo algumas formas que conquistei agora aos 40 anos e que me incomodam muito, chego a comprar roupas três vezes maior do que o meu número, para me sentir mais confortável e mais magra. Eu seria mais feliz com meu cabelo, corpo e minha pele dos 30 anos”, diz.

Além de não se amar como antes e nem se conhecer, aos 40 sobra pouco tempo para viver a própria vida. “O meu cansaço físico é mais nítido, chego ao fim do dia esgotada por conta das tarefas relacionadas à casa, aos filhos e aos cachorros. Eu sofro para dizer ‘não’, algo que já nasceu comigo, mas se tornou ainda mais forte depois que virei mãe. Vivo lutando contra o tempo, precisaria de mais 24 horas para cada dia. Na maioria das vezes, acabo adiando um momento para mim. Até parei de usar relógio, para não enlouquecer ainda mais!”, diz Camilla.

A chegada aos 60 anos

A terceira idade, por sua vez, traz liberdade para ser feliz consigo mesmo. E, principalmente, confiança para recusar aquilo que não quer. A aposentada Maria Teresa Monegatto, 66, diz estar no auge de sua vida. “A maturidade é fantástica, porque você consegue dizer ‘não’ quando precisa, sem se abalar. Eu não mais falo “sim” para agradar alguém. O ‘não’ mais significativo da minha vida, foi o ‘não’ para a continuidade do meu casamento. Quando ficamos com uma pessoa por 36 anos, ficamos cômodas. Eu quero viver minha vida sozinha, com meus filhos e netos. Hoje eu tenho respostas feitas, falo o que penso”, diz.

E valoriza mais o corpo e a beleza do que no passado. “Não sei levantar da cama sem colocar batom, brincos, anéis e pulseiras. Me enfeito para mim mesma, gosto de ficar elegante. Não tenho o mesmo corpo que tinha há 20 anos, mas se as dores vierem e você aceita com tristeza, elas doem muito mais, você vive com limitações. É preciso aceitar sem estresse, sem revolta. Sou muito mais feliz agora, bem mais tranquila”, diz Maria Teresa.

E tem como ser feliz em todas as fases? 

Mirian Goldenberg diz que sim. Para isso, ela defende que todas as mulheres trabalhem o “foda-se”. “Não é um palavrão, mas uma atitude interna”, diz ela. “É dizer um basta para tudo aquilo que nos faz sofrer e não é o nosso desejo. É algo que temos que reproduzir como um mantra: Vão me julgar por ir à praia de biquíni? Foda-se. Vão achar que sou uma coroa periguete porque meu marido é mais jovem? Foda-se”, diz.

Ser você mesma, sem se preocupar com o rótulo da idade, é a nova tendência. São as mulheres “ageless” (sem idade, ao pé da letra). “Nós nunca deixamos de ser as crianças que fomos, a vida é uma continuidade. Ou nós melhoramos ou nos pioramos. Não interessa a minha idade, eu vou tentar ser a melhor versão de mim mesma”, finaliza.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

O UOL está testando novas regras para os comentários. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da página. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar você concorda com os termos de uso. O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário da Universa. É grátis!

Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
BBC
Da Universa
Blog Flávia Durante
Da Universa
Da Universa
BBC
Blog Flávia Durante
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Da Universa
Blog Flávia Durante
Da Universa
Da Universa
do UOL
Autoestima
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo