Papo de vagina

Mulheres aplicam botox na vagina para acabar com dor na penetração

Getty Images
O botox utilizado na vagina é o mesmo utilizado em procedimentos estéticos no rosto Imagem: Getty Images

Letícia Rós e Marina Oliveira

Colaboração para Universa

17/03/2018 04h00

Desde a primeira relação sexual, a empresária Bárbara*, 30, sentia dores. “Só o que me dava prazer eram as preliminares. Na penetração vaginal, a dor era tanta, não conseguia relaxar, muito menos sentir prazer. Muitas vezes, tinha de parar no meio do sexo.”

Para se livrar do incômodo, a empresária tentou usar lubrificantes e até anestésicos locais, mas nada foi eficiente. Foi quando ouviu falar do botox íntimo --que consiste na aplicação, na musculatura pélvica e vaginal, da mesma toxina botulínica usada em tratamentos estéticos no rosto.

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A substância causa o relaxamento dos músculos e facilita a penetração em casos de vaginismo (contração involuntária na região perineal), segundo o cirurgião plástico Wendell Uguetto, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

“A contração excessiva dessa musculatura promove a dispareunia, que é a dor na relação sexual, sentida por muitas mulheres. O botox promove um bloqueio na junção neuromuscular, ou seja, o estímulo dos neurônios não gera a contração do músculo”, fala.

O procedimento

A arquiteta Marcela Araújo, 35, também recorreu ao botox para acabar com as dores que sentia na penetração. Após passar por uma ginecologista, ela foi encaminhada a um cirurgião plástico, que aplicou a substância.

“Antes, o médico aplicou uma pomada anestésica. Fiquei cerca de 30 minutos esperando fazer efeito. Depois, quando estava em posição ginecológica, ele injetou a toxina botulínica”, conta Bárbara, que disse ter sentido um leve incômodo, durante a aplicação.

No procedimento, um espéculo é introduzido na vagina, para facilitar a visualização do médico e, então, são aplicadas as injeções intramusculares.
“Uma aplicação já mostra resultados a partir de 24 horas”, fala o cirurgião plástico André Ramos. Mas as relações sexuais só são recomendadas a partir de sete dias da realização da técnica.

Bárbara, que pagou R$ 2.500 pela aplicação, preferiu esperar 15 dias para voltar a transar. “Depois desse período, já senti uma melhora. Mas foi um mês depois que veio a grande diferença, quando as relações sexuais deixaram de ser uma tortura e se tornaram prazerosas.”

O efeito não é eterno

O caminho para o tratamento é buscar um ginecologista, que deve fazer um diagnóstico da causa da dor e, se for o caso, encaminhar para o cirurgião plástico.

Se a paciente estiver com qualquer tipo de infecção vaginal, terá se tratar antes de aplicar o botox. “Somente depois de 15 dias da infecção curada que podemos fazer as aplicações”, fala Uguetto.

Mulheres sem problemas de saúde e com menos de 40 anos não precisam fazer exames antes da aplicação, basta o encaminhamento do ginecologista. “As restrições são apenas para pessoas com alergia ao componente da fórmula”, diz o cirurgião plástico.

O botox dura de quatro a seis meses. Após esse período, pode ser necessário fazer uma nova aplicação. “Dependendo do caso, a musculatura vaginal vai dilatando com a atividade sexual e não são necessárias novas aplicações”, diz Uguetto. “Se a causa das contrações for psicológica, o ideal é a paciente fazer sessões de psicoterapia junto com o tratamento.”

* O nome foi alterado a pedido da entrevistada.

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