Mulheres inspiradoras

Elas criaram uma plataforma para aumentar o protagonismo feminino na música

Divulgação
Claudia Assef e Monique Dardenne Imagem: Divulgação

Daniela Carasco

da Universa, em São Paulo

15/03/2018 12h59

Se uma única música pudesse definir o caminho que a jornalista e DJ Claudia Assef, 43, e a produtora musical Monique Dardenne, 33, têm ajudado a construir na cena musical, ela seria “I Will Survive” (vou sobreviver). O hit, que ficou famoso na voz de Gloria Gaynor, é a trilha perfeita para acompanhar o desejo das duas amigas em aumentar o protagonismo feminino na música. Claudia e Monique são os nomes por trás do Women’s Music Event -- sua segunda edição acontece entre os dias 16 e 18, no Centro Cultural São Paulo.

“A gente quer fazer barulho, mostrar que tem mulher atuando em toda a cadeia profissional. Queremos tirá-las da invisibilidade”, diz Claudia taxativa. Por isso, nos três dias de evento, cerca de 100 mulheres, entre artistas e profissionais da música, subirão ao palco para paineis, workshops e shows. “É importante dizer que não se trata de uma plataforma só para mulheres, queremos impactar o mercado e a sociedade como um todo. Mas o protagonismo será delas”, acrescenta Monique. Espera-se que, ao menos, 500 pessoas passem por dia pelo evento.

Karol Conká, Eliane Dias, Alice Caymmi, Tássia Reis, Vera Egito e Tiê são alguns dos nomes confirmados na programação. A cantora Pitty será coroada madrinha da edição, que tocará em temas como gestão de carreira, beatmaking, curadoria musical nas plataformas digitais, segredos da construção de imagem e segurança digital.

A caminhada de Claudia

Claudia se define como uma nerd da música que começou a se interessar pelo assunto por influência dos pais festeiros, que ferviam nas discotecas paulistanas. “Uma das minhas primeiras memórias da infância, nos anos 70, é a de vê-los chegar de madrugada com o som altíssimo rolando no carro”, relembra. “Sempre fui muito abastecida musicalmente por eles.”

Na faculdade, ela cursou jornalismo decidida a trabalham com cultura. Entre 1996 e 2003, passou pela Folha de S. Paulo, pelo extinto Jornal da Tarde, pela sucursal paulistana do jornal Correio Braziliense e chegou a ser correspondente em Paris. Em seguida, lançou o livro “Todo DJ Já Sambou”, tocou nos principais clubes do país e, até 2006, escreveu para as principais revistas brasileiras e gringas -- Bizz, Bravo, DJ World, Disco Club (Portugal), Revista da MTV.

Sua trajetória naturalmente a colocou como palestrante de uma série de conferências de música nacionais. De tanto se apresentar em paineis sobre a temática das mulheres na música, decidiu que era preciso criar iniciativas contundentes de inclusão feminina. Foi aí que se juntou à amiga Monique, com quem se cruzou por diversas vezes em seminários.

A caminhada de Monique

Ela sonhava em ser delegada, chegou a se formar em Direito, mas decidiu por seguir sua paixão. Direto dos bastidores da música eletrônica, Monique se tornou protagonista da cena, como DJ e produtora musical. O seu currículo é extenso: ela foi a primeira representante do Boiler Room (projeto londrino de transmissão de discotecagem ao vivo pela web) no Brasil, atuou como gerente da extinta Skol Music, trouxe Snoop Dog e Pitbull ao país, participou da produção dos últimos shows da banda LCD Soundsystem por aqui e, hoje, comanda sua própria agência, a MD/A.

Focada em abrir as portas para mulheres na música, Monique criou há alguns anos nas redes sociais um grupo fechado, que conta hoje com um banco de dados de mais de mil profissionais. A ideia é trocar experiências e indicações. O WME é uma continuidade desse projeto. “Queremos impactar o mercado com tantas mulheres incríveis, inteligentes e donas de seus próprios negócios”, diz.

Sua atuação tem como objetivo também abrir os caminhos para o futuro da filha de três anos. “Me esforcei mais por ser mulher e sofri muita pressão no trabalho durante a gravidez. Sempre fui muito responsável e tentei ultrapassar os meus limites para me provar uma profissional ainda melhor nesta época. Espero que minha pequena não tenha que passar pelo mesmo.”

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