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Sem paciência com o par? Pode ser sinal de problemas que você nem imaginava

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O exagero na frequência de checagem de e-mails e mensagens no WhatsApp tem provocado distanciamento entre casais Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

27/02/2018 04h00

Um relacionamento amoroso deveria servir como uma espécie de “oásis” para que homens e mulheres se refugiassem do trânsito, do trabalho estressante e de outros perrengues do dia a dia.

Por isso, quando a irritação e a impaciência começam a afetar a convivência, levando um a tratar o outro com rispidez, talvez o motivo faça parte da própria relação. A seguir, veja o que pode estar afetando vocês.

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Desentendimentos embaixo do tapete

“Se mesmo quando a gente perdoa é difícil digerir, processar e conter a irritação, imagine se a questão não foi conversada pelo casal?”, diz a psicóloga clínica e terapeuta de casal Triana Portal.

Engolir sapo, fingir que não viu ou passar por cima de alguma coisa para fugir de confusão são atitudes que devem ser evitadas em um relacionamento, porque, mais cedo ou mais tarde, os sentimentos vêm à tona. E, quando isso ocorre, a carga emocional envolvida é maior e a irritação, ampliada.

“Resolver questões emocionais dá trabalho e é natural termos preguiça emocional em alguns casos. Crescer dói, mas é necessário. Pessoas maduras emocionalmente sabem da importância de se conhecerem e dialogarem”, afirma a psicóloga Raquel Fernandes Marques.

Um dos dois está sobrecarregado de tarefas

Quando alguém está fazendo mais do que aguenta, o cansaço pode surgir na forma de irritação. A saída é distribuir as tarefas –pelo menos as domésticas– de maneira mais justa.
“Minha recomendação é que cada um escolha as responsabilidades de acordo com suas habilidades e preferências, mesmo que tenham feito tudo diferente por vários anos.

As mulheres tendem a pegar mais coisas para fazer, porém, com o tempo, começam a se ressentir e a reclamar”, diz Raquel. Segundo a psicóloga, em uma relação, não deveria existir o conceito de “ajudar em casa”, já que a responsabilidade é igual para ambos.

Sonhos e planos deixados de lado

Nem sempre as coisas saem conforme o planejado. Doenças, desemprego, conflitos familiares e problemas financeiros são apenas alguns dos contratempos que um casal pode enfrentar ao longo da vida em comum, levando a adiar ou cancelar certos objetivos.

Mas nunca é tarde para abrir o jogo, exercitar a resiliência e traçar novas metas. “É preciso entender que não adianta se lamentar pelo que falta ou por algo que já foi, mas, sim, se organizar emocionalmente para seguir em frente”, diz Triana.

Falta de dinheiro (e consequentemente de paz e lazer)

Esse é um problema sério e que, cada vez mais, leva muitos casais à separação. A privação é um teste para o relacionamento, por isso um casal deve ter consonância no uso do dinheiro, objetivos e sonhos comuns, assim fica mais fácil passar pelas fases difíceis. Culpar um ao outro por possíveis dívidas ou dificuldades não adianta nada.

O ideal é somar forças e traçar juntos um plano para sair da situação. A paz pode ser recuperada se houver equilíbrio entre as doses de realidade e esperança. E o lazer pode ser repensando: há várias coisas que podem ser feitas a dois que são de graça ou custam muito pouco.

Uso abusivo dos meios digitais

Segundo a psicóloga e terapeuta de casal Sandra Samaritano, essa é uma questão que vem causando muito ressentimento nos relacionamentos e levado muitos homens e mulheres para discuti-la e repensá-la com a ajuda de uma especialista.

“O exagero no uso do celular e na frequência de checagem de e-mails e mensagens no WhatsApp tem provocado distanciamento. É preciso prestar atenção para que a nomofobia, que é o medo de se sentir desconectado, não produza apatia entre o par. Isso pode levar a crises e, consequentemente, ao fim da relação”, fala Sandra.

O problema não é o outro nem a relação, é você

Para chegar a essa –muitas vezes, dolorosa– conclusão, é preciso analisar claramente a relação, a maneira como os dois vêm agindo e assumir responsabilidade pela parte que lhe cabe.
Segundo a terapeuta Triana Portal, é comum que a gente se irrite quando identifica no outro um comportamento que não aceitamos em nós mesmos, como ter mania de reclamar, por exemplo.

“Por outro lado, há também quem se irrite porque o par tem qualidades e características que a pessoa cobiça. Algumas pessoas sem querer disputam poder na relação e, quando o outro é algo que elas gostariam de ser, as picuinhas começam”, diz.

Dinâmica estressante

Você assumiu um papel e agora reclama e se irrita? Se aceitou alguma coisa e se arrependeu, não deveria culpar o outro por sua insatisfação. “Exemplos? A mulher que vira ‘mãe' do marido, o parceiro que se 'encosta' na mulher provedora ou quando um dos dois reclama que o outro é sovina, mas não quer trabalhar mais”, conta Triana.

Pessoas mal resolvidas cultivam dores e sentimentos negativos, que são projetados em forma de irritação. Conversar, rever os papéis, acertarem juntos o que cada um pode fazer para que o outro se sinta menos chateado são alguns caminhos.