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'Não saía bem nas fotos', diz mulher que fez plástica pela selfie perfeita

Arquivo pessoal
A funcionária pública Márcia Maria Moraes da Costa, 47, se submeteu a uma rinoplastia há um mês e meio Imagem: Arquivo pessoal

Daniela Carasco

Do UOL, em São Paulo

23/02/2018 04h00

A funcionária pública Márcia Maria Moraes da Costa, 47, submeteu-se a uma rinoplastia há um mês e meio. Apesar de não ser muito assídua nas redes sociais, não se sentia confortável com seus autorretratos antes de postá-los.

“Não saía bem nas fotos, eu repetia inúmeras vezes até alcançar o resultado desejado”, conta ela, que recorria com frequência aos truques de maquiagem para “suavizar” o nariz."Acredito que ele seja a alma do rosto. Ele faz toda a diferença no sorriso e nas fotos.” Por isso, admite que a selfie foi um dos principais motivos que a levou a entrar na faca.

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O objetivo de aliviar o aspecto do dorso e a largura do nariz foi, segundo ela, alcançado com sucesso. “Minha autoestima para fotografar melhorou muito. Eu me sinto confiante para fazer fotos agora”, contou.

Arquivo pessoal
Antes e depois da cirurgia de Márcia Imagem: Arquivo pessoal
Ela não está sozinha

Um levantamento recente realizado pela Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS, na sigla em inglês) concluiu que a obsessão por uma selfie perfeita tem influenciado a procura por cirurgias plásticas nos Estados Unidos. Segundo a instituição, uma das mais respeitadas da área, as plásticas para “selfies melhores” ultrapassaram o limite da tendência e se tornaram uma realidade. 

A pesquisa mostrou que “sair linda nas fotos” foi o principal motivo para 55% das intervenções de 2017. O cirurgião plástico Alan Landecker, especialista em rinoplastia e membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), nota um cenário parecido por aqui: “O impacto da selfie é uma realidade brasileira, sim.”

Por mês, ele realiza cerca de 15 rinoplastias e só tem visto a procura pelo procedimento aumentar. “Não diria que o motivo do autorretrato represente já a maioria, mas, no meu consultório, cada vez mais clientes têm usado a selfie para corroborar suas queixas”, diz.

Já Níveo Steffen, presidente da SBCP, vê o resultado da pesquisa com ressalvas. “É um retrato muito norte-americano”, diz. “E o que deve ser entendido nesses tipos de divulgação é que costuma existir um apelo econômico por trás, que acaba influenciando decisões e reforçando padrões de beleza.”

Ele garante não haver ainda nenhum levantamento oficial que mostre o autorretrato levando mais pacientes aos consultórios estéticos brasileiros.

Cuidado: sua selfie não diz tudo sobre você

Com mais de 7 milhões de seguidores no Instagram, Camila Coelho, uma das influencers de beleza mais aclamadas do mundo, revelou, em entrevista à Giovanna Ewbank, que evita tirar fotos fechadas no rosto por não gostar do próprio nariz. E, quando tira, recorre a recursos de retoque. “Uso Facetune [aplicativo que se assemelha ao Photoshop], claro! Para o nariz principalmente”, declarou, antes de revelar seu interesse em se submeter, um dia, a uma rinoplastia.

Reprodução
Camila Coelho só com BB Cream (à esq.) e com maquiagem completa (à dir.) Imagem: Reprodução
O uso desenfreado de aplicativos capazes de promover uma verdadeira reforma nas fotos e a moda do contorno de maquiagem camuflam o visual de muita gente por aí. Por isso, não vá achando que os traços daquela sua blogueira preferida sejam de fato supersimétricos, só os seus que não são. Por quê? Porque o autorretrato passa uma noção equivocada de qualquer visual. “E é função do especialista dizer isso aos pacientes”, diz Steffen.

Landecker explica que “a câmera muito próxima do rosto estoura e distorce a imagem”. Por isso vejo com ressalvas a procura por cirurgia baseada apenas na selfie”, explica. “A referência que se tem do próprio nariz depois de um autorretrato é completamente equivocada. Ela só ajuda o cirurgião a entender um pouco sobre as queixas do paciente. Mas não pode ser usada como referência determinante.”

O especialista conta que a distorção leva, portanto, muita gente à insatisfação mesmo após a cirurgia. “A selfie ajuda a propagar nas pessoas uma ansiedade desmedida quanto à própria aparência.”

Celebre seu nariz!

Em 2016, ano do último levantamento realizado pela SBCP, o Brasil registrou 839.288 cirurgias plásticas. Dessas, 5,3% foram rinoplastia (a sétima mais realizada), 3,3% de lifting facial e 0,5% de bichectomia. Mas os altos números não se restringem ao Brasil.

Por isso, na contramão desse cenário, uma campanha de valorização da própria imagem acaba de ser lançada nas redes sociais pela jornalista e escritora britânica Radhika Sanghani, que estava cansada de se sentir insegura com sua aparência. Por meio da hashtag #SideProfileSelfie (selfie de perfil, em tradução livre), ela incentiva mulheres a exibirem seu nariz como recurso de autoaceitação.

Até o fechamento desta reportagem, haviam sido publicadas 474 imagens, no Instagram, em apoio ao movimento.