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Direitos da mulher

9 coisas que aprendi saindo com os peitos de fora por São Paulo no Carnaval

Arquivo Pessoal
No carnaval, senti segurança para sair com os seios de fora. Mas na internet ainda não sinto essa segurança, não. Imagem: Arquivo Pessoal

Helena Bertho

do UOL

18/02/2018 14h55

O Carnaval 2018 foi marcante de muitas formas, mas o que mais marcou, indo além da folia e da bagunça, é que foi uma festa das mulheres. A gente disse não ao assédio, ocupou as ruas e teve a coragem de fazer isso com os seios de fora. Foi a primeira vez que fiz isso e sei de várias outras mulheres que também abraçaram a possibilidade dos mamilos livres ou apostaram nos adesivos para os seios!

Duas vezes tive coragem de exibir minhas tetas nas ruas de São Paulo. Em nenhuma delas, fiz isso para ficar sexy e seduzir pessoas. Não. Fiz porque senti que podia e porque queria gritar para o mundo: meu corpo não é objeto, é meu e uso como quiser.

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Foi divertido, libertador e também assustador. É claro que disso muitas lições ficaram:

1. Estar sem blusa e sutiã é ótimo para aliviar o calor

Existe um motivo pelo qual os homens gostam tanto de ficar sem camisa em contexto de sol intenso. Diminui mesmo o calor quando você tira a blusa e o sutiã. Assim como homens adoram a descoberta do vento nas partes íntimas quando usam saia, curti demais esse frescor nos mamilos.

2. Posso ser só mais uma pessoa sem blusa

No bloco Vaca Profana -- originário de Olinda, mas que saiu em SP neste ano -- estava cercada de mulheres de seios de fora e homens apoiadores do feminismo. Ali, pude me sentir segura e, depois da euforia inicial, completamente normal. Eu era só mais uma pessoa pulando o Carnaval sem blusa, como vários caras ao meu redor.

3. Todo mundo já viu muito seio, mas muita gente ainda se choca

Qualquer pessoa já mamou em um peito e, convenhamos, já viu muito peitinho no espelho, em contexto sexual ou pelo menos na TV. Mesmo assim, todo mundo dá uma primeira olhada escandalizada para os mamilos livres. Mas tentar tocar, ninguém tentou, ainda bem. 

4. Choca principalmente se a mulher não está seduzindo

Enquanto eu comprava bebida ou pedia um cachorro-quente, as pessoas olhavam confusas para a cena. Parecia que para muitos deles não fazia sentido aquilo: uma mulher com os seios à mostra fazendo zero esforço para ser sensual, muito pelo contrário. 

5. Alguns homens não entendem o recado

Eu estava com os peitos de fora e o símbolo do feminismo pintado neles. Mesmo assim, alguns homens -- que autoestima, né? -- acharam que eu estava querendo era seduzir, conseguir sexo, sei lá. Por isso, se sentiram no direito de fazer gestos obscenos e me mandar beijinhos. 

6. Em grupo é melhor

No segundo bloco em que tirei meu sutiã, eu fui a única entre minhas amigas. Foi divertido ali também e libertador. Mas, mesmo cercada de pessoas queridas, senti insegurança. Foram muitos olhares que se voltaram e os homens do tópico acima surgiram, me fazendo sentir medo de ser assediada.

7. É preciso ter uma blusa de prontidão

Verdade seja dita, enquanto estamos cercadas de amigos, é tudo muito legal. Mas no dia em que fui embora sozinha, não tive coragem de seguir meu caminho sem blusa. E se algum desconhecido me seguisse? E se o motorista do táxi ou Uber tentasse me assediar? Eu até podia estar querendo dizer pro mundo: meu corpo minhas regras, mas com os números da violência contra a mulher que temos, sabia que o meu "não" ainda não é tão ouvido.

8. Sutiã tem uma grande utilidade

Só no dia seguinte, depois de ter pulado por mais de cinco horas sem sutiã, foi que entendi uma das utilidades da peça: evitar o impacto dos seios quando você pula. Sério, doeu muito e me fez pensar que talvez os mamilos livres para mim sirvam melhor em contextos menos agitados.

9. Ficar com os peitos de fora é muito libertador

Apesar de todos os pesares, ter ocupado as ruas da minha cidade, onde normalmente passo medo, com meus seios à mostra, foi muito libertador. Por algumas horas, pude sentir como é ser dona do meu corpo e tomar uma decisão baseada no meu conforto, calor e vontade, e não no medo dos homens. Queria que a vida toda fosse assim: escolher usar ou não sutiã com base no que quero e não no medo.

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