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8 materiais que você achou que eram recicláveis, mas não são

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É possível reciclar papel sujo, mas muitas empresas rejeitam, porque a sujeira dificulta o tratamento do esgoto da recicladora Imagem: Getty Images

Carolina Prado e Letícia Rós

Colaboração para o UOL

16/02/2018 04h00

Por dia, cada brasileiro produz mais de um quilo de lixo, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Daí a importância da redução do consumo e da reciclagem.

Contudo, alguns itens do lixo doméstico não são recicláveis. Outros são, mas poucas empresas fazem o trabalho. O que, na prática, resulta naquele item indo parar no lixo comum. Veja quais são.

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Caixa de pizza

E também guardanapos e papel toalha usados. Tecnicamente é possível reciclar papel sujo, engordurado ou com restos de alimentos. Mas muitas empresas rejeitam, porque a sujeira dificulta o tratamento do esgoto da recicladora.

“O papel é triturado com água, então, parte da sujeira será diluída nessa água, que precisará de tratamento adequado”, explica o consultor ambiental Eduardo Bernhardt. O descarte deve ser feito no lixo orgânico.

Papéis encerados ou impermeabilizados

Como os que embalam lanches de redes de fast food. A separação das fibras de celulose é feita com água e, se o líquido não é capaz de penetrar no papel e enfraquecer a ligação entre as fibras, não é possível reciclar.

Também vão para o lixo comum papel manteiga, usado na cozinha, e papel vegetal.

Isopor

Segundo o coordenador do projeto Poli-Recicla USP (Universidade de São Paulo), professor José Carlos Mierzwa, esse é outro material que é reciclável, mas não é reciclado por rejeição das recicladoras, que têm baixo retorno financeiro com o isopor. Mas ele indica insistir no descarte em lixo limpo.

“Porque, por menor que seja a demanda por reciclagem, ela existe”, fala.

Sacolinhas de plástico e plástico bolha

Também são recicláveis e devem ser descartados como tal. Mas, por terem baixa densidade, a reciclagem pode não se tornar economicamente viável, por exemplo, por sua dificuldade de separação e limpeza.

O ideal, então, é evitar as sacolinhas de mercado e adotar as sacolas duráveis –as ecobags. Já o plástico bolha, utilize quantas vezes for possível antes de comprar novamente.

Esponjas de limpeza

As sintéticas são feitas de poliuretano. “É um plástico termorrígido que, depois de moldado, não retorna às suas características originais. Por isso a reciclagem é difícil”, conta o professor José Carlos Mierzwa.

As cooperativas brasileiras não processam esponjas domésticas, então, elas podem ser jogadas em lixo comum.

“O ideal é utilizar buchas vegetais para lavar louça e no banho, pois são fabricadas com matéria prima natural, que se decompõe facilmente”, afirma Maria Tereza Saraiva, pesquisadora da área de gestão ambiental e sustentabilidade e professora do Centro Universitário FEI, em São Paulo.

Vidro de box

O vidro temperado, utilizado nos banheiros e também em janelas, é menos danoso em caso de estilhaçamento, já que se quebra em pequenos fragmentos, sem lascas pontiagudas, o que reduz a chance de ferimento. Mas resistência que o torna mais seguro para uso doméstico, faz com que seja difícil reciclá-lo.

A alternativa apontada pelos especialistas é contatar a própria empresa que vendeu o vidro e checar se ela recebe o material.

Espelho

É difícil de ser reciclado, porque é composto por uma camada de prata, alumínio ou amálgama de estanho. Separar esses componentes do vidro é custoso e poucas empresas fazem isso. O ideal é utilizar esse material ao máximo e, quando for preciso descartar, contatar o fabricante para checar se ele recebe o material.

Palha de aço

O material usado para arear panelas e fazer limpeza pesada deve ser descartado no lixo comum. No entanto, não precisa usar com culpa. Embora não seja biodegradável, a palha de aço degrada sem causar impacto na natureza.

“O processo de ferrugem desse material indica a sua fácil decomposição química”, diz a engenheira ambiental Juliana Lourenção, professora da escola de Engenharia e Tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi, também na capital paulista.

Pode mandar para a coleta seletiva:

Plásticos reciclados: embalagens e tampas de xampus, detergentes e produtos de limpeza, embalagens plásticas de alimentos (caixinha de ovos, por exemplo), utensílios plásticos como canetas esferográficas (sem o reservatório da tinta), escovas de dentes, baldes, artigos de cozinha, copos, canos e tubos de PVC e embalagens PET.

Vidros: garrafas de bebidas e frascos de molhos, condimentos, perfumes e produtos de limpeza.

Metais: latas de óleo, sardinha, creme de leite, feitas com aço revestido com estanho; embalagens de alumínio, como latas de refrigerantes, cerveja, chás, tampa do iogurte, folhas de alumínio; ferragens; arame; fio de cobre; panela sem cabo; embalagem de marmitex.

Papéis: folhas de caderno, jornais, revistas, panfletos, cartões, cartolinas, caixas de papelão, de embrulho de presentes e papel de seda.

O que você precisa saber

* Se o material estiver misturado poderá ser reciclado, pois a triagem nas cooperativas é manual. Porém, ao separar vidros, dos papéis, plásticos e metais, você agiliza o trabalho dos cooperados, aumentando a produtividade.

* Lave o material antes de descartá-lo. Restos de comida em embalagens atraem animais, como roedores e insetos, o que prejudica a coleta seletiva e todos que trabalham nessa etapa. Só descarte o lixo reciclável sujo em último caso, caso esteja na rua, por exemplo.

* Papéis amassados dificultam o manuseio dos catadores e recicladores, porque criam volume. O ideal é mandar dobrado. “As caixas podem ser desmontadas e dobradas para reduzir o volume no transporte”, fala Maria Tereza Saraiva.