Violência contra a mulher

Festival de Cinema de Berlim entra na onda do #MeToo e discute abuso

AFP
Tapete vermelho do Festival de Berlim no ano passado Imagem: AFP

Deutsche Welle

14/02/2018 16h27

O Festival de Cinema de Berlim, a Berlinale, é tido como o mais politizado evento do gênero. E neste ano não poderia ser diferente. Quando o tapete for estendido e as primeiras cortinas se abrirem na capital alemã nesta quinta-feira (15), os filmes e artistas presentes devem ser ofuscados pelos escândalos de abuso sexual que vêm sacudindo a indústria do cinema e do entretenimento.

Refletindo o debate provocado recentemente pelo movimento #MeToo (Eu também) nas redes sociais – iniciado após uma série de acusações de abuso contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein –, a 68ª edição da Berlinale vai realizar eventos e debates sobre o tema.

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"Essa discussão certamente moldará muito o festival. Não é só sobre assédio sexual. É sobre discriminação como um todo", disse o diretor do festival, Dieter Kosslick. "A ressonância internacional do #MeToo rapidamente deixou claro que o problema não se limita a Hollywood."

Os eventos sobre o assunto planejados durante a Berlinale incluem painéis de discussão sobre como combater má conduta sexual na indústria do entretenimento, como incentivar mais filmes dirigidos por mulheres e como aumentar a atuação feminina em áreas técnicas da indústria do cinema.

Os escândalos que nos últimos meses abalaram as carreiras de grandes nomes, como Weinstein e Kevin Spacey, e incluíram denúncias de atrizes famosas, como Angelina Jolie e Uma Thurman, contribuíram para que o festival berlinense focasse o papel da mulher na indústria do cinema, dominada por homens.

Dos 19 filmes selecionados para a mostra principal da Berlinale, quatro foram dirigidos por mulheres: Twarz (Mug); da polonesa Malgorzata Syumowska; Touch Me Not, da romena Adine Pintilie; 3 Days in Quiberon, da berlinense Emily Atef; e Figlia Mia, da italiana Laura Bispuri.

A Berlinale foi obrigada a excluir da programação cerca de cinco produções porque o diretor, o roteirista ou algum ator no elenco era alvo de acusações credíveis de má conduta sexual, segundo Kosslick.

Tapete preto

A atriz alemã Claudia Eisinger lançou uma petição online para que os organizadores da Berlinale troquem o tradicional tapete vermelho da abertura por um preto. Até a tarde desta quarta-feira, a campanha, intitulada #blackcarpetberlinale, já havia reunido mais de 21 mil assinaturas.

"#MeToo é a tempestade catártica que finalmente está trazendo uma ruptura. Finalmente a luz recai sobre um sistema há muito ultrapassado e expõe as queixas não apenas de uma indústria, mas de toda a sociedade", diz Eisinger no texto que acompanha a petição. "Em Hollywood, as atrizes se vestiram de preto. Em Berlim, queremos um tapete preto."

Ecoando a decisão de muitas atrizes que se vestiram de preto na cerimônia do Globo de Ouro em solidariedade às vítimas de assédio em Hollywood, o diretor da Berlinale afirmou que não haverá um código de vestimenta no festival.

"Eu só posso pedir que cada mulher venha vestida como quiser", disse Kosslick. "Nunca tivemos um código de vestimenta na Berlinale. E eu nunca barraria uma mulher por usar sapatos baixos ou um homem por usar salto."

Até o dia 25 de fevereiro, o Festival de Cinema de Berlim exibirá um total de 385 filmes de mais de 80 países. Além de assédio sexual e discriminação, questões de gênero, etnia, deficiência, identidade sexual e diversidade religiosa serão outros temas de destaque. Mais de 300 mil ingressos já foram vendidos.

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