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Diversidade

7 frases que são homofóbicas e as pessoas falam sem perceber

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"Eu não tenho problemas com lésbicas. Inclusive, adoro vê-las se pegando" é uma expressão machista e homofóbica Imagem: Getty Images

Carolina Prado

Colaboração para o UOL

14/02/2018 04h00

Foram 445 homicídios de LGBTs registrados em 2017, 30% a mais que no ano anterior. O dado é do Grupo Gay da Bahia, que há décadas coleta estatísticas sobre assassinatos de homossexuais e transgêneros no país. O preconceito e a intolerância alimentam essa estatística. Listamos, a seguir, sete frases que são homofóbicas e as pessoas falam sem perceber:

“Eu não sou preconceituoso. Até tenho um amigo gay!”

Começar com “não sou preconceituoso” não anula o preconceito. Dizer que tem um amigo gay é totalmente desnecessário. “É óbvio que todo mundo tem um amigo gay, assim como tem um amigo hétero. Ser gay é tão natural que nem deve ser comentado”, diz Douglas Drumond, militante LGBTI e dono do Chilli Pepper Single Hotel, destinado ao público gay.

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"Tudo bem ser lésbica, mas precisa se vestir como homem?"

“Uma mulher heterossexual só pode usar saia também?”, questiona Fabrício Viana, da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Além de ser preconceituosa, a expressão interfere no modo do outro de ser. Quer dizer, além de julgar a sexualidade alheia, está embutido na frase um desejo de controlar o que o outro veste. 

“Que desperdício!”

Bem comum de dizer ao ver alguém que acha bonito, mas não é hétero. É preciso ponderar: você diz a mesma coisa para uma pessoa comprometida? Ou para uma pessoa que simplesmente não teve interesse em se relacionar com você? Dizer isso apenas para LGBTs mostra uma carga de julgamento e preconceito.

“Eu não tenho problemas com lésbicas. Inclusive, adoro vê-las se pegando”

Toni Reis, diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI e diretor executivo do grupo Dignidade, ressalta que, além de preconceituosa, a expressão é também machista. “Muitos homens acabam tendo essa fantasia, que é fruto da visão do corpo feminino como um objeto.”

“Que viadagem!”

Termos como “machão”, “bichinha” ou “mulherzinha” não deveriam ser usados para pontuar uma atitude. Achar que homens só podem usar azul e mulher só cor-de-rosa limitam os comportamentos de todos. Existem LGBTs sensíveis? Claro. Assim como héteros. 

“Ser gay, tudo bem. Mas não dê em cima de mim!”

Neste caso, existe ainda uma autoestima elevada demais, por presumir ser irresistível para qualquer orientação sexual ou identidade de gênero. “Já ouvi essa frase algumas vezes. E fui bem direito com meu interlocutor: ‘Mas você não me parece nem interessante pra outras mulheres, muito menos pra mim, não precisa se sentir tanto, não vou mesmo te agarrar!’”, lembra Viana.

“Mas precisa ficar se exibindo assim?”

Viu um casal homoafetivo se beijando? Entenda que é um direito dele, assim como do casal hétero. “Se uma mulher sentar no colo de outra, para muita gente, ainda é absurdo. Mas se uma mulher senta no colo do namorado, é visto de forma natural”, lembra Douglas Drumond.

Mudança de hábito

Ninguém é obrigado a saber de tudo. Na dúvida, cabe o respeito pelo outro. Errou, ofendeu sem querer? Peça desculpas. “Chamou uma travesti de ele, mas deveria ter chamado de ela? Corrija. A gente evolui quando interage com o outro”, fala Viana.