Diversidade

Metade dos iranianos é contra o hijab obrigatório

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A advogada foi impedida de realizar seu trabalho com o hijab pelo juiz do caso Imagem: Getty Images

da DW

07/02/2018 09h53

Em meio a protestos contra o véu islâmico, governo divulga dados de três anos atrás que revelam queda acentuada na aceitação das leis que impõem o que elas devem ou não vestir.

Em meio aos protestos contra a obrigatoriedade do véu islâmico, o gabinete do presidente iraniano, Hassan Rohani, divulgou um estudo realizado há três anos que sugere que quase metade da população do país é contra as imposições sobre o que as mulheres devem ou não vestir.

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O estudo, divulgado no domingo (06/02), compara dados de 2006, 2007, 2010 e 2014, demonstrando uma queda acentuada no apoio às restrições sobre as vestimentas femininas, uma das maiores mudanças nos hábitos sociais impostas pela Revolução Islâmica de 1979.

Segundo o Centro de Estudos Estratégicos da presidência do Irã, em 2006 apenas 34% dos iranianos entendiam que o governo não deveria ditar o que as mulheres devem ou não vestir. Até 2014, esse percentual aumentou para 49%.

Os números revelam ainda a queda no apoio ao uso das vestimentas religiosas mais rígidas, como o chador. Em 2006, 54% dos entrevistados defendiam as mulheres deveriam utilizar o traje que cobre todo o corpo, deixando apenas o rosto e as mãos à mostra. Em 2014, apenas 35% eram favoráveis ao uso do véu em forma de capa.

Em 2006, quase a metade da população era favorável a punir juridicamente as mulheres que se recusassem a cobrir a cabeça em público com o hijab. Há três anos, esse percentual era de 39%. Estima-se que de 2014 até os dias atuais, tendo em vista a onda de protestos pelo país, o apoio à obrigatoriedade do véu islâmico deve ter caído ainda mais.

Pode parecer estranho que o presidente Rohani divulgue esses dados em meio à repressão da polícia religiosa ao grande número de mulheres que protestam contra a obrigatoriedade do uso do véu islâmico no país, dias após a prisão de 29 mulheres que manifestaram publicamente. Esta, porém, é a segunda vez que o presidente utiliza esse tipo de estratégia como uma aparente tentativa de manobra política.

Em dezembro, Rohani divulgou o orçamento do governo por completo, afirmando se tratar de uma medida de transparência. Eleito com uma plataforma reformista, o presidente esperava que o descontentamento com a falta de mudanças reais nas leis do país fosse abafado pelos dados sobre os valores que o governo é obrigado a pagar a instituições religiosas e a alguns funcionários.

Mas, o tiro saiu pela culatra. Protestos em massa contra o sistema político e a estagnação da economia eclodiram em várias cidades, com as maiores manifestações ocorridas no país desde a revolta contra as contestadas eleições de 2009. Ao menos 21 pessoas morreram em confrontos com a polícia.

O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, atribuiu os protestos a agitadores estrangeiros. O promotor-público de Teerã, Mohammad Jafar Montazeri, também joga a culpa nos protestos contra o hijab em inimigos externos. Rohani, porém, parece sugerir que o governo deve ouvir a voz das ruas.

A lei em vigor desde a Revolução Islâmica de 1979 impõe às mulheres o uso do véu e de vestimentas que escondam as formas do corpo. O rigor da polícia ao cumprir a lei parece diminuir à medida que aumentam os protestos contra o hijab.

A chamada polícia da moralidade costumava ser bastante rígida no cumprimento da lei, mas a as ações repressivas se tornaram mais escassas desde que Rohani assumiu o poder, em 2013, prometendo maiores liberdades civis.

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