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Mães e filhos

Mesmo antes de aprender a falar, o bebê se comunica; veja como incentivar

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Ler para o filho é uma maneira de estimular a fala da criança Imagem: Getty Images

Bárbara Therrie

Colaboração para o UOL

07/02/2018 04h00

O desenvolvimento da linguagem do bebê ocorre quando ele ainda está dentro da barriga da mãe. Quando nasce, ele se comunica, inicialmente, pelo choro e, depois, vai evoluindo, por meio dos gestos, do balbuciar, da experimentação com frases até, finalmente, falar de maneira clara.

A seguir, as fonoaudiólogas Isabella Bonzi e Rafaela Rossi Barbieri falam da evolução dessa aprendizagem por faixa etária.

A descrição das conquistas por idade são referências. Mas os pais devem ter em mente que sempre existirão crianças que alcançarão certas realizações mais cedo ou mais tarde. Na dúvida sobre o desenvolvimento do filho, vale um bate-papo com o pediatra.

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De zero a três meses

Do nascimento até os três meses de vida, o choro é a principal forma de comunicação dos bebês. Nessa fase, eles costumam dormir bastante, mas, quando estão acordados, podem tentar se expressar por meio de sorrisos, gargalhadas, gritinhos e choramingos, demonstrando satisfação ou não frente ao que estão vivendo. Eles não são capazes de emitir sons complexos, mas já conseguem detectar alguns, respondendo com o piscar dos olhos, o despertar do sono e até a interrupção das mamadas.

Os bebês se acalmam quando escutam a voz da mãe. Isso ocorre porque eles ouvem a voz materna desde o ventre (a partir do quarto mês de gestação) e, portanto, estão mais habituados a essa frequência sonora, que é um estímulo familiar a eles.

Dica: mantenha o contato visual, sorria e explore a expressão facial. Isso contribuirá para que ele perceba o mundo e as pessoas ao redor. No nascimento, as crianças têm o campo visual diminuído e enxergam as formas de maneira embaçada quando estão a mais de 30 centímetros de distância. Além disso, investir na musicalização para ninar, aquietar ou entreter favorece a aproximação do pequeno com a linguagem falada.

De três a seis meses

Nessa faixa etária, o desenvolvimento da fala se manifesta com gritos, resmungos e repetições de sílabas. Com três meses, os bebês emitem sons repetitivos, como “aaaaaa” e “ppppppp”. Aos seis, eles balbuciam sílabas repetidas “papapa” e “dadada”. Apesar de ainda não terem maturação cerebral para formar palavras, eles percebem as entonações e as melodias da fala e conseguem copiá-las. Eles fazem sons como se estivessem conversando em uma língua própria, em uma experiência de autoconhecimento.

O bebê imita a melodia da voz materna por ser a maior referência que ele tem. Ele olha o movimento facial feito pela mãe, ouve o som que saiu da boca dela e reproduz o que enxerga e escuta. Até as expressões faciais, como raiva e alegria, podem ser copiadas por eles.

Dica: converse muito com o bebê, posicionando-o de frente para o seu rosto, bem próximo. Cante, fale e repita sons. Ao mostrar objetos, coloque-os perto da sua boca para que ele possa visualizar os movimentos e correlacionar as palavras.

Use o “manhês” (fala típica que adotamos para conversar com os bebês) com voz suave, aguda, vogais prolongadas e carregado em melodia. Não deixe o pequeno muito tempo exposto à televisão ou à internet. Esses meios podem limitar a comunicação oral. O bebê só aprenderá a balbuciar e a ensaiar as primeiras palavras se tiver experiência com pessoas reais.

Seis meses a um ano e meio

A partir dos nove meses, eles entendem comandos como “não” e “tchau”. E compreendem frases simples com apoio gestual, como “bate palminha”. Dos seis aos dez meses, eles balbuciam palavras. Com um ano, dizem “mamã” para mamãe e “papá” para papai. E apontam o que querem e indicam aonde desejam ir. Além disso, conseguem memorizar mais palavras e identificar algumas partes do corpo, como boca, barriga, nariz ou pé. Entre um ano e um ano e seis meses, a criança tem vocabulário de aproximadamente 50 palavras.

Dos 18 aos 24 meses, o bebê começa a combinar frases com duas palavras para expressar suas necessidades, como “da pepê” (dar chupeta) e “nenê papa” (neném quer comer). As palavras produzidas têm predominância dos fonemas p, b, m, n, t, d.

Dica: deixe seu filho explorar o ambiente e manipular objetos. Incentive-o a brincar com brinquedos grandes, coloridos e que façam barulho. Cante músicas. Imite sons de animais com um gesto que remeta ao bicho. Se for imitar uma galinha, por exemplo, diga “cocoricó” e reproduza o movimento de bater asas. Mostre as partes do corpo e nomeie as pessoas da família (mamãe, papai, vovô, vovó).

Um ano e meio a três anos

Com cerca de 50 a 200 palavras no vocabulário, as crianças com dois anos conseguem responder a perguntas com “sim” e “não”, cumprimentar, reclamar, requerer atenção e indicar uma ação que realizarão. A partir dos três anos, elas já conhecem as cores, os números (de um a dez), produzem frases mais complexas, usando os verbos “ser” e “estar”, e entendem ordens. Eles também contam pequenas histórias, relatam experiências e explicam os sentimentos.

Dica: permita que a criança fale espontaneamente. No caso de ela dizer algo errado, ensine a maneira correta. Por exemplo: se ela disser “Auau taiu ão”, responda dando o modelo certo “Auau caiu no chão?”. Assim ela vai percebendo auditivamente as palavras e tentando corrigi-las. Conte histórias com o apoio de livros com imagens. Ao ler, mostre as figuras e faça sons diferentes para cada personagem. Depois, peça para ela recontar a história usando a imaginação.

Até quatro anos

Espera-se que a linguagem oral da criança esteja praticamente desenvolvida, no entanto, ela pode trocar o “r” pelo “l” (barata por balata). Nessa idade, as crianças se expressam bem, contam fatos, histórias, cantam músicas e fazem perguntas mais elaboradas e abstratas. Seu discurso é fácil de ser compreendido por outras pessoas, e seu vocabulário checa a 2.000 palavras.

Dica: estimule seu filho a contar o dia dele, pois, dessa forma, ele aprenderá as conjugações verbais, pronomes, adjetivos, conectivos. Brinque de telefone sem fio com ele e invista nos jogos de quebra-cabeça, de memória e de competição.