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Direitos da mulher

Bar "emagrece" mulher em copo de bebida e é acusado de gordofobia

Reprodução/Facebook
Propaganda de bar é alvo de reclamações e acusações de gordofobia Imagem: Reprodução/Facebook

Amanda Serra

Do UOL, em São Paulo

01/02/2018 20h19

Para anunciar uma festa de tequila, o bar West Pub, de Ribeirão Preto (SP), fez um anúncio no Facebook insinuando que o consumo de bebida transforma a visão sobre o corpo de uma mulher. Com o enunciado "tome cuidado", a imagem publicada mostra uma mulher gorda ao fundo, mas que aparece magra dentro do copo. “Amanhã, no West Pub vai rolar muita tequila. Tome cuidado. #perigo”, dizia o texto.

A propaganda gerou polêmica nas redes sociais e diversas pessoas acusaram o bar de gordofobia e machismo, já que a foto expunha pessoas gordas, uma mulher em específico, ao ridículo. Por conta da repercussão negativa, o local excluiu o post de suas redes sociais.

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Esse tipo de propaganda é bastante prejudicial, pois valida a ideia de que se sentir atraído por uma mulher gorda é um erro, um demérito, sendo justificado apenas pela embriaguez. Diante de tantas coisas horríveis que podem ocorrer com o consumo excessivo de álcool, fazer esse tipo de chacota é, além de um atestado de incapacidade de criar uma peça publicitária minimamente inteligente, extremamente ofensivo para a autoestima de mulheres gordas”, afirma a ativista anti-gordofobia Rachel Patrício.

Enquanto diversas marcas, principalmente de bebidas alcoólicas, vêm tentando se reposicionar no mercado na tentativa de não objetificarem a mulher ou serem preconceituosas em seus anúncios, o machismo ainda está presente na publicidade.

“A gente acaba acreditando na evolução das ideias e esperando que as pessoas se esforcem um pouco para sair da zona de conforto. Diante de tanta informação disponível, quando alguma empresa solta esse tipo de peça, minha certeza é a de querer criar um burburinho. Mediocridade também chama atenção. A carga de ideias machistas e gordofóbicas ainda é muito presente nas estruturas da nossa sociedade, e a mídia acaba por representar isso de alguma forma”, argumenta Rachel.

Procurado pelo UOL, o West Pub afirmou que só se pronunciaria via advogado. A reportagem acionou a área jurídica da empresa diversas vezes, mas o advogado responsável não se pronunciou até o fechamento deste texto.