Mães e filhos

Debates: selinho entre pai e filha no "BBB", você é contra ou a favor?

Reprodução/TV Globo
Ayrton e a filha, Ana Clara, lavam a louça na casa do "BBB 18"; selinho entre pai e filha gerou polêmica Imagem: Reprodução/TV Globo

Denise de Almeida

Do UOL

26/01/2018 07h00

Absurdo para uns e gesto de carinho para outros, dar selinho nos filhos está longe de ser uma unanimidade entre as famílias brasileiras. Tanto é que o beijo entre um pai e uma filha, já adulta, virou polêmica ao ser transmitido em rede nacional. As cenas foram protagonizadas nos primeiros dias do "Big Brother Brasil 18" (Globo), por Ayrton e Ana Clara Lima, dois dos participantes desta edição.

A repercussão foi tamanha que a emissora optou por reunir a família para uma conversa, e o apresentador do reality, Tiago Leifert, revelou como o público estava reagindo fora da casa.

O UOL ouviu famílias com hábitos diferentes e especialistas em comportamento humano para debater seus pontos de vista.

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Eu beijo

Priscila Prates, 29, é a favor dos selinhos. Ela beija não apenas o filho na boca, como também mantém o hábito com o pai e os irmãos (hoje com idades entre 32 e 47 anos) até hoje.

"Desde a minha infância sempre foi assim. Fui criada beijando na boca da minha mãe e do meu pai, e nunca vi maldade nisso. Até hoje cumprimento meu pai e irmãos com selinho. As pessoas ficam olhando, porque, às vezes, estou de mão dada com meu marido e me veem beijando dois outros homens. Acham que a gente está fazendo uma orgia ali", diz, aos risos.

Priscila, que trabalha como assistente administrativa, conta que leva na brincadeira o espanto dos outros. "Entendo que muita gente não foi criada desse jeito e acha que o beijo na boca é algo malicioso. Mas, no meu caso, não é. Acho que, se existe amor, se é feito com carinho, não há maldade”, fala.

Mãe de um garoto de cinco anos, ela conta que se arrepende de não ter dado um selinho na mãe no dia em que ela morreu. Priscila conta que, na ocasião, não cumprimentou a mãe do jeito de sempre. "Ela teve um derrame e foi levada ao hospital. Não tive esse contato que eu tinha todos os dias com ela, e lamento não ter feito. Por isso, quando estou com meu filho, eu o beijo mesmo, falo que o amo toda hora. Não sei o dia de amanhã."

Não beijo

Crisle Porto, 30, é do time dos sem selinho. "Sou contra. Entre pais e filhos existem diversas outras formas de demonstrar o amor, carinho e, principalmente, respeito. Na minha opinião, a criança perde a referência do que pode e do que não pode com esse ato, pois, se os pais lhe dão selinhos, outras pessoas podem fazer o mesmo, e ela achar normal", afirma.

"Na minha casa, demonstramos sempre o sentimento e o quão importante ele é, mas com abraços, beijo no rosto, um bom dia, boa noite, bênção. Também fazemos as refeições, sempre que possível, juntos, dizemos a todo momento o quanto amamos e doamos nosso tempo para eles", diz Crisle.

A consultora autônoma explica que essa foi a criação que teve dos pais –eles não beijavam os três filhos na boca nem permitiam que alguém fizesse isso. "Por mais que fossem reservados, meus pais também sempre foram muito abertos comigo e meus irmãos. Sempre nos explicaram sobre tudo. Eles diziam que o selinho era uma demonstração de afeto que deveria ocorrer entre um casal."

Crisle afirma que ela e o marido tiveram o mesmo tipo de criação e que educam da mesma forma os dois filhos, de três anos e de sete meses. "Conversamos sempre com o mais velho, dizendo que não pode deixar ninguém beijar a boca dele, somente a bochecha. Sou contra, porém, respeito que você ou qualquer outra pessoa faça com os seus filhos. Mas, com os meus, não."

Já teve até briga na família quando uma cunhada beijou o filho de Crisle na boca. "Ela voltou a fazer e meu filho me contou. Logo em seguida, ela ligou e, quando os dois estavam conversando por vídeo, ela falou 'beijo'. Ele respondeu: 'só na bochecha, na boca não pode'. Acredito que ele assimilou o que tentamos passar para ele."

Fenômeno universal, mas com várias interpretações

O beijo é um fenômeno universal, afirma Darrell Champlin, antropólogo com especialização em psicologia. "Não tenho notícia de uma cultura atual em que não exista beijo. É um mecanismo que se usa para demonstrar afeto e, frequentemente, esse beijo é na boca. Em algumas culturas, em especial nas ocidentais, o beijo, quando na boca, também assume uma roupagem romântica. Como exemplo, há prostitutas que dizem fazer de tudo com o cliente, menos beijar na boca."

Americano radicado no Brasil, o antropólogo não condena os selinhos entre familiares e lembra que os hábitos tendem a ser completamente diferentes ao cruzarmos fronteiras: na Rússia, os homens se cumprimentam com beijo na boca, por exemplo. "É um cumprimento apenas respeitoso. É o mesmo para algumas famílias que beijam o filho na boca, mas, na nossa cultura, ainda é algo que pode gerar resistência. Vai ter gente que vai entender esse ato como algo extremamente sexual. Mas, para alguns, é apenas um gesto de carinho, desconectado de qualquer conotação sexual."

Ele explica que na antropologia esse conflito de reações é chamado de choque cultural. "Vai muito da interpretação pessoal. Apenas lamento que na cultura da gente haja tanto estranhamento para tudo."

Contágio de doenças e possível confusão

Já a psicóloga Luciana Rocha não vê com bons olhos o hábito de beijar crianças na boca. "Primeiro há a questão de transmissão de bactérias e vírus pelo beijo, e crianças muito novas são mais suscetíveis ao contágio. Além disso, o selinho na nossa cultura ainda é um ato que tem um significado sexual. Em geral, quem se beija assim namora ou tem algum envolvimento de aspecto amoroso."

Ela reconhece que algumas famílias adotaram a prática do beijo com outro significado. "Nesses casos, foge do aspecto sexual para ir ao campo de um afeto, um carinho. Mas acho que, na nossa cultura, isso pode ficar confuso, em algum momento, na cabeça da criança. Não acho que seja uma prática legal."

Para quem tinha esse hábito com os próprios pais e o levou para a criação do próprio filho, a psicóloga indica ficar atenta aos sinais que ele dá. "Vale a pena só até o momento em que estiver confortável para a criança, nada de forçar. Tem de ser algo natural, agradável e afetivo, para todos os envolvidos."

É comum que filhos tentem, em determinada idade, reproduzir beijos nos pais, mesmo nas famílias não adeptas dos selinhos, para imitar algum comportamento que observaram. Nesses casos, a melhor saída é a conversa com a criança, indica a psicóloga. "A família deve explicar em quais contextos aquilo é permitido, que há diferentes formas de demonstrar carinho e que selinho não cabe na relação que eles têm. É preciso começar a explicar para a criança quais são os valores daquela família."

O que pensa sobre beijar filhos na boca?

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