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Grupo de mídia evangélico usa linguagem LGBT para fazer propaganda anti-gay

do UOL, em São Paulo

23/01/2018 11h46

O grupo de mídia evangélico "Anchored North", fundado na Califórnia, nos EUA, tem usado a linguagem de campanhas digitais pró-LGBT, como #ItGetsBetter e #LoveWins, para promover terapias de conversão, entre outras mensagens homofóbicas.

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Em um vídeo viral batizado de "Love is Love" — "amor é amor", em tradução livre —, uma jovem chamada Emily narra sua jornada pessoal para sair do armário. "Amor não acontece necessariamente entre homem e mulher. Se você é um verdadeiro cristão, ficará do meu lado porque Deus é amor", ela diz nas imagens.

Toda a identidade visual da produção traz as cores do arco-íris, como em uma mensagem tipicamente pró-orgulho da comunidade LGBT. No entanto, cerca de dois minutos depois, Emily entra em uma igreja e afirma que procurou no Google os versículos da Bíblia associados à homossexualidade. "Eles me assustaram bastante", afirma no vídeo.

No fim, ela termina abraçada a um homem enquanto explica: "Não é [uma transição] de gay para hétero, mas sim de 'perdida' para 'salva'". O argumento do vídeo pontua que humanos "não nascem assim", como entende a comunidade LGBT, mas sim, que eles nascem em pecado e podem encontrar esperança em Jesus.

Repercussão da publicação

Greg Sukert, um dos fundadores do "Anchored  North", disse ao jornal britânico "The Guardian" que o vídeo não promove terapia de conversão — uma prática psicoespiritual que visa alterar a orientação sexual do indivíduo em questão.

"A mensagem de que alguém pode mudar a atração e o desejo que sente não é a mesma que a da terapia de conversão. O princípio dela é usar a psicoterapia para alterar o comportamento de alguém, que não é a nossa mensagem. O que estamos dizendo é que Deus pode mudar seu coração".

Ele ainda afirmou que o grupo de mídia tem sido perseguido por causa de suas crenças religiosas e seu desejo de ajudar "almas perdidas".

Desde sua publicação em 28 de dezembro, o vídeo já acumula mais de 2,2 milhões de visualizações no Facebook e milhares de comentários a favor e contra a mensagem — o que não inclui os números da audiência no Youtube ou no site do grupo, onde é possível encontrar outros conteúdos para a geração Y como "Bebês abortados vão para o céu?" e "Eu perdoei meu estuprador". 

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