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Ritmo e muito girl power fazem Anitta e Ludmilla bombarem entre portuguesas

Claudio Andrade/Photo Rio News
Anitta e Ludmilla em show Imagem: Claudio Andrade/Photo Rio News

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Portugal

19/01/2018 04h00

"Cheguei/ Cheguei chegando/ Bagunçando a zorra toda/ E que se dane/ Eu quero mais é que se exploda…” O hit da cantora carioca Ludmilla ecoa em uma festa na cidade universitária de Coimbra, região central de Portugal. Longe do fado e dos turistas, jovens portuguesas vibram com o funk made in Brazil.

“Tem muitos estudantes brasileiros por aqui, mas são os portugueses que pedem. Há cerca de um ano o funk do Brasil ficou muito popular entre os jovens, que encontram as músicas no Spotify ou no Youtube. Especialmente as mulheres”, diz Pedro A, DJ que controla o som do encontro.

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O que explica sucessos mais antigos, como “Show das Poderosas”, de 2013, nas baladas portuguesas. Mais citada no país quando assunto é funk, Anitta está confirmada para o Rock in Rio Lisboa, em junho, e tem duas músicas entre as dez mais reproduzidas no Spotify Portugal.

“Gosto do ritmo das músicas. É um estilo que dá bem para dançar”, resume Ana Santiago, 21, aluna de Línguas na Universidade de Aveiro.

Para a estudante Mara Almeida Abelha, 19, a batida do funk brasileiro também é a principal razão de seu sucesso em Portugal. “É o melhor para animar. É o adequado para as festas. Toda a gente gosta. E, mesmo que não goste, acaba se animando”.

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Ana Santiago Imagem: Reprodução
 
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Mara Abelha Imagem: Reprodução

Girl Power

Letras ousadas e cantoras de sucesso destacam uma imagem da mulher moderna, mais independente e dona própria vida, inclusive sexual. O empoderamento feminino, que em termos de funk já é preponderante no Brasil há alguns anos, começa a aparecer também em Portugal.

“Quando ouço determinadas músicas, ganho outra motivação. O funk nos transmite segurança e confiança. Faz da mulher uma obra de arte”, explica Abelha.

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Carolina Rosa Imagem: Reprodução

Carolina Maria Nunes Rosa, 18, estudante de Direito na Universidade de Coimbra, é atraída primeiro pelo ritmo, “que sempre faz dançar” e “pela alegria que transmite”, mas também destaca as letras.

“Faz qualquer mulher se sentir poderosa e com força para mover o mundo. Acho que, sem dúvida, esse fator enriquece muito o funk”, avalia Rosa.

 

As letras, claro, contam para o sucesso. As histórias, mesmo as mais picantes, são consideradas curiosas e engraçadas. As diferenças —acredite, há muitas entre o português falado no Brasil e sua língua materna — parecem não atrapalhar.

“Eu não tenho muita dificuldade, mas por vezes cantam de forma muito rápida. Quando há uma expressão que eu não entendo vou ver a letra à internet e tento compreender. Isso aconteceu recentemente e por acaso perguntei a uma amiga brasileira e ela explicou-me”, conta Rosa.

Rabiola

Mara Abelha também recorre a conversas com amigos para compreender uma ou outra palavra que lhe escapa. Às vezes a tradução pode espantar.

“Fiquei surpresa quando soube o significado de ‘raviola’, é assim que fala?”, pergunta, se referindo, na verdade, à palavra “rabiola”, no funk homônimo de MC Kevinho e seu refrão “mexe a raba, mexe a rabiola”.

A confusão é mais simples do que parece. Na canção, há uma associação ao biquíni justo na bunda e a linha no final das pipas. Em Portugal, bunda é rabo, mas sem uma conotação, digamos, mais agressiva como no Brasil.

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