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Ellen Pompeo é a mulher mais bem-paga da TV, mas ainda é pouco. Entenda:

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Ellen Pompeo como a Meredith Grey de "Grey's Anatomy" Imagem: Divulgação

Mariana Araújo

do UOL, em São Paulo

19/01/2018 17h12

Ellen Pompeo vive uma das personagens mais populares e complexas do mercado de séries, a Meredith Grey de "Grey's Anatomy", há 13 anos e 14 temporadas. Não à toa, a notícia de que ela se tornou em 2018 a atriz mais bem paga da tevê americana foi comemorada por fãs pelo mundo todo nas redes sociais. 

Ainda que haja motivo para celebrar que uma das produções mais rentáveis do seu meio seja protagonizada por uma mulher (e que ela esteja recebendo um bom pagamento por isso), a conquista de Ellen também é, ao mesmo tempo, um exemplo de que o tal gender pay gap — a diferença salarial entre homens e mulheres —continua vivo.

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De acordo com o "The Hollywood Reporter", a protagonista da série receberá pelas próximas duas temporadas, a 15ª e a 16ª, US$ 20 milhões por ano. No entanto, esta é a compensação por uma dupla jornada: Ellen não atua apenas em "Grey's", ela ainda produz a série e o seu spin-off, uma história derivada do drama médico que retratará as vidas de bombeiros e deve estrear em setembro.

Seu salário como atriz seria, então, cerca de US$ 13 ou 14 milhões, e o restante é referente às outras atividades que ela exerce dentro do estúdio. Por episódio, afirma a publicação, Ellen receberá US$ 550 mil nos próximos dois anos.

Ou seja, cerca de metade do que Jim Parsons, o ator mais bem pago da tevê americana desde 2014, recebe por episódio de "The Big Bang Theory" para encarnar Sheldon Cooper: US$ 1 milhão, o que resulta em um salário anual de US$ 27,5 milhões, segundo a "Variety".

Ainda que ambos sejam bem pagos, é preciso levar em consideração a defasagem temporal entre os dois valores: Jim já valia esta cifra para os estúdios há quatro anos. E que, além da dupla jornada que exerce, Ellen é a protagonista da produção, enquanto o ator — apesar de ser uma estrela para o elenco — é parte de uma comédia de grupo.

A atriz falou abertamente ao "The Hollywood Reporter" sobre as dificuldades de negociação que experimentou e como enxerga que, algumas delas, se devem ao fato de ser mulher.

"Um cara jamais teria dificuldade em pedir US$ 600 mil por episódio. E, como mulheres, nós questionamos: 'posso pedir isso?'. Eu liguei para a Shonda [Rhimes, criadora de "Grey's Anatomy" e uma das fundadoras da iniciativa "Time's Up"] e perguntei: 'estou sendo muito gananciosa?'", lembrou.

Durante os 11 primeiros anos da produção, a atriz dividiu as telas com Patrick Dempsey, o eterno McDreamy. E, segundo Ellen, a parceria era usada pelos estúdios para convencê-la a não renegociar seu contrato. "Não precisamos de você, temos Patrick", ela conta que ouviu ao pedir um aumento de US$ 5 mil em relação a ele.

"Eu poderia ter saído, então por que não saí? Era a minha série, eu era a protagonista. Eu tenho certeza que senti o que muitas outras atrizes sentem: devo deixar um grande papel por causa de um cara? Você sente em conflito, mas pensa: 'não vou deixar que um cara me tire da minha própria casa'". 

A atriz ainda frisa que o rosto e a voz dela são parte de um negócio que gerou US$ 3 bilhões para a Disney, dona da emissora "ABC", que detém o direito da série. "[Uma hora], você começa a sentir que 'ok, talvez eu mereça um pedaço disso'".

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