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Pílula do dia seguinte é abortiva? Esclareça essa e outras dúvidas

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Enquanto a pílula de uso contínuo tem 99% de chances de eficácia, a do dia seguinte oferece uma segurança máxima de 70% Imagem: Getty Images

Daniela Carasco

Do UOL

18/01/2018 04h00

Conhecida por retratar o lado angustiante e até assustador da tecnologia, a série "Black Mirror", da Netflix, virou sensação. Na quarta temporada, porém, uma polêmica se instaurou. O segundo episódio, intitulado "Arkangel", provocou uma discussão científica: a pílula do dia seguinte é um abortivo?

Vamos ao contexto. Na trama, a mãe instala um sistema de monitoramento na filha, ainda criança. A ferramenta serve para que ela acompanhe todos os passos da menina e, inclusive, interfira em alguns deles. A situação se agrava quando, aos 15 anos, Sarah tem a primeira relação sexual –descoberta pela mãe por meio do sistema. Desesperada, a mulher coloca, escondido da garota, uma pílula do dia seguinte na bebida do café da manhã.

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Sarah só descobre a verdade no hospital, quando a enfermeira lhe avisa: “Querida, foi a contracepção de emergência que fez você se sentir assim. A pílula para interromper sua gravidez. Você não está mais grávida”.

Para desfazer confusões, o UOL consultou especialistas no assunto para esclarecer essa e outras dúvidas, que ainda rondam o uso da pílula do dia seguinte.

A seguir, as ginecologistas Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa Estadual de Saúde do Adolescente de São Paulo, e Zsuzsanna Di Bella, professora adjunta do Departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), respondem a questões-chave.

1 - Pílula do dia seguinte é um abortivo?

Não. Sua função é, na verdade, prevenir a gestação. Dependendo do período fértil em que é tomada, o medicamento pode agir de três maneiras distintas: inibir a ovulação, dificultar o encontro do espermatozoide com o óvulo ou impedir que o gameta fecundado se fixe no endométrio, a parede do útero, para que a gravidez seja então confirmada.

2 - Do que é feita a pílula do dia seguinte?

Ela contém uma concentração alta de levonorgestrel, que nada mais é do que a versão sintética do hormônio progesterona, encontrado também nas pílulas de uso contínuo. A dose de 1.500 mcg corresponde à meia cartela de comprimidos do anticoncepcional do dia a dia, porém, sem a dosagem de estrogênio, responsável por preparar o corpo feminino durante a gravidez.

3 - Pode falhar?

Enquanto a pílula de uso contínuo tem 99% de chances de eficácia, a do dia seguinte oferece uma segurança máxima de 70%. Isso significa que, a cada 10 mulheres que tomam, 3 podem engravidar.

4 - Quem pode tomá-la?

Qualquer mulher na idade fértil, ou seja, que já tenha menstruado. Suas contraindicações são semelhantes às da pílula comum: orienta-se que o medicamento seja evitado por quem tem problema de coagulação, pressão alta, problema renal ou diabetes.

5 - Quando ela pode ser tomada?

Após uma relação sexual desprotegida. Para que tenha o maior grau de eficácia, o ideal é ingeri-la nas primeiras 72 horas depois do ato.

6 - Qual o tempo limite para tomá-la?

Segundo as especialistas, estudos mostram que, em até cinco dias após a relação sexual, a pílula do dia seguinte pode atuar, mas as chances de falha são cada vez maiores com o passar do tempo. Agora, passado esse período, não adianta mais tomá-la.

7 - Tomei uma vez, quando posso tomar novamente?

Não existe uma determinação médica quanto ao intervalo mínimo de uso. O cenário ideal é aquele em que a pílula do dia seguinte é tomada apenas uma única vez na vida. As ginecologistas alertam que o uso frequente pode fazer o organismo se acostumar com a dosagem, podendo aumentar as chances de falha. É importante ressaltar ainda que a mulher que toma diversas vezes se expõe gravemente ao sexo sem proteção.

8 - Provoca reações?

Dores de cabeça, reação gástrica, náusea e vômitos estão entre os possíveis efeitos colaterais, mas não é regra. Em casos de vômito e diarreia, a orientação é que um novo comprimido seja tomado, já que o anterior pode ter sido expulso do organismo. Há risco ainda de irregularidade na menstruação. E, nesse caso, não existe padrão. Há quem sangre no dia seguinte, uma semana depois, no próximo ciclo ou após 40 dias. 

9 - Há riscos de trombose?

Não. O que expõe a mulher ao problema é o consumo contínuo do estrogênio, que não entra na composição da pílula do dia seguinte.

10 - Depois de quanto tempo pode-se voltar a usar a pílula de uso contínuo?

Imediatamente após a confirmação do resultado negativo do teste de gravidez. Não há necessidade de esperar um novo ciclo menstrual. Na primeira semana de uso, porém, é aconselhado que se use também um preservativo. 

11 - Fiquei grávida mesmo assim, o bebê corre riscos?

A pílula do dia seguinte não acarreta danos à saúde do feto nem à sua formação. Sua única atuação é no momento pré-gestacional.

12 - Ela prejudica a fertilidade?

Não. Assim como a pílula de uso contínuo, ela só interfere na ovulação enquanto é tomada. Após o uso, o ciclo é retomado naturalmente, ainda que demore alguns dias, sem danos à mulher.

13 - Dá para conseguir de graça?

Sim. Existe uma distribuição gratuita no SUS (Sistema Único de Saúde), por determinação do Ministério da Saúde. O medicamento também pode ser comprado em farmácias, sem necessidade de receita.

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