Mães e filhos

Recém-nascido fazendo xixi em penico? Mães falam sobre higiene natural

Getty Images
Higiene natural: os pais observam os sinais que o bebê dá quando quer fazer xixi e cocô e o levam ao banheiro ou ao penico Imagem: Getty Images

Bárbara Therrie

Colaboração para o UOL

17/01/2018 04h00

Entender os sinais que bebês dão, mesmo os muito novinhos, de quando querem fazer xixi e cocô é a base da higiene natural ou “elimination communication” (comunicação de eliminação, em inglês).

Famílias adeptas do método dispensam fraldas (na maior parte do tempo), oferecendo outras possibilidades para a criança, como usar o penico ou o vaso sanitário.

A seguir, duas mães falam sobre essa experiência.

“A partir dos dois meses, comprei um penico”

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
“Pratiquei a higiene natural, pela primeira vez, com a minha filha, quando ela tinha 54 dias de vida. Ela estava mamando e ‘brigando’ com o peito, quando sutilmente tirei a fralda, peguei um pote de isopor e coloquei no meio das minhas pernas, posicionando-a como se estivesse de cócoras. Rapidamente, ela fez xixi e cocô, e pareceu feliz por eu ter entendido. Ela usava fraldas a maior parte do tempo, mas, a partir dos dois meses, comprei um penico e ela passou a fazer quase todas as suas necessidades lá. Aos 11 meses, por conta própria, ela desfraldou completamente.

Serena me olhava e fazia ‘bruuuu’, quando queria fazer xixi. Depois, os sinais foram mudando. Uma mãe aprende a identificar quando o bebê tem fome, sono e também quando precisa evacuar. Tivemos confusões, mas também muitos acertos e vitórias. Minha filha já fez xixi e cocô em banheiro de shopping, restaurante, meio fio da calçada, pé de árvore e saquinho, sempre de forma digna, limpa e tranquila.

A higiene natural trouxe vários benefícios. Ela dorme bem, não tem assaduras. Sem falar na economia com fraldas, pomadas e o respeito à natureza.”

Fernanda Paz, 32, consultora de higiene natural, autora do livro “Bebê Sem Fralda Brasil”, e mãe da Serena, de três anos.

Veja também:

“Iniciei a higiene natural desde o primeiro dia de vida”

Arquivo Pessoal
Sandy Falcão com o marido, Pierre, e a filha deles, Fernanda Imagem: Arquivo Pessoal
“Ouvi falar da higiene natural em 2013, e achei o máximo a ideia de nos conectarmos com nossos bebês, a ponto de reconhecer seus sinais de evacuação. Quis aplicar a técnica com a minha primeira filha, mas desisti por insegurança e falta de conhecimento. Quando engravidei da Fernanda, decidi que iria praticar assim que ela nascesse. Iniciei a higiene natural desde o primeiro dia de vida dela. Estava na maternidade quando notei ela inquieta. Tirei a fralda, levei-a na pia do banheiro, e ela fez xixi e cocô. Desde então, eu e meu marido, Pierre, temos conseguido identificar 90% das vezes em que ela quer fazer o número dois. Em casa, oferecemos pote de sorvete, pia e chão do banheiro, para atender suas necessidades.

Os sinais do xixi são mais sutis, mas já sabemos que a Fernanda sente vontade sempre após o banho, depois de acordar ou antes e após mamar. Se quer fazer cocô, ela nos encara, contorce-se e faz um som parecido com um pigarro. Sabemos que ela terminou quando estica as pernas. Nós a lavamos com água e colocamos a fralda. Durante o dia, ela usa a de pano e, à noite, a descartável.

Entre as vantagens, já notamos o fato de ela ser calma, não ter cólicas e se sentir confortável. No início, tinha dúvidas se daria tempo de perceber o sinal, tirar a fralda e posicionar. Dá. É como se os bebês entendessem que vamos atender o pedido e esperassem alguns segundos. Mas, se demorarmos, eles vão acabar fazendo.”

Sandy Falcão, 29, professora universitária e mãe da Beatriz, 4 anos, e da Fernanda, 1 mês.

O que dizem os médicos

Para a pediatra Amanda Ibagy, do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, há sinais universais das crianças quanto à evacuação.

Segundo a médica, quando querem fazer cocô, elas ficam vermelhas, fazem bico, soltam gases e se espremem. Já quando é xixi, choram, têm dificuldade para dormir, ficam irritadas e, durante a amamentação, pegam e soltam o peito.

Amanda afirma que a higiene natural não força o controle precoce do esfíncter do bebê, que vai ocorrer conforme o desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

“É uma prática positiva, pois o bebê cresce desenvolvendo consciência corporal. Por ele não ficar em contato com fezes e urina, cai o risco de infecção urinária, assadura, dermatites. Além disso, diminuem cólicas e a ocorrência de constipações.”

Já o pediatra Yechiel Moises Chencinski, do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo, afirma que o bebê não está preparado para a higiene natural do ponto de vista físico, neurológico e emocional.

“A criança pula fases do desenvolvimento, que são importantes na sua formação. Isso é um condicionamento que leva tempo e é individual. Qualquer tentativa antes dos dois anos e meio a três anos pode ser frustrante para todos.”

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