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Mães e filhos

Seu filho só come na frente da TV ou do tablet? Veja como mudar isso

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Seu filho só come com distração? Veja como mudar isso Imagem: iStock

Carolina Prado e Letícia Rós

Colaboração para o UOL

15/01/2018 04h00

A criança faz cara feia para a comida e não abre a boca de jeito nenhum. Exceto quando os pais, aflitos e cansados de insistir, ligam a televisão ou o tablet, com desenhos que o filho adora. Aí, para o alívio dos adultos, o pequeno come tudo sem reclamar.

Já viu esse filme? Pois é, tem horas que parece não ter jeito. Mas os especialistas alertam: o hábito de distrair a criança na hora de comer tem um efeito negativo, já que ela não presta atenção no que está comendo, não sente o sabor dos alimentos, perde a noção da saciedade e fica longe do convívio familiar.

Desperte o interesse pela comida

Comer tem de ser encarado como um aprendizado. Uma das maneiras de facilitar o processo é despertar o interesse da criança pela comida. Você pode, por exemplo, levá-la à cozinha para participar do preparo da refeição. Pedir ajuda com pequenas tarefas, como lavar folhas para uma salada, levar o prato à mesa. Os mais velhos até podem se aventurar um pouco mais, cortando legumes, por exemplo. A proximidade com o alimento pode despertar a curiosidade de comê-lo.

O ambiente também conta

O melhor ambiente para as refeições, como você já deve imaginar, é livre de televisão, tablets e celulares. Eles tiram a atenção da criança, pois ela pode ficar tão entretida que não percebe o que está fazendo. É possível tornar o momento um pouco mais lúdico de outras maneiras, fazendo um jantar com iluminação especial, convidando um boneco para “comer junto”. Tente deixar a mesa atraente. Uma toalha de mesa divertida e um guardanapo diferente já encantam os olhos infantis.

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Tarde demais? Não!

O ideal é evitar que o hábito se instale, mas, se comer na frente de aparelhos eletrônicos, é um costume na sua casa, saiba que sempre dá para mudar. A postura dos pais é fundamental nestas horas. Por mais difícil que seja, evite usar o celular na hora das refeições. Além de aprender pelo exemplo, a criança pode questionar por que os adultos podem usar um aparelho eletrônico e ela não. Conversar também é essencial. Se seu filho já consegue entender um pouco e interagir, procure explicar a importância de se sentar à mesa com a família e prestar atenção ao que está acontecendo. O momento da refeição não se resume somente ao ato de comer. Nos primeiros dias, pode ser mais difícil para ele se adaptar à nova regra. Será preciso insistir para que a mudança aconteça.

Use a criatividade no próprio prato

Nós comemos com os olhos, as crianças também. Por isso, vale a pena oferecer o mesmo alimento em diferentes formas de preparo. O que não agradou de um jeito pode agradar de outro. Decorar o prato também pode funcionar como um atrativo. Tirar os eletrônicos não significa que não se possa brincar durante a refeição. Uma ideia pode ser estimular a criança a adivinhar qual o alimento pelo cheiro ou o sabor.

Respeite os limites da criança

Cuidado com a impaciência. É importante respeitar o tempo da criança, para que ela possa conhecer os sabores, as texturas, os aromas. Não a force a comer ou será mais difícil a sua relação com os alimentos. E não existe um tempo ideal para ficar à mesa, é importante que ela tenha um ritmo tranquilo de mastigação. Deixe seu filho contar como foi o dia na escola, sobre suas brincadeiras favoritas. Se perceber que ele está falando muito mais do que comendo, você pode ajudá-lo. Pode dizer algo como “agora eu vou contar uma coisa enquanto você come um pouco, pois você já contou suas notícias de hoje”. Com leveza e alegria, a criança recebe bem a “interferência”, até porque costuma estar com fome.

Vale no restaurante?

As crianças costumam ficar impacientes ao ter de esperar por um prato em um restaurante, e é natural querer distraí-las com aparelhos eletrônicos. É uma possibilidade, dizem os especialistas, mas o equipamento deve ser desligado na hora da refeição. O ideal, no entanto, é estimular a conversa nesse momento. Ou desenhar com seu filho –alguns restaurantes até oferecem distrações infantis, como giz de cera para rabiscar. Vale também manter um brinquedo na bolsa para essas ocasiões. O ideal é que o eletrônico seja utilizado, no máximo, uma hora por dia. É para ser encarado como uma atividade e não uma muleta para que outra coisa importante aconteça. Assim, naqueles 60 minutos de TV, tablet ou celular, a criança poderá viver aquilo intensamente e, depois, conversar sobre o que assistiu. No jantar, inclusive.

Fontes: Daniella Freixo de Faria, psicóloga infantil e autora do livro “Conversa com Criança”, e Isabella Moreira Saraiva, nutricionista clínica.