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Mães e filhos

9 perguntas e respostas sobre infertilidade

Getty Images
Imagem: Getty Images

Gabriela Guimarães e Veridiana Mercatelli

Colaboração para o UOL

03/01/2018 04h00

Conseguir gerar um filho, para muitos casais, não é fácil. Não raramente, é preciso encarar problemas de fertilidade, que podem ser um balde de água fria para quem deseja aumentar a família. Para ajudar a sanar algumas dúvidas sobre o assunto, listamos perguntas e respostas dadas por especialistas.

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Mulheres com mais idade tendem a ter problemas com fertilidade?

Sim. A fertilidade feminina começa a declinar a partir dos 36 anos. Como acontece o envelhecimento dos óvulos, as chances diminuem e aumenta a probabilidade de surgirem cromossomopatias, ou seja, cromossomos a mais ou a menos, responsáveis por síndromes como a de Down. Estudos sugerem também que a idade masculina seja um fator importante.

Quais outras causas mais comuns da infertilidade?

Nas mulheres, as causas são separadas por localização. Há o chamado fator ovariano, como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a baixa reserva ovariana; o fator tubário, como as obstruções inflamatórias das tubas uterinas; o fator uterino, como as malformações uterinas e alguns tipos de miomas e endometriose. Já em homens, as razões mais comuns são: baixa produção de espermatozoides, fatores hormonais, varicocele, criptorquidismo (quando não há uma descida correta de um ou ambos os testículos), exposição a agentes nocivos aos testículos, estresse, sedentarismo, obesidade, uso de drogas lícitas e ilícitas, vasectomia ou trauma, além de acidentes raquimedulares (lesão de na coluna vertebral, que pode incluir a medula ou as raízes nervosas).

Algumas doenças sexualmente transmissíveis podem causar infertilidade?

Sim. As principais são a gonorreia e a clamídia. Essa última, em casos mais severos, pode levar à obstrução tubária e até à remoção cirúrgica das trompas.

Quanto tempo é considerado normal um casal tentar engravidar, sem ser considerado infértil?

Sociedades de reprodução humana indicam que um casal de até 34 anos de idade, mantendo relações sexuais por, pelo menos, 3 vezes na semana, engravidem em um período de no máximo 12 meses. Passado esse tempo, é recomendável buscar um especialista. Entre 36 e 38 anos, é bom esperar seis meses para procurar um profissional. E acima de 39, pode-se procurar ao começar a tentar.

Quais exames são feitos para constatar infertilidade na mulher e no homem?

Para os homens, o espermograma permite que o médico constate a presença ou ausência de espermatozoides. Outros exames são cariótipo, perfil hormonal, ultrassom da bolsa escrotal e pesquisa de fragmentação do DNA espermático. Para as mulheres, os exames são um pouco mais invasivos e complexos. Na primeira consulta pede-se perfil hormonal, ultrassom pélvico, ultrassom dos ovários e a histerosalpingografia, um raio X do útero e das trompas uterinas.

Quais tratamentos existem para pessoas inférteis?

São basicamente três: coito programado – a mulher recebe medicamentos que induzem a ovulação e o casal se programa para ter relação naquele período. A taxa de gestação é de aproximadamente 20%. Inseminação intrauterina -  que coloca o sêmen no útero próximo ao momento da ovulação. A taxa de gestação também é de aproximadamente 20%. E fertilização in vitro, que conduz o processo de fecundação do óvulo pelo espermatozoide fora do corpo e transfere para o corpo da mulher o embrião formado. A taxa de gestação é de aproximadamente 40%.

Sobrepeso é um fator que dificulta a fertilidade?

Sim, é um fator importante que leva à infertilidade masculina e feminina e deve ser combatida por múltiplos especialistas. Afinal, quando o metabolismo funciona mal, os hormônios acabam pagando o preço. A pessoa pode ter diabetes, hipertensão, entre outros problemas que dificultam a fertilidade.

Mulheres que tiveram abortos espontâneos terão mais dificuldade em engravidar novamente?

Não. Abortamentos são muito frequentes, acontecem em cerca de 20% das gestações. E indicam que a pessoa consegue engravidar - ainda que ela tenha abortado, várias etapas do processo se mostraram funcionais. Mas se aconteceu uma vez, é bom ter o acompanhamento médico para a próxima tentativa.

Depois que se tentou de tudo, como lidar com a notícia da impossibilidade de ter filhos?

É importante não procurar culpados nessa hora. E pensar que sempre há alternativas como a doação de óvulos, de sêmen, cessão temporária de útero (barriga de aluguel), além, é claro, da adoção.

Fontes: Eduardo Hideki Miyadahira, médico especialista em reprodução assistida do Centro de Reprodução Humana Santa Joana.Márcio Coslovsky, diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva. Philip Wolff, embriologista responsável na Clínica Genics.