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Mães e filhos

Sabe o que é "partolândia"? Mães que tiveram parto humanizado contam

Arquivo pessoal
Beatriz Inae Kawakami, 22 anos, doula, mãe de dois meninos, de 1 e 3 anos Imagem: Arquivo pessoal

Gabriela Guimarães e Veridiana Mercatelli

Colaboração para o UOL

02/01/2018 04h00

Você já ouviu falar em "partolândia"? Dizem as militantes do parto humanizado que esse estado é descrito por muitas mães como um um momento de conexão com o mundo interior, quando as interferências externas parecem deixar de existir no momento em que dão a luz.

"Na partolândia, as mulheres normalmente perdem a noção de tempo e espaço. Não se lembram de detalhes do que estava acontecendo à sua volta, sentem um prazer e um relaxamento tão grandes que não conseguem descrever", conta Gisele Corrêa de Abreu, doula há dois anos pela ANDO - Associação Nacional de Doulas.

Segundo Gisele, a "partolândia" permite que a mulher se mantenha presente no parto, atenta a todo o processo fisiológico. "Em geral, a mulher que chega à partolândia sabe o que fazer e como fazer, só precisa deixar acontecer", completa Gisele.

A seguir, mães que passaram por essa experiência contam exatamente o que sentiram:

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"Ouvi falar em 'partolândia' pela primeira vez durante as leituras para a preparação do meu primeiro parto. Mas só no nascimento do meu segundo filho eu experimentei essa sensação. Na hora, eu sentia que só conseguia falar comigo mesma. Falar com o outro era um esforço muito grande. Quando as pessoas conversavam, eu olhava e queria responder, mas não conseguia. Só respondia mentalmente. Eu ria internamente e, por fora, não esboçava um sorriso. 

Posso dizer que entrei, de fato, na partolândia, durante o trabalho de parto ativo, próximo à transição para o expulsivo [segunda etapa do parto, quando o bebê atravessa o canal vaginal]. Mas, na hora, eu não sabia que estava lá. Naquele momento, não estava pensando sobre a minha situação, não racionalizei, fui levada pelo inconsciente. Fiquei sabendo depois, revivendo e relembrando o parto. Não tem algo muito racional no pensamento nessa hora. Eu meio que saí de mim, no sentido de não controlar mais os meus pensamentos, meus sonhos, meus gritos. Quando pari, estava de quatro, e me coloquei nessa posição sem pensar, foi instintivo. Acredito que tenha ficado nesse estado até o expulsivo." - Beatriz Inae Kawakami, 22 anos, doula, mãe de dois meninos, de 1 e 3 anos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
"Li sobre a 'partolândia' na época da gravidez, mas não me aprofundei muito no assunto. Não me lembro exatamente quando entrei nesse estado, acho que foi quando as dores ficaram intensas, no começo do trabalho de parto ativo. Essa fase durou seis horas mas, para mim, foi como se tivesse passado só meia hora.

Fiquei extremamente introspectiva e não conseguia conversar normalmente, estava muito focada em mim mesma. Não percebia nada fora daquele meu momento. Escolhi uma trilha sonora e não me lembro de nenhuma música. Não tinha consciência de que estava nesse estado, fui perceber só depois. Lembro de pouca coisa, mas sei que passava pela minha cabeça que meu filho ia nascer.

Eu não conseguia ouvir direito o que as pessoas falavam, elas tinham que tocar em mim para eu prestar atenção. Saí da 'partolândia' no expulsivo, foi muita adrenalina. Nessa hora, já estava bem consciente e, depois que meu filho nasceu, eu estava total e completamente alerta." - Mariane Leal, 32 anos, funcionária pública, mãe de um menino de 3 anos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
"Ouvi sobre a 'partolândia' durante a minha gestação, em uma roda de apoio para casais em busca de um atendimento humanizado. Aquele encontro foi um portal para mim, pois, a partir daí, comecei a buscar cada vez mais informações por conta própria em blogs, livros, documentários etc. Eu não conhecia ninguém que tivesse vivenciado essa experiência ou que, ao menos, soubesse o que era isso.

No dia, tive um misto de sensações. De alguma forma, eu tinha plena consciência do que acontecia ao redor. Eu reconhecia as vozes, respondia a algumas perguntas, procurava e encontrava os olhos das pessoas que estavam comigo, do meu marido, por exemplo. Por outro lado, parece que todas essas cenas da realidade estavam acontecendo em algum lugar muito distante e eu, na verdade, estava sozinha, conectada somente comigo e com o meu bebê, em alguma outra dimensão muito mais intensa. E, conforme o trabalho de parto foi avançando, essa sensação também ficou mais forte, até atingir o pico e eu realmente sair da minha consciência por alguns instantes.

Normalmente, entra-se na 'partolândia' em algum momento da fase ativa e foi o que aconteceu comigo. Foi quando o trabalho de parto engrenou de vez e as sensações das contrações se tornaram realmente intensas. Eu simplesmente deixei acontecer e vocalizei durante toda a fase ativa, até entrar no expulsivo, quando a sensação mudou completamente e eu recobrei parte da consciência." - Gabriela Cano Campanella, 28 anos, relações públicas, mãe de um bebê de 5 dias

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