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Diversidade

Casal de lésbicas sofre ataque homofóbico em padaria de SP e desabafa

Reprodução/Facebook/TatitBrandão
Tatit Brandão e Laura M Baruffaldi durante o café da manhã na padaria onde elas sofreram ataque homofóbico Imagem: Reprodução/Facebook/TatitBrandão

Amanda Serra

Do UOL, em São Paulo

25/12/2017 14h31

Por meio das redes sociais, a jornalista e atriz Tatit Brandão expôs o ataque homofóbico que ela e sua companheira, a psicóloga Laura M Baruffaldi sofreram na padaria Delícia de Perdizes, localizada no bairro da Pompeia, na zona oeste de São Paulo.

De acordo com a jovem, elas estavam comendo pão na chapa, tomando café e suco de laranja enquanto conversavam, se beijavam, se abraçavam e compartilhavam momentos felizes comuns aos casais, quando foram abordadas por uma das funcionárias do local. 

“Olha, dois clientes já foram reclamar com o gerente o incômodo que vocês estão causando. Um deles, um senhor que estava com o filho e foi questionar que tipo de ambiente a padaria, que deveria ser um 'ambiente familiar', nesse momento está proporcionando. Então, eu peço a delicadeza de vocês serem discretas. Não é preconceito por vocês serem assim, nem nada, me desculpa, não é por mal, também sou gay e faz tempo, desde os meus 11 anos. Tem alguns lugares que eu me sinto bem à vontade... no Vermont, na República, no Arouche, mas é que lugares como aqui é bem complicado... Sabe? Meninas, me desculpem mesmo, a padaria quer receber e agradar todo mundo, o gerente pediu para eu vir aqui falar com vocês porque ele sabe que eu sou gay e aqui nunca sofri nenhum preconceito em relação a isso, eles me aceitam normal”, disse a funcionária, segundo o relato da jovem.

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Tatit quis entender a situação e questionou a trabalhadora sobre o que ela estava pedindo ao casal. “A moça tentou falar, continuou se embananando mais ainda, se emocionou, pediu desculpas e saiu da nossa frente chorando em direção ao banheiro. Essa cena se repetiu mais duas vezes. Ficamos, claro, paralisadas e incrédulas com o tamanho do horror a que nós três estávamos sendo submetidas.

Assédio moral e homofobia

A jornalista disse ainda que se viu inserida duplamente em situações desagradáveis, mas infelizmente, ainda rotineiras na atualidade.

“Sofrer homofobia já é um horror sem fim. Sofrer homofobia e ao mesmo tempo presenciar um assédio moral descarado entre chefe e empregada, sendo que a empregada sofre o mesmo tipo de opressão que você, é um horror elevado à enésima potência. A funcionária recebendo uma ordem do chefe não está em posição de argumentar, nem discutir, nem se negar a nada, ainda que a ordem seja oprimir pessoas iguais a ela, e a si mesma.”

Ao questionarmos sobre o posicionamento da padaria e perguntamos por que achava que a padaria não estava tendo uma postura homofóbica, se pediram para nos solicitar um disfarce de quem somos, para satisfazer aqueles homens que não nos toleram, ao invés de anunciar aos mesmos que aquele era um lugar que acolhia a diversidade. A moça desmontou novamente, entre o que percebia que estava fazendo conosco (e consigo mesma) e o medo de não cumprir a função de forma satisfatória e correr risco de perder o emprego. Uma atrocidade”, definiu Tatit.

Por fim, a funcionária ofereceu um panetone como presente para o casal, que disse não ter aceitado. 

“Saímos dali duas horas depois, paralisadas pelos infinitos minutos de violência. Em direção ao caixa, a passos lentos de um momento amargado, no chão de lama da nada Delícia das Perdizes, com os olhos atentos a todos que nos olhavam e o coração entristecido. Um verdadeiro assalto ao sabor do amor”, finalizou a jornalista.

Ao UOL, o casal explicou que não teve dúvida em expor publicamente o ocorrido. “Estamos em 2017 e não podemos mais continuar sofrendo esse tipo de preconceito, nem ser vítimas da intolerância alheia. Vamos continuar ocupando os espaços sendo quem somos, nos amando e demonstrando afeto. Essa é a nossa maior resistência.”

Elas ainda garantiram que vão continuar usando as ferramentas de comunicação para divulgarem casos como este. “No intuito de fomentar o combate aos preconceitos, seja a homofobia, o classismo, o etarismo, o machismo ou qualquer outra ignorância. E que isso também sirva para encorajar outras pessoas a fazer denúncia sempre que forem vítimas desses horrores. Não podemos mais sofrer caladas, enquanto houver horror, continuaremos mostrando abertamente e em detalhes o horror que sofremos ao mundo. Laura e eu temos isso, na nossa vida, como função e responsabilidade social.”
 
Tatit também fez questão de ressaltar que não teve e não tem a intenção de responsabilizar a funcionária pelo ocorrido. “Em nenhum momento sugeri a atribuição de culpa a ela.”

O outro lado

Por conta da repercussão do post no Facebook, a padaria se retratou em sua página com a seguinte mensagem:

“Queremos nos retratar publicamente com o casal Tatit Brandão e Laura M Baruffaldi. Por elas terem passado pela degradante situação de se sentirem erradas, quando não fizeram nada mais que demonstrar o sentimento que sentem uma pela outra. A culpa não é da funcionária que as abordou. Não é também só de pessoas que se sentiram incomodadas. A culpa é da Delícia de Perdizes.”