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Alimentação natural para cães e gatos vira moda e especialistas comentam

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Atenção: cães e gatos são sensíveis a temperos e qualquer alimentação natural exige suplementação Imagem: Getty Images

Daniela Carasco

do UOL, em São Paulo

15/12/2017 04h00

Nos últimos tempos, uma nova tendência foi lançada pelas musas fitness: a alimentação natural de pets. Basta uma visita rápida aos perfis mais populares das redes sociais para notar o quanto elas são entusiastas desse tipo de dieta na hora de cuidar de seus cães e gatos de estimação. Mas será mesmo que ela é melhor que as já conhecidas rações?

Juliana Bechara Belo, médica veterinária e proprietária da empresa La Pet Cuisine, que produz esse tipo de refeição, garante que sim. “Eles são mais frescos, não possuem conservantes, aditivos químicos, corantes, nem estabilizantes. Por isso, acreditamos ser melhor”, diz.

Leandro Blasques, médico veterinário formado pela USP, concorda. "A comida só não foi benéfica nos anos 1980, quando se dava restos das refeições humanas aos animais", explica. "Quando balanceada, ela é muito benéfica." Segundo ele, as rações tem baixa umidade que prejudica o funcionamento renal, são produzidas com matéria-prima de baixa qualidade e possuem muito conservante sintético -- potenciais causadores de tumor e alergia.

O que vai na AN?

Os ingredientes básicos da alimentação natural são os mesmos usados na alimentação humana, com exceção dos temperos, que podem provocar intoxicação nos bichos. “Cebola e alho fazem muito mal a cães e gatos”, conta Juliana. “Pode provocar anemia, inclusive”, alerta Said. Por isso, não se trata da compartilhar a nossa comida comida do dia a dia com os pets.

Na lista dos itens presentes na mistura natural estão carne bovina, frango, carne suína, peru, cordeiro, coelho, cenoura, abóbora, mandioquinha, batata, batata-doce, inhame, vagem, brócolis, chuchu abobrinha. Entre os grãos, predomina o arroz, que pode ser integral. E o mais indispensável de tudo: suplementação nutricional.

“Tudo isso é balanceado. O cálculo se dá com base no porte, raça, idade, atividade física e restrições alimentares de cada animal”, diz a veterinária.

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Preparar em casa pode ser arriscado

Segundo Youssif Said, médico veterinário do Cão e Tal Petshop, se não for preparada sob orientação médica e nem levar suplementação, a alimentação natural pode gerar deficiências nutricionais gravíssimas aos bichos. “Temos notado alguns problemas decorrentes dessa nova onda. O enfraquecimento de ossos é um deles. A causa está no excesso de fósforo ofertado, que acaba impactando na produção de cálcio. Isso pode levar a distúrbios hormonais também. A comida natural precisa ser formulada corretamente.”

O especialista chama atenção ainda para dietas vegetarianas e veganas, que muitos donos acabam transmitindo aos bichos. “Os cães até conseguem fixar nutrientes de vegetais, já os gatos são estritamente carnívoros. Os felinos têm sofrido bastante com esse tipo de alimentação natural.”

Para quem não abre mão de preparar em casa, Leandro orienta utilizar então uma suplementação feita em farmácias de manipulação. "Outra possibilidade é adicionar alguns já presentes no mercado, que podem ser prescritos pelos veterinários."

Tem benefícios?

Na prática, Juliana tem notado uma melhora no brilho dos pelos dos animais, assim como diminuição da queda. “As fezes também reduzem, já que, em muitos casos, esse tipo de alimentação é digerida mais fácil. Por isso, os animais costumam se mostrar mais ativos e apresentar menos gases. Outro ponto positivo é que aumenta a ingestão de água, já que os ingredientes naturais são mais ricos neste sentido.”

Como fazer a transição?

A veterinária orienta que a transição da ração para a alimentação natural seja gradativa e sempre sob o acompanhamento de um especialista no assunto. “Normalmente, no primeiro dia usamos 25% da nossa comida e o resto de ração. Ao longo dos sete dias, o aumento deve ser gradativo. Se for radical, pode acontecer algum desarranjo intestinal.”

Cuidados na hora da compra

Na hora de comprá-la de empresas especializadas, é fundamental checar seu registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Com essa moda têm surgido muitas lojas clandestinas”, conta a veterinária. O alimento deve vir congelado e embalado a vácuo. Na hora de ser consumido, deve estar sempre cozido, nunca cru. "E o médico dirá se pode ou não haver ossos na mistura", esclarece Leandro.

O que cães e gatos não devem comer

Além da sensibilidade a temperos, os bichos de estimação são intolerantes a:

  • abacate
  • chocolate
  • uva
  • nozes
  • macadâmica
  • carambola
  • condimentos
  • excesso de sal
  • excesso de gordura
  • açúcar
     

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