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Penélope Nova revê fotos e fases: "Tudo é sobre como me enxergo"

Penélope Nova abre seu álbum de fotos

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Natacha Cortêz

Do UOL, em São Paulo

14/12/2017 04h00

Penélope Nova está em um momento de avaliar a caminhada até aqui. E, aos 44 anos, ela sabe o que lhe serve e o que não faz questão alguma de manter. O “espírito adolescente”, como gosta de dizer, é das coisas que nunca vai perder: “Faz parte de mim. Tenho uma coisa forte, que é manter vivo o lúdico na minha personalidade. Nessas, me sinto com 20 anos de novo. Estou exatamente assim agora”.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
A busca por saber quem de fato ela é tem sido o caminho de sempre. Desde muito pequena, Penélope é orientada pela inquietação. E bem por isso, experimentou demais. Mil vidas em uma. Mil Penélopes em uma só carcaça. A vida fitness e regrada, o corpo tatuado, os tantos cortes de cabelo, a personalidade punk, impositiva e extravagante, o vocabulário sem censura: Penélope é tudo, menos óbvia. “As roupas que visto, o jeito que corto o cabelo, as formas que vou atrás de ter no meu corpo: tudo está relacionado a como me enxergo e como quero me mostrar”, diz.

Desde a adolescência, ela embarcou em dietas da moda, cardápios orientados por endocrinologistas, shakes de emagrecimento e, inclusive, incontáveis “tentativas malucas de emagrecer”.

Dos 13 aos 31 meu corpo era um ioiô.

Perto dos 30, decidiu enfim perseguir o sonho de uma vida toda: “Um corpo do qual eu pudesse sentir orgulho, onde eu me sentisse mais eu”. Corpo esse que ela aprendeu a admirar por causa dos atletas da ginástica olímpica que assistia na televisão ainda criança. Graças a uma dieta restritiva, que eliminou de vez a lactose e a farinha branca de suas refeições, somada a uma rotina diária e rigorosa de exercícios, há mais de uma década Penélope carrega o corpo que tanto almejou.

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Para ela, “emagrecer e secar” não era sobre ser a nova musa fitness - até porque há 13 anos elas mal existiam -, era sobre estar satisfeita com a pele que habita. Era sobre se amar, e não sobre agradar os olhares dos outros. “Nunca deixei de usar biquíni, por exemplo. Mas me incomodava sim as dobrinhas, as formas indesejadas. Tanto é que quase não tenho foto e registro do meu corpo exposto. Mas a questão é que o incômodo estava em mim. Eu é que ansiava por um novo shape.”

Arquivo pessoal
Foto de 2016 Imagem: Arquivo pessoal
Quando suas formas começaram a mudar, os julgamentos impiedosos vieram junto. “As pessoas não economizam quando querem te botar pra baixo.” Até na MTV Penélope ouviu críticas. Na emissora onde o estilo de vida junkie era cultuado, ser saudável e pensar no corpo era quase uma heresia. “Me olhavam como se eu estivesse violando o sistema.”

Inclusive, há uma história engraçada - e memorável - dessa época. Na festa de casamento do então casal Marcelo Adnet e Dani Calabresa, Penélope foi vista no banheiro jantando uma lata de atum “em água”, frisa. Pois ela não só confirma a tal história, como reivindica para si a propagação dela. “Eu mesma contei em um programa de TV. Minha saída é rir junto com as pessoas, em vez de deixar elas rirem sozinhas de mim.”

Aliás, foi do estilo de vida fitness que ela tirou um novo ganha pão. Hoje, Penélope vende o que vive. Em seu site Acredita Bonita, ela fala de treino, de dieta, de beleza, de saúde feminina e de autoestima. Ali, divide com outras mulheres o que aprendeu tentando encontrar a si mesma. “Não foi à toa que a minha mudança física aconteceu depois dos 30. Sou, sim, bem resolvida, mas isso não significa que não tenha fraquezas. Então, quando consegui mudar, significou muito. E só consegui porque naquela altura dos acontecimentos, sabia mais de mim.”

Hélia

Nascida em Salvador, em uma família de pais muito jovens e de alma hippie, Penélope teve nos avós paternos segundos pais. Hélia, a mãe do pai, o músico Marcelo Nova, é sua grande referência de mulher até hoje. “Tenho muito dela. O lance da mulher forte, especialmente. Que não tem a ver com gênero, mas tem a ver com a naturalidade de se ser quem é. Que tem a ver com a segurança de não permitir que o questionamento alheio modifique o que faz sentido pra você.”

Arquivo pessoal
Penélope, aos 9, com a avó paterna, Hélia, em Salvador Imagem: Arquivo pessoal

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