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Mães e filhos

Criança gordinha deve fazer dieta? Veja como lidar com seus filhos

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Segundo a Abeso, estima-se que 15% das crianças brasileiras estejam com sobrepeso ou obesas Imagem: Getty Images

Adriana Nogueira

Do UOL

13/12/2017 04h00

Se seu filho está com excesso de peso, a primeira medida é colocá-lo de dieta, restringindo o que ele come? Isso está errado. Crianças nunca devem fazer dietas que restrinjam ou excluam grupos de alimentos. Se cortar ou diminuir o consumo de carboidratos e gorduras pode ser uma estratégia para adultos que querem emagrecer, o mesmo não pode ser feito com os pequenos.

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“Nos primeiros mil dias de vida, que vão da gestação até, mais ou menos, os três anos, o cérebro da criança está em desenvolvimento. Se você corta completamente a gordura, por exemplo, prejudica a formação da barreira de mielina, que envolve os neurônios [as células nervosas]”, explica o endócrino-pediatra Felipe Lora, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

Segundo a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), estima-se que 15% das crianças brasileiras estejam com sobrepeso ou obesas. O controle de peso é, portanto, uma preocupação em muitos lares.

Ajuste de alimentos

Para que uma criança emagreça, o primeiro passo é ajustar o que ela come. Não elimine os carboidratos, nunca! Troque os simples, como a batata, pelos complexos, como a batata doce ou o inhame. Procure evitar as gorduras saturadas, como bolacha recheada, e dê outras fontes saudáveis da substância, como o abacate.

Para fazer essas trocas com segurança, o melhor é que os pais procurem a orientação de um pediatra e/ou de um nutricionista. Segundo Lora, os adultos responsáveis pela alimentação da criança podem cometer erros ao se basearem no senso comum, e não em especialistas. Um deles é trocar o leite integral pela versão desnatada, por exemplo, sem levar em conta a idade da criança.

“Um menor de três anos não deve tomar leite desnatado, salvo alguma indicação médica, porque isso pode prejudicar a formação da bainha de mielina”, fala o pediatra.

Não existe alimento vilão

De acordo com a nutricionista comportamental infantil Ariane Bomgosto, existe um aspecto psicológico comportamental importante quando se trata de uma criança que precisa emagrecer.

“Quando você diz que a criança não pode comer um determinado alimento, ela entende que ele é um ‘vilão’. E isso não existe. O que há são alimentos que devem estar na rotina, e outros que devem ficar restritos a ocasiões especiais, como salgadinhos em festas”, fala Ariane.

Comportamento beliscador

Em geral, também não se deve mexer na quantidade de comida que a criança come e, sim, na qualidade. Mais uma vez, o foco é compor um prato saudável (uma fonte de proteína, uma de carboidrato, uma de gordura, combinando-as com vitaminas e sais minerais, que vêm de folhas, legumes e frutas).

“O que se deve cortar é o comportamento beliscador”, diz Felipe Lora. Isso quer dizer que a criança deve fazer as refeições principais –café da manhã, almoço e jantar– e dois lanches (um antes do almoço e outro antes do jantar), sempre priorizando escolhas saudáveis, evitando açúcar e excesso de sal e de gordura.

Se o caminho é evitar a palavra "proibido", os pais podem lançar mão de alguns artifícios para evitar o consumo, mesmo nas ocasiões em que isso parece ser inevitável.

“Quando a criança tiver uma festinha, mantenha a rotina normal de alimentação dela. Assim, ela não chega ao evento com fome e se entope de salgadinhos”, afirma a nutricionista Luciana da Costa, do Hospital e Maternidade Santa Joana, também na capital paulista.

Alimento light

Luciana ainda diz que os pais não devem se enganar com os produtos que trazem a palavra light no rótulo. “Não adianta, por exemplo, comprar requeijão light e deixar a criança livre para comer até mais do que comeria a versão tradicional. Também é preciso tomar cuidado com alimentos light que têm adoçante”, fala a nutricionista.

Ainda não se tem muita segurança sobre o que pode ocasionar o consumo de produtos adoçados com aspartame e ciclamato de sódio. “Estudos indicam que os adoçantes à base de stévia e de sucralose são seguros, mas o melhor é não adoçar. Se for fazer um suco de limão, por exemplo, misture maçã para quebrar o azedo”, afirma Luciana.

Corpo em movimento

Por fim, além da reeducação alimentar, é preciso sistematizar a prática de atividade física. “Pelo menos, três vezes por semana. No mínimo, durante 30 minutos. O ideal é que sejam atividades com duração de 45 minutos a uma hora”, diz o pediatra Felipe Lora.

Incentivar que a criança brinque mexendo o corpo também ajuda nesse quesito. “Quanto menos tempo gasto na frente das telas, como TV, computador, tablet e videogame, melhor”, fala a nutricionista do Santa Joana.

Exemplo é tudo

A dica é antiga, mas continua válida e extremamente importante. As mudanças feitas na alimentação da criança devem ser adotadas por todos na casa.

“Quando um dos pais é obeso, a criança tem 50% de chance de ser obesa na vida adulta. Esse número sobe para 80%, quando os dois são obesos”, declara o endócrino-pediatra Felipe Lora.

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