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Questões de gênero causam gravidez na adolescência

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Questões de gênero influenciam a maneira que vivenciamos a vida sexual, inclusive a prevenção da gravidez precoce Imagem: Getty Images

Carolina Prado

Colaboração para o UOL

28/11/2017 04h00

O mundo mudou bastante, mas, ainda hoje, meninos e meninas são educados para se comportarem de acordo com seu sexo. Enquanto o garotinho pode sentar de qualquer jeito, a menina precisa deixar as pernas bem fechadas. É ele quem comanda as brincadeiras, enquanto ela o segue. Na adolescência, essas questões de gênero influenciam a maneira de cada um vivenciar sua vida sexual, inclusive na prevenção de uma gravidez precoce e não planejada.

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Ele pode. Ela, não. 

Os comportamentos relacionados ao gênero estão ligados a valores socioculturais, morais e religiosos de cada família. E não custa lembrar que a maioria das crianças aprende a se comportar observando a atitude dos pais. Daí, não é de se espantar que homens machistas casados com mulheres submissas tenham filhos com comportamentos semelhantes. “Se a menina aprende que tem de obedecer ao namorado ou respeitar a vontade do homem, e ele diz que não vai usar camisinha, ela não insiste. Isso é questão de educação em gênero. Esses valores ligados ao feminino, levam a mulher a ser submissa. Por seu lado, o garoto aprende que não pode brochar, que é coisa de homem engravidar ou até pegar doença. Por isso, não usa camisinha”, diz Lena Vilela, especialista em Saúde Pública e em Sexualidade Humana e diretora do do Instituto Kaplan, que cria projetos sociais sobre sexualidade e prevenção de DST e gravidez na adolescência.

“Tudo bem. Não precisa”

Muitas meninas sabem que estão em seu período fértil e, mesmo assim, transam sem preservativo. As justificativas para não se prevenir são conhecidas: na hora não tinha um preservativo à mão, ou ele não quis porque não gosta e ela ficou sem graça de insistir. Ou, ainda, concordou por medo de ele não querer mais vê-la. Só por isso dá para entender por que apenas falar sobre e gravidez precoce e DSTs não basta. Mais que nunca, é preciso também discutir as questões de gênero aprendidas na infância.

Toma, que o filho é seu

Como descobrimos na infância, homem não fica grávido. Só a mulher é capaz de gerar um filho. “A crença de que só ela deve tomar cuidado para não engravidar usando pílulas contraceptivas é comum entre rapazes. Quando acontece, em geral, eles as culpam”, diz a psicóloga Mara Lúcia Madureira. O garoto, por sua vez, acredita que pode sair ileso da situação, pois se a namorada engravidar, “o problema não vai ser dele”.

Discursos diferentes

Muitos pais não conseguem conversar sobre sexualidade com os filhos, seja por inibição, crenças religiosas ou medo de despertar a curiosidade “precoce” para o sexo. Boa parte limita-se a explicar apenas sobre reprodução e como evitar a gravidez e não se sentem à vontade para falar sobre o prazer sexual como um direito de todos, independentemente de gênero. Por isso, enfocam o assunto de uma forma repressora e punitiva, atendo-se a aconselhar que não transem para que não haja gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis. Fora isso, ainda há diferenças marcantes nos discursos. “Meninos ainda são induzidos, inclusive pela mãe, a sentir-se livre e sem culpa para transar à vontade, como se isso fosse uma referência de sucesso no seu grupo. Já elas devem se preservar, porque são desvalorizadas e estigmatizadas por se relacionarem com vários parceiros ao longo da vida”, comenta Mara Lúcia Madureira.

Jogo aberto

“Olha o que você vai aprontar! Se ficar grávida, nem sei o que seu pai é capaz de fazer”. Ou “Você é homem, tudo bem. É normal que queira começar a transar logo”. Frases como essas não devem fazer parte do repertório de pais com intenção de dar uma orientação sexual saudável aos seus filhos. O melhor a fazer é conversar com eles com naturalidade, de forma tranquila e esclarecedora. “Falar com os filhos sobre sexualidade não fará com que eles transem mais cedo. Expor sobre questões de gênero não irá fazer seu filho(a) mudar a orientação sexual dele(a). Se os pais não se sentirem à vontade para abordar o assunto ou acham que não vão dar conta das perguntas, devem procurar a ajuda de um profissional. As informações recebidas irão ajudá-los a compreender melhor seu corpo, seus afetos, inclusive, as questões ligadas ao respeito a si mesmo e ao outro”, diz a psicóloga Mônica Valêncio, especialista em terapia sexual.

Melhor evitar

O comportamento dos pais é o exemplo mais marcante para a educação dos filhos em todas as áreas. Por isso, é bom deixar de lado determinados tipos de atitudes:

  • Procure não agir ou falar de forma depreciativa ou desrespeitosa sobre o comportamento sexual de outras pessoas, anônimas ou famosas.
  • Não inclua piadinhas sexistas, machistas ou a crítica a homossexuais, transexuais nas conversas da família.
  • Não passe cantadas em público na frente do filho, para mostrar que é homem.
  • Procure não encorajar a promiscuidade nem expressões, do tipo “vou comer aquela menina” como se fosse um jeito divertido de fazer bonito no grupo de amigos.
  • Os pais devem orientar seus filhos para que entendam que a atividade sexual é uma prática que requer intimidade e deve ser feita com prazer e responsabilidade.

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