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Por que vários casamentos resistem a longos períodos sem sexo?

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Se ambos estão tranquilos e percebem que o amor e o desejo mútuo continuam a existir, tudo corre bem Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

24/11/2017 04h00

A fase de seca é mais comum do que se imagina. E, não, não tem nada a ver com traição, fim do amor ou ausência de desejo sexual. Pelo contrário: esses casais, em muitos casos, são superligados e vivem muito bem. Descubra as razões pelas quais várias pessoas encaram extensas temporadas sem transar e ainda assim a relação sobrevive sem nenhum arranhão.

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Determinados momentos contam com outras prioridades

Exemplos? Excesso de trabalho, cuidados com os filhos pequenos, reforma da casa, problemas envolvendo as famílias de origem, questões financeiras, gravidez, período pós-parto, doenças, mudança de emprego etc. A lista é vasta e engloba desde preocupações simples do cotidiano até demandas mais  críticas, mas que podem impedir o relaxamento e a tranquilidade para transar. Às vezes, nem há uma razão específica ou grave para o par deixar o sexo de lado. O desejo não acabou, apenas acontece de a energia do casal não estar voltada para isso.

O casal é bem resolvido e maduro

Obviamente o sexo é algo importante na relação, mas existem outras coisas, igualmente importantes. Vários casais passam por essas fases sem sexo numa boa porque são maduros o suficiente para compreenderem que um casamento é composto por vários ingredientes que se complementam: amor, carinho, ternura, companheirismo, amizade, parceria e apoio em projetos comuns, cuidados com os filhos, administração do lar, etc. Se ambos estão tranquilos, em harmonia, e percebem que o amor e o desejo mútuo continuam a existir, tudo corre bem.

Existem mais formas de satisfação

Em certas fases, o sexo pode ser compensado por outras coisas e/ou a libido fica dirigida para realizações diferentes - e que também proporcionam prazer, como a construção de uma nova casa ou o investimento num projeto profissional. Mesmo que o casal fique um tempo sem transar, não se afasta afetivamente.

A proximidade afetiva é muito forte

Nos casais em que existe cumplicidade, os períodos sem sexo são facilmente compreendidos e chegam a ser naturais. Isso não se torna uma preocupação, porque os dois estão juntos enfrentando aquilo que precisam enfrentar e sabem que têm um vínculo forte. Eles têm intimidade emocional e entendem que essas fases fazem parte de um casamento. Como a conexão emocional é bem intensa, nunca se sentem distante um do outro.

Há fases mais "amigas"

É normal, nos casamentos de muitos anos, haver períodos em que se pratica sexo com maior frequência e outros em transar é mais recorrente. Às vezes, simplesmente o casal está vivendo uma fase mais típica de "coleguinhas", companheiros. Estão curtindo outras coisas em comum e depois voltam a transar normalmente.

Ambos têm uma visão realista da vida a dois

Nos relacionamentos mais longos, o casal já passou pela fase da idealização. A vida em comum é mais realista. Ambos sabem que a falta de sexo é temporária, que se gostam e se desejam e têm segurança no amor e no desejo que sentem um pelo outro. Isso não detona uma relação solidificada à base de um vínculo forte, em que existe confiança e tranquilidade das duas partes.

O sexo tem grande influência na construção do vínculo amoroso, mas nem tanta na manutenção dele

O auge acontece sempre no início dos relacionamentos, como parte do estado alucinado da paixão. A novidade, a empolgação com a nova fase, o fato de um querer saber tudo sobre o outro, entre outros fatores, contribuem para que as transas sejam mais quentes e frequentes. Com o passar do tempo, porém, um casal constrói inúmeras outras coisas importantes que acabam por envolvê-lo, tirando consideravelmente o foco do sexo: filhos, vida social, projetos de vida em comum, a convivência no dia a dia, a cumplicidade, a parceria... O amor construído e alimentado no decorrer dos anos adquire maior importância que o sexo em si.

Consultoria | Carmen Cerqueira Cesar, psicoterapeuta e terapeuta de casais, de São Paulo (SP); Marina Vasconcellos, psicóloga, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP)

 

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