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Mães e filhos

Na chegada do primeiro filho, alguns pais dão mais trabalho que o bebê

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Dividir tarefas e conversar muito são alguns dos segredos Imagem: Getty Images

Gabriela Guimarães e Carolina Prado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/11/2017 04h00

“Além de ter ficado megacarente, meu marido simplesmente não me ajudava em nada! Dizia que tinha nojo de cocô e, por isso, não trocava o bebê. Não fazia mais nada na cozinha, alegando que não sabia cozinhar. Vivia dormindo, pois sempre estava muito cansado, enquanto eu cuidava sozinha do”, conta Larissa*, 25 anos, aeromoça. Já viu esse filme?

Mudança radical

Assim como aconteceu com a Larissa, há relacionamentos que, com o nascimento do primeiro filho, acabam abalados. Larissa, pro exemplo, não entendia onde tinha ido parar o cara superatencioso com quem havia se casado. Naquele momento, o sujeito com quem costumava dividir a casa e a cama reclamava de tudo o tempo todo. Se dizia cansado demais para olhar o bebê enquanto a mulher tomava um banho de cinco minutos. E ainda se irritava com o choro da criança!

“As reclamações mais frequentes das mães são de que o parceiro não compreende e não ajuda. Por exemplo, o nenê está chorando e o marido nem se mexe. Nesse período, a mulher se sente fragilizada, ela precisa de muita atenção e carinho”, diz a psicóloga Paola Andrade Maia.

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Críticas pioram tudo

Nem todos os homens são assim, há muitos que reconhecem sua responsabilidade e dividem as tarefas com a parceira. Mas, segundo o psicólogo Artur Cortez, fazer a sua parte em casa não é o suficiente para oferecer todo o apoio emocional de que a mãe precisa.

A dona de casa Mariana*, de 25 anos, sofreu cobranças absurdas. “Cuidar do bebê eu tirei de letra. Não sabia nada, era insegura, mas meti a cara e fui aprendendo. Era cansativo, mas não um incômodo. O problema foi lidar com meu marido. Ele ficava me martirizando com perguntas do tipo: ‘Você está cansada de quê, se fica em casa o dia inteiro e o bebê dorme bem à noite?’. Como se fosse fácil descansar com um recém-nascido mamando de hora em hora!”, desabafa.

“Alguns pais são participativos, mas discordam da forma como o bebê está sendo cuidado e criticam a esposa o tempo todo, gerando um ambiente muito estressante para a família”, explica Artur. E completa: “É importante que o pai entenda que a companheira está passando por um processo de aprendizagem, que é difícil. Ela precisa de pessoas que acreditem na sua capacidade de ser mãe.”

Coração dividido

Maridos também acumulam queixas, mas a reclamação mais comum é a de que a mulher anda fria e distante. A atenção dela agora está direcionada ao bebê, que depende totalmente dos seus cuidados para sobreviver. “A mulher deixa de lado o papel de esposa, para se dedicar ao filho em tempo integral. Além disso, há o período de quarentena após o parto, o que acaba prejudicando a intimidade do casal”, diz a psicóloga Heloisa Spinoso.

Nesse contexto, é muito comum o pai sentir ciúme do bebê. Na maioria das vezes, ele nem tem a consciência de que é esse sentimento que o leva a disputar a atenção e o espaço ocupado pelo mais novo membro da família, conforme explica Heloísa Spinoso.

Foi o que aconteceu com o marido da farmacêutica Rita*, de 42 anos. “Quando minha filha mais velha nasceu, meu marido ficou com ciúme. Ele queria a minha atenção. Chegou até a pedir que eu desse meu leite para ele! Como era mãe de primeira viagem, não soube como dividir o amor e a atenção. Com a segunda, foi mais fácil e superamos os desafios. Tanto é que estamos juntos há 27 anos”.

Vire o jogo!

Em geral, as dificuldades se resolvem quando o casal começa a entender melhor a nova relação que nasceu junto com o bebê. Algumas dicas podem ajudar:

  • Dividir as tarefas: “Mãe e pai são os cuidadores principais dos filhos e, por isso, precisam dividir as responsabilidades”, diz Patrícia Bader, psicóloga do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. O ideal é que o casal chegue a um consenso e já delimite o que cada um vai fazer, antes mesmo de surgirem os primeiros embates. “Não é um favor assumir funções de cuidados com a criança, é responsabilidade dos dois adultos da casa”, completa.
  • Conversar muito: é importante que haja diálogo e paciência, além de disposição para tentar entender como o outro está vendo a situação e como se sente nesse novo momento. A partir daí, serão feitos os alinhamentos necessários, para que ambos se adequem à nova realidade familiar. Os sonhos de cada um e os planos para o futuro não devem ficar de fora desses papos, pois ajudam a manter o casal unido, em torno dos projetos comuns.
  • Namorar, sempre que possível: vez ou outra, quando o cansaço der uma trégua, tentem aproveitar o momento como um casal. Nem que seja só para assistir o programa de televisão favorito dos dois, lado a lado no sofá.
  • Procurar ajuda: se a comunicação entre vocês ficou difícil desde a chegada do bebê, considerem uma terapia de casal. Um profissional pode ajudar a resolver os conflitos gerados pelas mudanças na rotina familiar.

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade das entrevistadas.

FONTES: Patrícia Bader, psicóloga do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. Heloisa Spinoso, psicóloga. Artur Cortez, psicólogo clínico. Paola Andrade Maia, psicóloga e mestre em Educação.
 

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